7 de abril de 2026
A China concluiu, em 5 de fevereiro, o primeiro teste de perfuração com água quente em gelo na Antártida e atingiu 3.413 metros de profundidade, segundo anúncio do Ministério de Recursos Naturais em 7 de abril. O resultado supera o recorde internacional anterior de 2.540 metros e marca um avanço na capacidade de exploração científica em regiões polares. A operação ocorreu na área do Lago Subglacial Qilin, na Antártida Oriental, durante a 42ª expedição antártica chinesa. Com o teste, o país demonstra capacidade técnica para realizar perfurações em mais de 90% da camada de gelo da Antártida e em toda a camada de gelo do Ártico. Esse tipo de perfuração permite acessar áreas profundas e isoladas, fundamentais para estudos sobre mudanças ambientais ao longo do tempo, projeções climáticas e limites da vida em ambientes extremos. Além disso, a perfuração com água quente apresenta vantagens em relação aos métodos mecânicos tradicionais. A técnica aumenta a velocidade de penetração, reduz o impacto sobre a estrutura do gelo e facilita operações com maior diâmetro e menor risco de contaminação. Por isso, centros de pesquisa internacionais utilizam esse método para alcançar interfaces críticas, como lagos subglaciais, bases de plataformas de gelo e o leito rochoso sob as calotas polares. O teste teve como objetivo validar o uso de um sistema de perfuração em camadas profundas de gelo. Ao atravessar a cobertura acima do Lago Subglacial Qilin, a equipe abriu uma via sem contaminação, o que permite futuras coletas de água e sedimentos, além de observações diretas do ambiente subglacial. Durante a operação, os pesquisadores integraram equipamentos adaptados às condições extremas e resolveram desafios técnicos específicos. Entre eles, estão o funcionamento em baixas temperaturas, o controle de contaminantes externos e a precisão no manejo de mangueiras e guinchos em grandes profundidades. Com isso, a missão estabeleceu um padrão operacional para perfurações profundas com água quente em regiões polares. Por fim, o experimento amplia a capacidade técnica da China nesse campo e consolida o uso de práticas voltadas à redução de impacto ambiental em operações científicas na Antártida. Fonte: finance.people
13 de maio de 2025
A capital chinesa sediou nesta segunda-feira,12, o seminário “Rumo à COP30: cooperação Brasil-China em restauração da vegetação e sumidouros florestais de carbono”, com foco no fortalecimento da parceria bilateral nas áreas de reflorestamento e restauração florestal. Durante o encontro, a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, enfatizou a importância da cooperação entre países do Sul Global para o avanço do multilateralismo climático. “O Brasil conta com a China para que cheguemos à COP30 com contribuições nacionalmente determinadas (NDCs) e metas de redução ambiciosas, alinhadas com 1,5°C”, destacou. O evento foi coorganizado pela Administração Nacional de Florestas e Pastagens da China e pela Embaixada do Brasil em Pequim, reunindo especialistas, autoridades e representantes dos dois países. A iniciativa integra os preparativos para a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada no Brasil, em novembro. O seminário reforçou a convergência entre Brasil e China na agenda ambiental e ressaltou o papel estratégico dos dois países no enfrentamento da crise climática global , especialmente por meio da restauração de ecossistemas e do fortalecimento dos sumidouros naturais de carbono . Fonte: Diário do Povo
22 de abril de 2024
Cientistas chineses descobriram 46 lagos subglaciais abaixo da camada de gelo no sudeste da Antártida. A pesquisa foi realizada pela equipe de pesquisa sobre a interação multiescalar do gelo polar e as mudanças climáticas do Instituto de Gelo e Neve do Centro de Pesquisa Polar da China, em colaboração com a equipe do Professor Fu Lei da Escola de Geofísica e Informação Espacial da Universidade Geológica da China (Wuhan) e a equipe do Professor Chen Xiaofei do Departamento de Ciências da Terra e Espaciais da Universidade de Tecnologia do Sul. O estudo foi recentemente publicado na revista acadêmica internacional “Cryosphere”. Segundo Tang Xueyuan, líder da equipe de pesquisa sobre a interação multiescalar do gelo polar e as mudanças climáticas do Instituto de Gelo e Neve do Centro de Pesquisa Polar da China, quando fluxos de gelo em estado de fusão passam por depressões na base do gelo da Antártida e se acumulam no menor potencial de água local, lagos subglaciais se formam na base do gelo. Até o momento, os cientistas descobriram um total de 675 lagos subglaciais sob a camada de gelo da Antártida, com amostras coletadas de três desses lagos subglaciais