Colunistas

China transforma cidades em laboratórios para inovação urbana

China cidades inovação
Imagem: Xinhua

A China tem adotado uma estratégia de usar centros urbanos como ambientes de teste para novas tecnologias aplicadas a obras, serviços públicos e planejamento urbano. Desde a década de 2010, o governo lançou programas nacionais de cidades inteligentes, incentivando a integração de informação e comunicação digital, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial (IA) e 5G para gestão urbana, mobilidade, energia, segurança e serviços públicos, um modelo que combina governo com grandes empresas de tecnologia e que já foi aplicado em dezenas de cidades chinesas.

Em julho de 2025, a cidade de Jinan (província de Shandong) ganhou destaque internacional ao instalar uma cúpula inflável de cerca de 50 m de altura que envolve totalmente um canteiro de obras de aproximadamente 20 000 m² no projeto de renovação urbana “Honglou 1905”. A estrutura, feita de fluoreto de polivinilideno (PVDF), reduz a dispersão de poeira e o impacto sonoro nas áreas vizinhas e permite a continuação dos trabalhos em diferentes condições climáticas, além de bloquear cerca de 90 % da poeira e reduzir ruído em torno de 80 %.

Esse tipo de solução – ainda raro no mundo – exemplifica como autoridades e empresas chinesas buscam reduzir impactos ambientais e sociais de obras em áreas densamente urbanizadas, integrando equipamentos físicos com sistemas de controle e monitoramento em tempo real.

Em outras cidades, como Shenzhen, a combinação de redes digitais, sensores e dados tem sido aplicada em projetos de gestão urbana e mobilidade. Shenzhen faz parte de um grupo de municípios que usam digitalização para monitorar dispositivos, mobilidade, serviços públicos e consumo de energia, com redes de alta velocidade, plataformas digitais e iniciativas de transporte sustentável, incluindo a adoção generalizada de ônibus elétricos.

O conceito de cidade inteligente, baseado na digitalização de serviços, evoluiu na China para um modelo com características próprias: implantar tecnologias, coletar dados, ajustar sistemas e replicar soluções, baseada em parcerias entre governos municipais e grandes empresas de tecnologia, como Alibaba, Huawei e Tencent, que desenvolvem plataformas que agregam e analisam dados para otimizar serviços urbanos.

Xiong’an New Area: a “cidade do futuro” em construção

A Nova Área de Xiong’an é um dos projetos urbanos mais ambiciosos lançados pela China nos últimos anos. Estabelecida oficialmente em abril de 2017 como área estadual de desenvolvimento, sua criação faz parte de uma estratégia para aliviar a pressão demográfica e institucional sobre Pequim e promover o desenvolvimento coordenado da região econômica de Beijing‑Tianjin‑Hebei.

O plano oficial prevê que a cidade seja construída progressivamente até 2035, com a meta de atingir uma população planejada de cerca de 5 milhões de habitantes até meados do século XXI, um número baseado em projeções oficiais e planos de desenvolvimento.

O projeto foi concebido não apenas como uma expansão urbana, mas como um modelo para o futuro das cidades chinesas: incorpora princípios de sustentabilidade urbana, infraestrutura verde e digitalização, com metas de eficiência energética, mobilidade inteligente e gestão orientada por dados.

Um dos conceitos urbanos adotados é a chamada “vida de quinze minutos”, em que residentes devem ter acesso a serviços essenciais, como comércio, saúde e transporte, a pé em curtas distâncias, reduzindo deslocamentos e melhorando a qualidade de vida.

Ao longo dos últimos anos, Xiong’an passou de um projeto conceitual para uma área em desenvolvimento ativo, com infraestrutura emergente e iniciativas que testam tecnologias urbanas. Relatórios oficiais mostram a presença de sistemas de transporte com veículos autônomos e plataformas urbanas que integram dados de transporte, energia e serviços públicos como exemplos práticos de digitalização e inovação em gestão urbana.