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Cientistas chineses criam modelo de embrião humano em laboratório

Embrião humano em laboratório

Pesquisadores chineses desenvolveram um modelo de disco embrionário humano capaz de reproduzir etapas iniciais do desenvolvimento celular e gerar estruturas associadas à formação de órgãos em laboratório. O estudo foi publicado na revista Cell.

A pesquisa avança sobre uma fase considerada crítica do desenvolvimento humano, a gastrulação, etapa que marca a formação inicial dos órgãos. Diretrizes internacionais limitam o cultivo de embriões humanos a 14 dias após a fertilização, o que torna os modelos laboratoriais a principal ferramenta para estudar esse período.

Segundo os autores, modelos anteriores não conseguiam formar a chamada linha primitiva, estrutura essencial para a organização celular. Isso dificultava a reprodução do processo natural de desenvolvimento.

Para superar essa limitação, a equipe utilizou uma abordagem de bioengenharia com um dispositivo de cultura microfabricado, capaz de posicionar diferentes tipos de células em locais específicos e reproduzir a arquitetura inicial do embrião.

O resultado foram os chamados “gastruloides de disco”, que apresentaram sinais de gastrulação e formação de estruturas iniciais como tubo neural e tecidos com precursores de órgãos como pulmão, fígado e pâncreas. Em alguns casos, também foram observadas contrações em estruturas semelhantes a uma câmara cardíaca primitiva.

De acordo com os pesquisadores, mais de 80% dos modelos replicaram processos-chave do desenvolvimento embrionário e se aproximaram da composição celular de embriões humanos naturais com cerca de 21 dias.

O estudo também aponta potencial para aplicações em medicina regenerativa, com a possibilidade de gerar células capazes de formar órgãos em laboratório, o que poderia contribuir para pesquisas de reparo de tecidos e transplantes.

Dados citados no estudo indicam que cerca de 300 mil pessoas na China precisam de transplantes de órgãos todos os anos, enquanto menos de 20 mil procedimentos são realizados, cenário que se repete globalmente com forte demanda e baixa oferta de órgãos disponíveis.

Fonte: stdaily