Os três primeiros pacientes que receberam implantes da interface cérebro-máquina conseguiram decodificar movimentos e interpretar cerca de 100 palavras comuns do mandarim. Com o chip cerebral “Beinao-1”, pacientes paraplégicos controlam um braço robótico para encher um copo d’água e transmitem pensamentos para uma tela de computador.
O professor Luo Minmin, co-diretor do Instituto de Ciências Cerebrais e Pesquisa de Cérebro Artificial de Pequim, afirmou que os três pacientes fazem parte de um ensaio clínico conduzido pelo Instituto de Tecnologia da Informação (IIT). Outros 10 pacientes aguardam implantes ainda este ano. Em 2025, após a aprovação dos órgãos regulatórios, o ensaio clínico será ampliado para 50 participantes.
Segundo Luo Minmin, o “Beinao-1” é o primeiro chip totalmente implantável e sem fio de alta taxa de fluxo. Ele opera como um sistema de interface cérebro-máquina baseado em eletroencefalograma. O “Beinao-2”, versão sem fio em desenvolvimento, adota uma abordagem diferente, utilizando um eletrodo microfilamento flexível para registrar células individuais e melhorar a qualidade do sinal. Testes em macacos indicam que o “Beinao-2” permite controlar um braço robótico. O primeiro paciente pode receber o implante clínico em 2025.
O avanço da interface cérebro-máquina na China se acelerou no último ano. Estudos clínicos estão em fase de aprovação. Em uma conferência realizada em Xangai no final de 2024, a Boruikang Technology e a equipe do professor Hong Bo, do Instituto de Engenharia Biomédica da Universidade Tsinghua, anunciaram que o dispositivo minimamente invasivo e sem fio NEO foi implantado em três pacientes. Eles já conseguem controlar um braço robótico para pegar um copo e beber água apenas com a intenção mental.
O professor Hong Bo afirmou que, em 2025, o equipamento NEO passará por estudos clínicos em 10 centros na China, com previsão de incluir entre 30 e 50 pacientes com lesão medular. Após os testes, os dados serão enviados às autoridades regulatórias para solicitação de comercialização do produto.
A NeuroXess, empresa chinesa de interface cérebro-máquina invasiva, anunciou uma parceria com o Departamento de Neurocirurgia do Hospital Afiliado Huashan da Universidade de Fudan, apoiada pelo Tianqiao and Chrissy Chen Institute. O projeto desenvolveu uma interface cérebro-máquina flexível implantável com 256 canais. Pacientes conseguiram controlar dispositivos inteligentes e se comunicar por meio da intenção mental.
O fundador da NeuroXess, Tao Hu, declarou que a empresa avançará nos estudos clínicos em 2025 e pretende concluir o registro clínico do aparelho médico de classe III em três anos.
Luo Minmin ressaltou que a velocidade no desenvolvimento da interface cérebro-máquina é menos importante do que seu impacto positivo nos pacientes. Ele também afirmou que, no curto prazo, o lucro da comercialização será limitado, e as empresas devem focar no desenvolvimento de longo prazo, em vez de buscar retorno financeiro rápido.
Fonte: yicai.com