Empreendedorismo

China define metas para padronizar economia de baixa altitude até 2030

Economia de baixa altitude
Imagem: Mao Siqian/ Xinhua

Em 2 de fevereiro de 2025, a Administração Estatal de Regulação de Mercado da China informou que publicou, em conjunto com outros dez órgãos, entre eles o Escritório Central de Gerenciamento de Tráfego Aéreo e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, as “Diretrizes para a Construção de um Sistema de Normas Econômicas para Baixas Altitudes (Edição de 2025)”. O documento define metas para estruturar padrões técnicos e regulatórios da economia de baixa altitude, com foco em segurança, organização do setor e expansão ordenada das atividades no país.

De acordo com as Diretrizes, até 2027 a China pretende estabelecer um sistema básico de normas para atender às necessidades do desenvolvimento seguro da economia de baixa altitude. Até 2030, o governo prevê a criação de mais de 300 normas, com estrutura consolidada e compatível com padrões internacionais, para dar suporte regulatório ao setor.

O sistema de normas abrange toda a cadeia da economia de baixa altitude, incluindo aeronaves de baixa altitude, infraestrutura, gestão do tráfego aéreo em baixa altitude, supervisão de segurança e cenários de aplicação. Segundo dados oficiais, o setor entrou em uma fase de expansão industrial, com integração entre pesquisa e desenvolvimento, fabricação de equipamentos, serviços operacionais e infraestrutura.

Zhu Keli, presidente do Instituto Nacional de Pesquisa da Nova Economia e do Instituto de Pesquisa da Economia de Baixa Altitude da Grande Área da Baía, afirmou que o setor passa por uma transição da fase piloto para a expansão em escala. Segundo ele, as Diretrizes criam um marco regulatório para orientar esse processo.

Dados da plataforma Tianyancha indicam que, entre 2016 e 2022, o número anual de empresas registradas na economia de baixa altitude variou entre 7 mil e 13 mil. A partir de 2023, os registros cresceram de forma contínua. Em 2025, o número de empresas chegou a 29 mil, alta de 135,6% em relação ao ano anterior.

Em termos de mercado, a CCID Consulting aponta que o valor da economia de baixa altitude na China atingiu 505,95 bilhões de yuans em 2023. Em 2024, o volume subiu 32,5%, para 670,25 bilhões de yuans. Já a Administração de Aviação Civil da China projeta que o mercado alcance 1,5 trilhão de yuans em 2025 e ultrapasse 3,5 trilhões de yuans até 2035.

Segundo Zhu Keli, a publicação conjunta das Diretrizes pelos dez departamentos estabelece regras para o setor e cria um referencial técnico e regulatório. Para ele, o documento marca uma nova fase de padronização da economia de baixa altitude, com foco simultâneo em segurança e expansão das atividades.

As Diretrizes definem princípios como segurança como base, inovação como vetor de desenvolvimento, cooperação industrial e alinhamento internacional. O plano se organiza em cinco frentes: aeronaves de baixa altitude, infraestrutura, gestão do tráfego aéreo de baixa altitude, supervisão de segurança e cenários de aplicação. O modelo integra normas técnicas e regulamentos de gestão, padrões nacionais e regras internacionais, normas obrigatórias e recomendadas, além de padrões básicos e de aplicação.

De acordo com Zhu Keli, esse arranjo busca enfrentar problemas do setor, como fragmentação regulatória, baixa coordenação entre órgãos e conflitos entre exigências de segurança e uso comercial. O modelo propõe a integração entre requisitos técnicos e gestão operacional, a aproximação com padrões internacionais, a diferenciação entre normas obrigatórias e orientações técnicas e a adaptação dos padrões a diferentes cenários, como logística, turismo e resposta a emergências.

As Diretrizes também estabelecem um cronograma para a estruturação do setor. Até 2027, o governo pretende formar a base do sistema de normas. Até 2030, a meta é consolidar mais de 300 normas, com estrutura unificada e alinhamento internacional.

Para as empresas, Zhu Keli avalia que o cumprimento das normas se tornará um requisito central, o que tende a ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento e elevar padrões de qualidade de produtos e serviços. Segundo ele, companhias que participarem da definição de normas tendem a ganhar posição estratégica na cadeia produtiva.

No plano regional, a padronização deve facilitar a formação de polos industriais ligados à economia de baixa altitude, ao integrar empresas de diferentes elos da cadeia produtiva. No mercado consumidor, a aplicação de normas tende a elevar o nível de segurança e previsibilidade em serviços como logística com drones e transporte aéreo em baixa altitude, além de ampliar a presença dessas atividades no cotidiano.

Zhu Keli afirmou que, com a consolidação do sistema de normas, a economia de baixa altitude deve avançar para uma fase de expansão em maior escala, com impacto direto sobre o crescimento econômico e a organização do setor produtivo.

Fonte: gmw