A 8ª Feira de Recrutamento de Empresas Chinesas no Brasil confirmou o fortalecimento da presença das empresas chinesas no mercado brasileiro e sua crescente demanda por profissionais qualificados. Realizada na Faculdade ESEG, do Grupo Etapa, em São Paulo, a edição de 2026 reuniu 30 empresas, ofereceu 503 vagas de emprego e registrou mais de 3 mil candidatos, o maior número da história do evento.
Criada em 2016 pela Associação Brasileira de Empresas Chinesas (ABEC), pelo Instituto Confúcio na Unesp e pelo IEST Group, a Feira nasceu com nove empresas participantes e 100 vagas abertas. Oito edições depois, o evento contabiliza um crescimento de 230% no número de empresas e mais de 400% na oferta de vagas, acompanhando a expansão das operações chinesas no Brasil e consolidando-se como a principal plataforma de recrutamento voltada às empresas chinesas no país.
“Os resultados desta edição mostram uma mudança importante: mesmo com um número semelhante de empresas participantes em relação a 2025, a oferta de vagas ultrapassou pela primeira vez a marca de 500 oportunidades. Isso demonstra que as empresas chinesas instaladas no Brasil estão expandindo suas operações, ampliando suas equipes e investindo cada vez mais no mercado brasileiro”, afirma Tian Bin, CEO do IEST Group.
O interesse dos profissionais também segue em alta. Em relação à edição de 2025, o número de inscritos aumentou 30,8%, passando de 2.382 para 3.116 candidatos. Ao longo do dia, mais de 1.500 pessoas passaram pelo evento, participando de palestras, entrevistas com recrutadores, conversando diretamente com executivos de recursos humanos e ampliando sua rede de contatos.
Empresas contratam para áreas estratégicas
Mais do que um crescimento em quantidade, a edição de 2026 evidenciou uma mudança importante no perfil das vagas. Enquanto as primeiras edições eram marcadas principalmente pela busca por tradutores e profissionais de apoio administrativo, a Feira passou a reunir oportunidades para cargos estratégicos, de liderança e alta especialização técnica.
As empresas participantes abriram posições para diretores, gerentes, heads, coordenadores, supervisores, especialistas, engenheiros, HRBPs, controllers, traders, business development managers, geólogos, profissionais de inteligência artificial, especialistas em transição energética, sustentabilidade, e-commerce, segurança corporativa, logística internacional, mineração, telecomunicações, tecnologia da informação, marketing, marketing digital e finanças.
Companhias como Anjun Express, por exemplo, anunciaram vagas desde assistentes até diretores nas áreas administrativa, financeira, jurídica, comercial, logística e supply chain, demonstrando a estrutura robusta das operações da empresa no Brasil.
A CGN Brasil Energia e a CEEC concentraram oportunidades voltadas ao setor energético, incluindo engenheiros e especialistas em transição energética e desenvolvimento de projetos.
Na mineração, a CMOC Brasil abriu vagas para geólogos, engenheiros de planejamento de mina, analistas financeiros e tradutores, enquanto a COFCO buscou profissionais de inteligência artificial, sustentabilidade, controladoria, recursos humanos e originação de grãos.
Já empresas de tecnologia e telecomunicações, como China Mobile, Dahua, FiberHome, TP-Link, OPPO e Kwai, concentraram oportunidades em desenvolvimento de negócios, engenharia, vendas, produtos, marketing, infraestrutura digital e soluções corporativas.
No comércio eletrônico e na logística, empresas como SHEIN, Keeta, iMile, J&T Express, J&T Cargo, 99 e ITEC ofertaram vagas ligadas a operações, supply chain, customer service, e-commerce, marketplace, atendimento, logística internacional e expansão de negócios.
Mandarim continua sendo diferencial, mas não regra
Outro aspecto observado nesta edição é que, embora o domínio do mandarim continue sendo um diferencial competitivo, ele deixou de ser um requisito para a maior parte das oportunidades.
Grande parte das vagas exige formação técnica ou superior, experiência profissional e domínio de competências específicas da área de atuação. Em alguns casos, principalmente em posições que envolvem interação direta com equipes na China, o inglês e o mandarim aparecem como requisitos ou diferenciais, mas predominam oportunidades acessíveis a profissionais brasileiros sem conhecimento do idioma chinês.
O perfil das vagas também demonstra uma expansão das empresas chinesas para áreas cada vez mais diversificadas da economia brasileira, com demanda crescente por profissionais de engenharia, tecnologia, comércio exterior, logística, energia, agronegócio, marketing, finanças, recursos humanos, jurídico e desenvolvimento de negócios.
Sobre a Feira
A 8ª Feira de Recrutamento de Empresas Chinesas no Brasil foi organizada pela Associação Brasileira de Empresas Chinesas (ABEC), pelo Instituto Confúcio na Unesp e pelo IEST Group, com apoio do Consulado Geral da República Popular da China em São Paulo.
Nesta edição, o evento contou com o patrocínio da SHEIN, da CMOC Brasil, da TP-Link e do Centro de Serviços Econômicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola (CECPS).
A cerimônia de abertura teve a presença de Chunhui Bai, Conselheiro do Consulado da China em São Paulo; JinSong Chen, presidente da Associação Brasileira de Empresas Chinesas (ABEC) e do Banco da China; Li Dongcheng, Secretário-Geral da ABEC e representante-chefe do Escritório de Representação do Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT) no Brasil; Luiz Fernando Rolim, representante da Unesp e do Instituto Confúcio; Marcelo de Freitas Souza, representante da São Paulo Negócios, Vitor Passoni, vice-presidente da Faculdade ESEG.

