13 de julho de 2026
Nos últimos meses, o Brasil deu mais um passo importante na modernização de sua política sanitária para a produção animal. A publicação da Portaria SDA/MAPA nº 1.617/2026 proibiu a fabricação, a importação, a comercialização e a utilização de cinco antimicrobianos como promotores de crescimento na alimentação animal, aproximando a regulamentação brasileira das tendências internacionais voltadas ao combate da resistência antimicrobiana. Os antimicrobianos são substâncias utilizadas para combater ou controlar microrganismos, como bactérias, fungos, vírus e parasitas. Na pecuária , seu uso é amplamente reconhecido como essencial para o tratamento de doenças e para a preservação da saúde e do bem-estar animal quando empregado de forma terapêutica e sob orientação técnica. No entanto, durante décadas, alguns antimicrobianos também foram utilizados em baixas doses como promotores de crescimento, com o objetivo de melhorar a eficiência alimentar e aumentar o ganho de peso dos animais. Esse uso contínuo passou a ser questionado por autoridades sanitárias em diversos países, uma vez que pode favorecer o desenvolvimento da resistência antimicrobiana, fenômeno em que bactérias se tornam menos sensíveis aos medicamentos, reduzindo sua eficácia tanto na medicina veterinária quanto na medicina humana. A medida representa mais do que uma simples alteração regulatória. Ela demonstra que a competitividade da pecuária brasileira está cada vez mais associada à capacidade de atender às exigências sanitárias impostas pelos principais mercados consumidores do mundo. Os princípios ativos proibidos são: Avoparcina; Bacitracina; Bacitracina de Zinco; Bacitracina Metileno Disalicilato; Virginiamicina. A Portaria também determina o cancelamento dos registros desses produtos no Brasil, estabelecendo um período de transição para adaptação da cadeia produtiva. Embora o Ministério da Agricultura justifique a decisão com base na preservação da eficácia dos antimicrobianos utilizados na medicina humana e veterinária, o contexto internacional mostra que a medida acompanha uma tendência regulatória já adotada por diversos parceiros comerciais. Desde 2022, a União Europeia passou a restringir de forma significativa a utilização de antimicrobianos na produção animal, especialmente daqueles considerados críticos para a saúde humana. Além das regras aplicáveis aos produtores europeus, o bloco também passou a exigir padrões semelhantes para produtos importados, transformando os requisitos sanitários em um importante fator de competitividade internacional. Nesse cenário, grandes exportadores brasileiros passaram a acompanhar de perto essa evolução regulatória. Recentemente, o empresário Joesley Batista, controlador da JBS, gigante global de alimentos, e o CEO da companhia, Gilberto Tomazoni, teriam defendido, junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ampliação das restrições ao uso de antimicrobianos na pecuária brasileira. O movimento revela uma mudança importante na estratégia das grandes empresas exportadoras brasileiras. Em vez de reagirem apenas às exigências dos mercados internacionais, parte do setor privado demonstra disposição para antecipar adequações regulatórias capazes de preservar o acesso aos mercados de maior valor agregado. Essa postura faz sentido do ponto de vista econômico. A União Europeia, o Reino Unido, o Japão e diversos outros importadores têm elevado continuamente seus padrões relacionados à segurança dos alimentos, ao bem-estar animal, à rastreabilidade e ao uso racional de antimicrobianos. Empresas que conseguem atender antecipadamente a esses requisitos tendem a reduzir riscos comerciais, fortalecer sua reputação internacional e ampliar sua competitividade. Para investidores chineses , esse movimento merece atenção. Embora a China mantenha sua própria estrutura regulatória para medicamentos veterinários e segurança alimentar, a tendência mundial aponta para critérios sanitários cada vez mais rigorosos. O Brasil, maior exportador mundial de carne bovina e um dos principais fornecedores globais de proteína animal, demonstra estar ajustando gradualmente sua legislação para manter a competitividade, simultaneamente, nos mercados asiáticos e europeus. A nova Portaria do MAPA deve ser interpretada como parte desse processo de evolução institucional. Mais do que restringir determinados princípios ativos, ela sinaliza que a política sanitária brasileira passa a incorporar, de forma crescente, padrões internacionais relacionados à saúde pública, à sustentabilidade e à segurança alimentar, fatores que influenciarão cada vez mais as estratégias de investimento e de comércio internacional da cadeia global de proteínas.
