16 de dezembro de 2025
Mais de 80% das montadoras multinacionais com vendas anuais abaixo de 100 mil veículos devem deixar o mercado chinês, segundo relatório do Instituto de Pesquisa China EV100 divulgado em 16 de dezembro, durante uma coletiva de imprensa em Pequim. A estimativa aponta a saída de cinco a seis empresas, em um contexto de rápida perda de participação das marcas estrangeiras frente às montadoras chinesas. O relatório mostra que, nos últimos cinco anos, a diferença de participação de mercado entre marcas nacionais e estrangeiras aumentou de forma contínua. Em 2020, as montadoras chinesas respondiam por 36% do mercado, enquanto as estrangeiras somavam 64%. Entre janeiro e outubro deste ano, esse cenário se inverteu: as marcas nacionais alcançaram 65%, e as estrangeiras recuaram para 35%. Dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros reforçam essa tendência. Em novembro, as marcas alemãs concentraram 14% do mercado varejista, seguidas por japonesas (11,7%), americanas (5,7%) e coreanas (0,9%). Com a mudança na estrutura do mercado automotivo chinês, marcas estrangeiras perderam espaço de forma consistente. Montadoras multinacionais como Suzuki e Mitsubishi já se retiraram do país após queda prolongada nas vendas. Segundo a CarBaihui, o risco de saída das montadoras multinacionais está diretamente ligado ao volume de vendas. Atualmente, existem mais de 45 fabricantes estrangeiros ou em joint ventures, que representam cerca de 40% das empresas de veículos de passageiros na China. Entre as montadoras com vendas anuais entre 100 mil e 300 mil veículos, a probabilidade de saída varia de 50% a 80%, o que pode afetar quatro a cinco empresas. Para aquelas com vendas entre 300 mil e 600 mil veículos, o risco cai para 20% a 50%, com impacto estimado em duas a três empresas. Registros de seguros indicam que joint ventures com vendas anuais abaixo de 100 mil veículos no último ano incluem Dongfeng Peugeot-Citroën Automobile, Chery Jaguar Land Rover, smart, Changan Lincoln, Changan Mazda e Jiangling Ford. Diante desse cenário, as principais montadoras multinacionais aceleram a estratégia “na China, para a China”, com foco no desenvolvimento local. A Volkswagen criou o Centro de P&D Tecnológica na China (VCTC) e desenvolveu a arquitetura elétrica CMP voltada ao mercado chinês. A Toyota instalou um Centro de P&D de Veículos Elétricos Inteligentes no país. A Nissan fundou a Nissan Technology Development (Shanghai), dedicada a direção inteligente, conectividade e veículos de novas energias. Além disso, as equipes chinesas ganharam maior peso nas decisões de produto. A Toyota adotou um modelo liderado por engenheiro-chefe local. A Volkswagen substituiu o sistema de decisões centralizadas na matriz por um modelo de definição e desenvolvimento conjuntos. Na General Motors, equipes locais lideram integralmente a definição de novos modelos voltados ao consumidor chinês. Com a liderança da China em eletrificação e inteligência artificial, algumas montadoras passaram a usar o país como base global de inovação. A BMW desenvolveu um sistema de interação por voz com base em big data da Alibaba e da DeepSeek, aplicado a modelos vendidos mundialmente. A Tesla integrou mais de 60 fornecedores chineses à sua cadeia global. Já a Stellantis firmou uma joint venture com a Leapmotor para ampliar sua oferta de veículos elétricos de menor custo em outros mercados. Fonte: Yicai
19 de janeiro de 2024
O vice-ministro do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, Xin Guobin, afirmou que em 2023 as exportações de veículos inteiros da China alcançaram 4,91 milhões de unidades, um aumento de 57,9% em relação ao ano anterior. Com esse número, há expectativas de que a China possa se tornar o maior exportador de veículos do mundo pela primeira vez. "O setor automotivo apresentou diversos destaques no desenvolvimento no ano passado, entregando um resultado muito positivo", disse Xin Guobin. Em 2023, a produção e venda de veículos automotores na China ultrapassaram 30 milhões de unidades pela primeira vez, mantendo a liderança global na produção por 15 anos consecutivos. Os veículos de nova energia continuam liderando globalmente, com produção de 9,587 milhões e vendas de 9,495 milhões de unidades, representando aumentos de 35,8% e 37,9% em relação ao ano anterior. As vendas de novos veículos de energia nova e verde representaram 31,6% do total de vendas de automóveis . Em 2023, as exportações de veículos inteiros da China totalizaram 4,91 milhões de unidades, das quais 1,203 milhão foram de veículos de nova energia, registrando um aumento de 77,6% em relação ao ano anterior. As exportações de baterias elétricas atingiram um total de 127,4 GWh, um aumento de 87,1% em relação ao ano anterior. "As 'três novidades' adicionaram um brilho ao setor manufatureiro chinês, proporcionando um impulso e uma reputação significativos para nós", acrescentou Xin Guobin. Ao mesmo tempo, a indústria automobilística chinesa enfrenta desafios. Externamente, alguns países e regiões estão adotando medidas protecionistas abusivas de salvaguarda comercial. Internamente, a maioria das empresas de veículos de nova energia, especialmente aquelas focadas no mercado interno, ainda não atingiu a lucratividade. Além disso, existem deficiências nos setores de chips automotivos, e também ocorre a construção excessiva e repetitiva de projetos de veículos de nova energia. Xin Guobin afirmou que, no próximo passo, serão implementadas e detalhadas políticas de desconto de imposto sobre a compra de automóveis; será oferecido suporte para que as empresas realizem inovações conjuntas, fortalecendo a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias-chave, como chips automotivos, baterias de estado sólido e condução autônoma de alto nível; serão organizados testes piloto para a entrada de veículos automotores inteligentes e interligados e a aplicação integrada de "veículo-via de transporte-nuvem"; e será reforçada ainda mais a coordenação e o planejamento do desenvolvimento industrial para prevenir e mitigar riscos de excesso de capacidade de produção. Algumas instituições de pesquisa preveem que, em 2024, a produção e venda de veículos automotores na China podem atingir cerca de 31 milhões de unidades, um aumento ligeiro de cerca de 3% em relação ao ano anterior. A produção e venda de veículos de nova energia podem chegar a cerca de 11,5 milhões de unidades, representando um aumento de aproximadamente 20%. "Acredito que essa previsão seja confiável", concluiu Xin Guobin. Fonte: chinanews.com Imagem principal: Li Ziheng/ Xinhua