com sucesso. “Lagos subglaciais na Antártida geralmente estão localizados abaixo de camadas de gelo com milhares de metros de espessura, apresentando características de um ambiente extremo, como alta pressão, baixas temperaturas, escuridão e baixa nutrição. Eles possuem ecossistemas extremamente únicos, contendo uma rica história da camada de gelo e informações sobre mudanças climáticas. A água dos lagos que ultrapassa a linha de base e entra nas cavidades sob a plataforma de gelo pode alterar a interação entre a plataforma de gelo e o oceano, levando a variações na circulação oceânica. Portanto, a pesquisa sobre lagos subglaciais na Antártida é de grande importância para a dinâmica da camada de gelo, processos de sedimentação, ambiente geoquímico subglacial e evolução da vida”, disse Tang Xueyuan. A detecção por radar de gelo é um dos principais métodos para procurar lagos subglaciais na Antártida e analisar sua estrutura. Nas imagens de radar de gelo, os lagos subglaciais são geralmente registrados como características de reflexão bidimensional nítidas, brilhantes e planas próximas à interface de gelo e rocha. Descobertas anteriores sobre lagos subglaciais geralmente resultaram da interpretação e análise dessas características visuais especiais nas imagens de radar de gelo. Com o desenvolvimento da tecnologia de detecção por radar de gelo, os métodos de interpretação automáticos ou semiautomáticos baseados em experiência humana foram limitados pela grande quantidade de dados, sendo demorados, complexos e propensos a erros. Após uma pesquisa aprofundada, a equipe de cientistas chineses propôs um novo método de classificação científica dos sinais de reflexão do radar de gelo com base nas características da forma de onda de reflexão do fundo do gelo, utilizando a codificação automática variacional (VAE) . Com esse método, a equipe de pesquisa realizou uma varredura abrangente nas imagens de radar de gelo da região AGAP-S das Montanhas Gamburtsev, no sudeste da Antártida. Os resultados revelaram a existência de 46 lagos subglaciais nessa região, com contornos geométricos mais estreitos que não foram identificados por métodos tradicionais. Os especialistas do setor acreditam que este novo método de VAE de agrupamento para a detecção automática de lagos subglaciais na Antártida não só pode melhorar significativamente a eficiência e precisão na descoberta de lagos subglaciais, mas também tem o potencial de se expandir para detectar e marcar mais tipos de ambientes subglaciais na Antártida, fornecendo suporte técnico para uma pesquisa mais aprofundada da base e estrutura interna da camada de gelo da Antártida. Fonte: news.china.com.cn Imagem principal: Ruzdi/ Adobe Stock
21 de fevereiro de 2024
Amostras de sedimentos submarinos coletadas no Oceano Antártico por pesquisadores chineses estão ajudando a desvendar os segredos geológicos e oceanográficos da região. O depósito no Primeiro Instituto de Oceanografia, sob o Ministério de Recursos Naturais, na província de Shandong, leste da China, abriga uma impressionante coleção de núcleos de sedimentos reunidos da Antártida e de outras regiões marinhas. Os pesquisadores chamam esses cilindros de "rolos secretos sem textos visíveis", aguardando ansiosamente interpretação e decodificação. "Por que é chamado de 'rolo secreto sem textos visíveis'? Porque contém muitas informações que abrangem restos de organismos, vestígios de vida, composição química e propriedades físicas de algumas substâncias. As informações provavelmente registram a evolução da vida e mudanças ambientais na Antártida em um momento específico", disse Xiong Zhifang, pesquisador do instituto. Esses núcleos de sedimentos, variando em comprimento e espessura, foram reunidos do leito marinho no Oceano Antártico em profundidades de até 4.000 metros. Os pesquisadores podem identificar quando e como os sedimentos foram formados com base em sua cor e estrutura e por meio de uma variedade de análises e testes. Para avançar em sua pesquisa, os cientistas precisam realizar uma série de procedimentos nos núcleos de sedimentos, incluindo lavagem, secagem e outros passos necessários. O último passo é o exame microscópico de cada componente individual. "Nós o chamamos de detritos transportados pelo gelo. Podemos medir seu conteúdo e formas. Essas características podem refletir se a calota de gelo estava se expandindo ou se contraindo", disse Xiong. O trabalho desses pesquisadores está lançando luz sobre a história geológica e as mudanças climáticas na região da Antártida, contribuindo para um melhor entendimento dos processos que moldam nosso planeta. Tradução: Mei Zhen Li Fonte: Hqtime Imagem principal: Zhu difeng/ Adobe Stock