22 de dezembro de 2025
Em 2025, o Brasil alcançou um marco histórico na pecuária mundial. Segundo dados oficiais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país superou os Estados Unidos e tornou-se o maior produtor global de carne bovina, consolidando uma posição que já vinha sendo construída ao longo de décadas por meio de ganhos de escala, produtividade e inserção internacional. Mais do que uma mudança estatística, o novo ranking evidencia diferenças estruturais relevantes entre os dois maiores produtores do mundo — incluindo modelos produtivos, práticas regulatórias e exigências sanitárias, entre elas o uso de hormônios na produção de carne bovina. De acordo com o relatório “Livestock and Poultry: World Markets and Trade”, publicado pelo USDA – Foreign Agricultural Service, a produção brasileira de carne bovina em 2025 foi estimada em aproximadamente 12,35 milhões de toneladas em equivalente carcaça, enquanto a produção norte-americana ficou em torno de 11,81 milhões de toneladas. Essa é a primeira vez na série histórica do USDA que o Brasil ocupa isoladamente a liderança mundial em produção de carne bovina, superando os Estados Unidos segundo a metodologia internacionalmente aceita de equivalente carcaça. O crescimento da produção brasileira não está associado a uma expansão indiscriminada de área ou ao uso intensivo de insumos proibidos, mas sim a fatores estruturais consolidados como avanços genéticos e nutricionais, a melhoria no manejo de pastagens, maior eficiência produtiva por animal, além da profissionalização da cadeia frigorífica e a adequação crescente a protocolos sanitários internacionais. Esses elementos permitiram ao Brasil elevar o volume produzido mantendo competitividade e acesso a mercados altamente regulados. Um dos pontos mais relevantes — e frequentemente mal compreendidos no debate internacional — diz respeito ao uso de hormônios como promotores de crescimento. No Brasil, o uso de hormônios para promoção de crescimento em bovinos destinados à produção de carne é proibido por legislação federal. Essa diretriz é estabelecida e fiscalizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) , por meio de seus sistemas de controle sanitário, registro de produtos veterinários e fiscalização oficial. A carne bovina produzida no Brasil não utiliza hormônios como promotores de crescimento, é submetida a programas oficiais de inspeção, e atende a exigências sanitárias de mercados que proíbem esse tipo de substância, como a União Europeia. É importante destacar que substâncias hormonais podem ser utilizadas em protocolos reprodutivos, como sincronização de cio, o que é tecnicamente distinto do uso de hormônios para engorda ou ganho de peso. Esses procedimentos são regulados, rastreáveis e não têm relação com resíduos hormonais na carne destinada ao consumo. Nos Estados Unidos, o cenário regulatório é diferente. O uso de hormônios como promotores de crescimento em bovinos de corte é legal e amplamente adotado, sob regulamentação da U.S. Food and Drug Administration (FDA). Esses hormônios, naturais ou sintéticos, são utilizados por meio de implantes para acelerar o ganho de peso, melhorar a conversão alimentar, e reduzir custos de produção. As autoridades sanitárias norte-americanas consideram essa prática segura para o consumo humano, e a carne produzida sob esse modelo é amplamente comercializada no mercado interno e em países que aceitam esse tipo de tecnologia. Por outro lado, essa carne não é aceita em mercados que proíbem hormônios, como a União Europeia, o que historicamente gerou disputas comerciais internacionais. Para países importadores, em especial a China, maior compradora mundial de carne bovina, essas diferenças regulatórias são estratégicas. O Brasil reúne hoje três atributos fundamentais como escala produtiva, capacidade de fornecimento contínuo, e produção alinhada a mercados que restringem o uso de hormônios. Esse conjunto fortalece a posição brasileira como fornecedor estratégico de proteína animal, especialmente em um contexto de crescente atenção global à segurança alimentar, rastreabilidade e exigências sanitárias. O próprio USDA projeta que, em 2026, a produção brasileira possa recuar levemente, aproximando-se novamente da produção norte-americana, em função do ciclo pecuário. Ainda assim, o marco de 2025 permanece simbólico e estrutural. O Brasil deixa de ser apenas o maior exportador para se consolidar também como o maior produtor mundial de carne bovina, com um modelo produtivo que combina escala, competitividade e aderência a normas sanitárias restritivas. A liderança brasileira na produção mundial de carne bovina em 2025 reflete mais do que volume. Ela expressa um modelo produtivo distinto, baseado em eficiência, clima favorável, tecnologia tropical e proibição do uso de hormônios como promotores de crescimento, em contraste com o modelo adotado pelos Estados Unidos. Para o mercado global — e particularmente para a China — esse diferencial amplia a relevância estratégica do Brasil como fornecedor confiável de proteína animal em um cenário de transformação da geopolítica dos alimentos.
3 de agosto de 2023
A Exposição Internacional de Produtos Agroquímicos da América Latina iniciou na quarta-feira, 2, com a presença de cerca de 40 empresas de agroquímicos chinesas participando da exposição. O evento foi co-organizado pela Associação da Indústria de Pesticidas da China e pela Associação da Indústria de Fertilizantes Fosfatados Compostos da China e o lado brasileiro. Guo Wei, vice-secretário-geral da Associação da Indústria de Pesticidas da China, e quase uma centena de representantes da indústria de agroquímicos da China e do Brasil, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil, a Associação de Insumos Agrícolas do Brasil, e o Grupo de Ciências da Nutrição da Mérieux, estiveram presentes. Tian Yuzhen, Cônsul-Geral Adjunto da China em São Paulo, disse que a China tem o maior e mais potencial mercado consumidor de produtos agrícolas do mundo, enquanto o Brasil é um dos mais importantes países exportadores de produtos agrícolas do mundo. A cooperação agrícola altamente complementar entre China e Brasil se tornou um importante motor para o rápido crescimento do comércio bilateral. Ele afirmou que espera-se que essa série de eventos ajude a promover uma comunicação profunda entre as empresas chinesas e brasileiras e a expandir continuamente a escala do comércio de produtos agrícolas. O Cônsul-Geral disse que é esperado haja uma expansão da cooperação em áreas como agricultura sustentável de baixo carbono, agricultura digital, tecnologia agrícola, produção de biotecnologia agrícola, a promover a melhoria da qualidade da cooperação agrícola sino-brasileira e beneficiar os povos de ambos os países. De acordo com dados estatísticos do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil , no primeiro semestre de 2023, as exportações agrícolas do Brasil atingiram um novo recorde, totalizando 82,804 bilhões de dólares, dos quais as exportações para a China foram de 30,685 bilhões de dólares. Os convidados brasileiros que participaram da reunião comentaram que a exposição é propícia para promover a entrada de tecnologia de produtos agroquímicos chineses no Brasil e na América Latina, e esperam que os representantes da indústria chinesa e brasileira tenham discussões profundas e atendam às demandas. Fonte: ChinaNews Imagem principal: Drazen Zigic/Freepik