A China intensificou a integração entre inteligência artificial e energia elétrica após a Administração Nacional de Energia divulgar 51 cenários estratégicos para expandir o uso de IA no setor energético. A medida ocorre em meio ao avanço dos centros de dados no país e ao aumento da demanda por eletricidade impulsionada pelo treinamento de modelos de IA.
Entre os principais focos está a conexão entre capacidade computacional e energia verde. Em Shenzhen, centros de computação já utilizam sistemas de resfriamento líquido por imersão total, tecnologia que reduz em mais de 90% o consumo energético da refrigeração em comparação aos modelos tradicionais.
O movimento ocorre porque a eletricidade passou a representar mais de 50% dos custos operacionais dos centros de dados chineses. Para reduzir despesas e aumentar o uso de energia limpa, empresas do setor começaram a comprar grandes volumes de energia renovável de outras províncias.
Um dos casos destacados envolve a compra de 50 milhões de kWh de energia verde provenientes de Guangxi e Yunnan para abastecer centros computacionais em Shenzhen. A operação marcou a primeira transação interestadual “ponto a ponto” de energia verde da China.
Ao mesmo tempo, o governo chinês passou a direcionar centros computacionais para regiões com maior oferta de energia renovável. Projetos em áreas como Mongólia Interior combinam energia verde, hidrogênio e infraestrutura computacional para reduzir custos e aumentar a eficiência operacional.
A inteligência artificial também passou a atuar diretamente na gestão da rede elétrica chinesa. Durante o pico antecipado de consumo no sul da China, a China Southern Power Grid utilizou o modelo de IA “MegaWatt” para prever demanda energética, geração renovável e oscilações climáticas.
Em 25 de maio, a carga da rede elétrica da companhia atingiu recorde de 259 milhões de kW, quase um mês antes do habitual. Segundo a estatal, a IA ajudou a coordenar o uso de sistemas de armazenamento de energia e o intercâmbio interestadual de eletricidade para evitar pressão sobre a rede.
Além do setor elétrico, a expansão da IA também transformou o mercado de computação na China. Segundo a Administração Nacional de Dados, o volume diário de tokens processados no país já ultrapassa 140 trilhões, mais de mil vezes acima do registrado há dois anos.
Com isso, empresas chinesas começaram a adotar plataformas que conectam demanda computacional e preços de energia em tempo real. O sistema direciona tarefas de IA para regiões com eletricidade mais barata, reduzindo custos operacionais e aumentando o uso de energia verde.
Fonte: CCTV

