12 de março de 2026
Marcas chinesas ampliam a presença e a competição no mercado de consumo da América Latina. Empresas como Mixue, Pop Mart, Miniso e SHEIN abriram lojas, firmaram parcerias industriais e ampliam produção local em países como México, Brasil e Costa Rica. Um exemplo recente ocorreu em fevereiro de 2026, quando a Mixue inaugurou sua primeira unidade mexicana na Praça da Constituição (Zócalo), no centro da Cidade do México. A abertura atraiu grande público. Consumidores formaram filas para comprar sorvetes e bebidas da rede, que adota preços baixos como estratégia de entrada no mercado. Um sorvete custa cerca de 8 pesos mexicanos, enquanto bebidas como chá com leite ficam em torno de 30 pesos, valores que correspondem a cerca de um quarto do preço cobrado por redes semelhantes. A expansão de marcas chinesas ocorre em vários segmentos. A fabricante de brinquedos colecionáveis Pop Mart registra forte demanda no México com a série Labubu. Já a varejista Miniso abriu uma megaloja de 1.200 metros quadrados na Costa Rica. No comércio eletrônico, a plataforma de moda SHEIN ampliou a produção no Brasil, onde cerca de 25% do catálogo já vem de fabricantes locais. Além de abrir lojas, as empresas investem em cadeias de suprimentos na região. Em 2025, o grupo M ixue assinou um memorando de entendimento com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos para ampliar a compra de produtos agrícolas brasileiros, como café verde e frutas. A América Latina reúne condições que atraem essas empresas. Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas, a região possui mais de 670 milhões de habitantes e população jovem, com idade média de cerca de 31 anos. Além disso, cerca de 65% dos moradores utilizam internet móvel. A estratégia indica uma mudança no posicionamento dessas companhias. Em vez de ações isoladas, as marcas ampliam investimentos e buscam consolidar presença de longo prazo no mercado latino-americano. Fonte: tmtpost.com
19 de novembro de 2025
A Geely retomou suas operações no Brasil nesta terça-feira (18) ao firmar uma cooperação com a subsidiária local da Renault para produzir quatro novos modelos até 2027 na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná. As empresas anunciaram a criação da “Renault Geely do Brasil” durante evento no Complexo Ayrton Senna. A Geely informou que adquiriu 26,4% do capital da Renault no país, movimento que inaugura uma aliança industrial e tecnológica no mercado brasileiro. O plano prevê investimentos de R$3,8 bilhões (cerca de US$714 milhões) no desenvolvimento de plataformas eletrificadas e de novos modelos híbridos e elétricos no Paraná. O pacote direciona recursos para modernizar o complexo industrial e adaptá-lo à produção de veículos de baixa e zero emissão. Segundo as duas empresas, o objetivo é ampliar a atuação no mercado nacional e acelerar a mobilidade elétrica no país . A partir de 2026, a Geely iniciará a produção local com a plataforma mecânica GEA, desenvolvida para veículos híbridos e elétricos. A base sustentará dois novos modelos da marca chinesa, previstos para chegar à linha de montagem no segundo semestre do próximo ano. Paralelamente, a Renault atualizará um modelo já em linha, possivelmente o Duster ou o Kwid, com lançamento também no segundo semestre de 2026. Em 2027, a fábrica passará a produzir uma nova plataforma eletrificada da Renault, destinada a modelos híbridos e elétricos. A cooperação expande a atuação conjunta das duas empresas, que já mantêm parceria na Coreia do Sul e compartilham a Horsepowertrain, dedicada a motores híbridos e de combustão interna. Durante a cerimônia, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o acordo reforça o ambiente para investimentos industriais associados ao programa Mover, criado em 2023 para incentivar a descarbonização da frota. O programa concede créditos fiscais para empresas que investem em pesquisa, desenvolvimento e eficiência tecnológica, desde que produzam no Brasil. Alckmin disse que a Renault Geely do Brasil contribui para aumentar a competitividade do setor automotivo e apoiar a inovação industrial. Victor Yang, vice-presidente sênior da Geely Holding Group, destacou que a chegada da plataforma GEA ao país consolida a formação de um ecossistema voltado a tecnologias limpas. “Acreditamos que esta aliança apoiará a transição do Brasil para a mobilidade elétrica de baixa emissão, impulsionará a indústria automotiva local e criará valor social e econômico de longo prazo para a região”, afirmou. O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, disse que o investimento reforça a posição do polo automotivo de Curitiba, que emprega cerca de 5 mil trabalhadores em duas fábricas de veículos de passageiros e comerciais. Ao apresentar a nova fase da operação, Fabrice Cambolive, diretor executivo global da Renault, afirmou que o projeto vai além de uma parceria convencional e busca acelerar a eletrificação em um mercado com potencial de crescimento. Ariel Montenegro, presidente da Renault Geely do Brasil, afirmou que a empresa assume um compromisso de longo prazo com o país. Fonte: Xinhua
