Empresas chinesas fecharam 81 operações internacionais de licenciamento de medicamentos inovadores no primeiro semestre de 2026, com valor total de aproximadamente US$ 110 bilhões. O montante já representa mais de 80% do registrado durante todo o ano de 2025 e supera em mais de duas vezes o resultado de 2024, segundo dados da Administração Nacional de Produtos Médicos da China.
Os acordos abrangem dez áreas terapêuticas, entre elas oncologia, metabolismo, imunologia e neurologia. Os compradores estão distribuídos por cerca de 20 países e regiões, incluindo Estados Unidos, França, Reino Unido e Itália.
Um dos negócios ocorreu em julho, quando uma farmacêutica chinesa licenciou para uma multinacional os direitos internacionais de um medicamento para doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). A operação pode chegar a US$ 1,9 bilhão e foi a maior envolvendo um único produto chinês da área respiratória nos últimos três anos.
Os acordos também começam a envolver parcerias mais amplas de pesquisa e desenvolvimento. Em janeiro, o Grupo CSPC e a AstraZeneca fecharam uma colaboração envolvendo medicamentos peptídicos de ação prolongada e plataformas tecnológicas, com valor potencial de US$ 18,5 bilhões.
Em maio, a Innovent Biologics e a Pfizer anunciaram uma parceria que pode alcançar US$ 10,5 bilhões e inclui 12 projetos de oncologia em estágio inicial. Pelo acordo, a empresa chinesa participa de etapas como pesquisa, desenho de estudos clínicos e comercialização.
O movimento indica uma mudança na forma como as farmacêuticas chinesas chegam ao mercado internacional. Além de licenciar produtos, algumas empresas passaram a desenvolver medicamentos em conjunto com grupos estrangeiros e a participar de diferentes etapas de pesquisa e comercialização.
Entre os fatores apontados para essa expansão estão o aumento da capacidade de pesquisa e desenvolvimento, a estrutura da cadeia biofarmacêutica chinesa e custos menores de produção. A Reuters também apontou que, para farmacêuticas estrangeiras, licenciar tecnologias chinesas pode custar menos do que desenvolver soluções semelhantes internamente.
Fonte: news.cn