22 de outubro de 2025
No dia 20 de outubro, o presidente do Brasil , Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu no Palácio do Planalto Yang Dongsheng, presidente do Grupo XCMG, e sua comitiva. O encontro abordou a participação das empresas chinesas no desenvolvimento da infraestrutura, da economia digital e da transição verde no país. Lula afirmou que o governo brasileiro pretende cooperar com empresas chinesas para promover o desenvolvimento sustentável e gerar benefícios mútuos. O presidente destacou os mais de dez anos de atuação da XCMG no Brasil e os resultados obtidos, incluindo modernização industrial, redução de emissões e avanço da transformação digital. Lula citou a gestão do Banco XCMG Brasil e manifestou interesse na criação de um instituto de pesquisa da empresa no país, na ampliação de investimentos e no fortalecimento das relações econômicas e culturais entre Brasil e China. Yang Dongsheng apresentou a trajetória da XCMG no Brasil, desde exportações e construção de fábricas locais até a fase atual de “transformação inteligente, digital e conectada”. Ele afirmou que a empresa seguirá uma estratégia baseada em tecnologia, sustentabilidade, globalização e excelência em serviços, promovendo digitalização industrial, produção verde e responsabilidade social. O executivo ressaltou o compromisso da XCMG com a formação de jovens talentos locais e com o fortalecimento da operação regional, consolidando o Brasil como centro estratégico para atender aos principais países da América do Sul e construir um modelo de desenvolvimento sustentável de longo prazo. O encontro contou com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e do chefe da Casa Civil, Rui Costa. Fonte: news.qq.com
3 de setembro de 2024
Novos dados divulgados nesta terça-feira, 3, pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) , mostram que os investimentos chineses no Brasil em 2023 tiveram um aumento de 33% em relação ao ano anterior, somando US$ 1,73 bilhão. O investimento retoma o crescimento do valor dos aportes após queda de 78% entre 2021 e 2022, porém, é o segundo menor desde 2009. O relatório “Investimentos Chineses no Brasil 2023” mostra que os setores de eletricidade e veículos automotores permaneceram como os principais focos dos chineses no país. Eletricidade liderou a atração de investimentos chineses em 2023, com participação de 39% em termos de valor e de 66% pelo critério de número de projetos. “Os maiores valores aportados na área foram registrados entre 2015 e 2017, fase em que houve grandes investimentos de gigantes como State Grid , que atuou na construção do linhão de transmissão da usina de Belo Monte, e da China Three Gorges, que adquiriu uma série de hidrelétricas nesse período”, diz o relatório. [caption id="attachment_21541" align="alignnone" width="716"] Fonte: CEBC[/caption] O segmento automotivo ficou em segundo lugar pelo segundo ano consecutivo. “A natureza dos projetos também mudou em anos recentes, passando a priorizar a fabricação de veículos eletrificados. O setor automotivo respondeu por 33% do valor aportado – um ganho de participação de 5 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Desde 2021, todos os projetos chineses no setor automotivo no Brasil foram direcionados a veículos 100% elétricos ou híbridos,” aponta o relatório. O Brasil permanece como o principal destino dos investimentos chineses na América Latina e está entre as 10 economias que mais receberam investimentos chineses em 2023. No mundo, o país ficou 4º lugar entre os que mais recebem investimentos entre 2017 e 2023, atrás apenas de EUA, Austrália e Reino Unido. No entanto, entre 2022 e 2023, os investimentos chineses caíram 36% nos Estados Unidos, 57% na Austrália e 4,2% na União Europeia e Reino Unido, mas aumentaram 37% nos países da Iniciativa Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative). [caption id="attachment_21542" align="alignnone" width="720"] Fonte: CEBC[/caption] Segundo Túlio Cariello, Diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC e responsável pelo relatório, as tensões entre China e os países que ocupam as primeiras posições no destino dos investimentos, poderiam beneficiar o Brasil. "A China quer continuar o investimento nos EUA e Europa, mas o que trava o sucesso desses investimentos é a relação conflituosa que estamos vendo. Por conta desse cenário, o Brasil poderia atrair investimentos", diz. Além disso, o Brasil tem projetos ligados à sustentabilidade, que são de interesse chinês. Confira os principais dados compilados pela pesquisa do CEBC sobre os investimentos chineses no Brasil em 2023: • Em 2023, o número de projetos chineses confirmados no país chegou a 29 – soma 9% inferior ao total de 2022. Apesar da queda, esse é o terceiro maior número registrado na série histórica iniciada em 2007. • A efetivação do valor dos investimentos chineses no Brasil – ou seja, o percentual de projetos anunciados que de fato foram colocados em prática – subiu de 27% para 88% entre 2022 e 2023. • Desde 2017, o número de projetos de investimentos chineses no Brasil tem mantido níveis relativamente altos, variando entre 24 e 32 por ano – exceto em 2020, quando foram registrados apenas 8 empreendimentos por conta do ápice da pandemia de Covid-19. Por outro lado, o valor investido anualmente tem sido menor, com média de US$ 2,71 bilhões entre 2020 e 2023 – cifra 2,4 vezes inferior à média anual de US$ 6,53 bilhões verificada entre 2016 e 2019. • O fator cambial também levou à queda recente dos valores financeiros dos investimentos chineses no Brasil. Em 2010, quando os aportes chegaram ao recorde de US$ 13 bilhões, o dólar fechou o ano com média de R$ 1,76. Entre 2020 e 2023, a moeda brasileira teve considerável depreciação, com o valor médio do dólar atingindo R$ 5,18. • O aumento dos investimentos chineses no Brasil em 2023 ocorreu apesar da queda de 17% nos investimentos estrangeiros de forma geral no país. • Em 2023, de todos os projetos chineses no Brasil, 72% foram direcionados a energias verdes e setores relacionados – 16 pontos percentuais a mais do que em 2022 e a maior participação registrada desde o início da série histórica em 2007. • Os projetos chineses no Brasil em 2023 foram direcionados sobretudo à região Sudeste, que absorveu 68% dos empreendimentos, seguida pelo Nordeste (16%), pelo Centro- -Oeste (13%) e pelo Sul (3%). • São Paulo atraiu 39% dos projetos chineses em 2023, seguido por Minas Gerais, com 29%, e por Goiás, com 10%. Bahia e Ceará absorveram 6% dos empreendimentos individualmente, enquanto Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Paraíba tiveram, cada um, fatia de 3%. • A maior parte dos investimentos chineses ingressou no Brasil em 2023 por meio de iniciativas greenfield, com o estabelecimento de novos negócios ou novas rodadas de investimentos em projetos iniciados anteriormente. Essa modalidade representou 83% do número de empreendimentos e 90% do valor aportado. • O Brasil foi o nono país que mais recebeu capital produtivo chinês em 2023, mantendo a mesma posição do ano anterior. Em anos recentes, países em desenvolvimento têm atraído a maior parte do valor investido pela China no mundo, chegando a representar 9 dos 10 principais destinos dos aportes do país asiático em 2023. • Na América Latina e no Brasil, os investimentos chineses têm sido menos volumosos nos últimos anos, mas vêm avançando nas chamadas “novas infraestruturas”, que incluem iniciativas em áreas que estão no centro dos planos de desenvolvimento de Pequim, como energias renováveis, mobilidade elétrica, Tecnologia da Informação, infraestrutura urbana e manufaturas de alto padrão. • A agenda do powershoring, estratégia corporativa voltada à descarbonização para a produção de bens intensivos em energia para exportação, apresenta uma janela de oportunidade para a atração de novos investimentos chineses no Brasil na indústria e em áreas ligadas ao processo de transição energética , considerando as diversas vantagens comparativas do país, como sua matriz energética limpa, a vasta disponibilidade de água doce, suas reservas de minerais críticos e a distância dos grandes temas geopolíticos contemporâneos. • Em linha com o aumento dos investimentos chineses no Brasil, números oficiais da China mostram que os aportes não-financeiros do país asiático no mundo aumentaram 11,4% em 2023. Alternativamente, UNCTAD e OCDE apontam quedas de, respectivamente, 9,4% e 12% nos investimentos chineses no exterior. • Em termos de estoque, os investimentos chineses no Brasil entre 2007 e 2023 somaram US$ 73,3 bilhões, resultado de 264 projetos confirmados. O segmento de eletricidade absorveu 45% do valor total, seguido pela área de extração de petróleo, com 30%. Se considerado o número de projetos – e não seu valor financeiro –, o segmento de eletricidade também lidera, com 39% dos empreendimentos, mas a indústria manufatureira vem logo na sequência, com participação de 23%. • O Sudeste atraiu 54% do número de projetos chineses no Brasil entre 2007 e 2023, seguido pelas regiões Nordeste (16%), Centro-Oeste (13%), Sul (9%) e Norte (7%). Na análise por unidade federativa, São Paulo segue na liderança, com participação de 36,2%.