
21 de outubro de 2026
Daiane Mendes
A Crocs inaugurou na China sua primeira loja do mundo dedicada à experiência de personalização dos calçados . Localizado no shopping Wushang Dream Plaza, na cidade de Wuhan, o espaço foi aberto em 23 de setembro e oferece aos consumidores a possibilidade de escolher cores, combinar acessórios e criar modelos personalizados. Batizada de Crocs by You, a unidade reúne áreas de exposição, venda de produtos e criação de combinações. Entre as novidades estão acessórios exclusivos banhados a ouro 18 quilates, desenvolvidos para decorar os calçados da marca. De acordo com o Dao Insights, os visitantes podem escolher entre diferentes cores, incluindo a tonalidade Banana Ice, disponível exclusivamente na unidade. A loja também oferece oito categorias de Jibbitz, nome dado aos pequenos acessórios utilizados para personalizar os Crocs. Os clientes também podem exibir suas criações em uma área chamada Hall of Fame, dedicada a modelos personalizados por embaixadores da Crocs, personalidades da moda e consumidores. Para participar, os visitantes podem enviar imagens de suas combinações por meio de um miniprograma digital da marca. Os trabalhos selecionados têm a oportunidade de integrar a exposição. Segundo informações divulgadas pela Crocs na China, a empresa também pretende promover atividades em parceria com artistas emergentes e comunidades culturais locais. Durante a inauguração, Varun Sehgal, vice-presidente sênior e gerente-geral da Crocs na Ásia, afirmou que o novo formato busca aproximar os consumidores da marca, oferecendo um espaço para compartilhar ideias e desenvolver criações próprias. China é o segundo maior mercado da Crocs A escolha da China para a estreia do novo formato acompanha o crescimento da marca no país. Segundo dados apresentados pela Crocs, as operações chinesas registraram expansão de 64% em 2024, consolidando a China como o segundo maior mercado da empresa, atrás apenas dos Estados Unidos. Os acessórios também representam uma parcela importante das vendas. Em 2024, os Jibbitz responderam por 8% da receita global da marca Crocs e registraram crescimento anual de 6%.Diferentemente de uma loja convencional, o novo espaço coloca a criatividade dos clientes no centro da experiência de compra que vão além da escolha de um produto pronto, com atividades que incentivam a participação e a interação com outros consumidores.

7 de outubro de 2026
Daiane Mendes
O feng shui ficou conhecido principalmente pelas recomendações para organizar a casa, onde posicionar a cama, quais cores usar ou como distribuir objetos para favorecer a circulação de energia. Na China, porém, sua história começa muito antes da decoração de interiores. Durante séculos, práticas associadas ao feng shui foram usadas na escolha de locais para casas, aldeias, palácios e túmulos. Montanhas, rios, ventos, orientação solar e características do terreno entravam nessa avaliação, que buscava uma relação considerada favorável entre as pessoas e o espaço ao redor. Feng significa “vento” e shui, “água”. Práticas que mais tarde seriam associadas ao feng shui aparecem há mais de dois mil anos na China sob diferentes nomes, entre eles kanyu. A expressão “feng shui”, porém, só se tornou comum durante a dinastia Song, entre 960 e 1279. Antes da casa, vinha o terreno Um dos conceitos centrais do feng shui é o qi (气), entendido na cosmologia chinesa como uma força ou sopro vital presente no mundo. Segundo essa tradição, o qi também percorre a paisagem, e a configuração de montanhas, cursos d’água, caminhos e construções poderia favorecer sua concentração ou dispersão. Por isso, escolher um lugar significava observar não apenas o terreno disponível, mas sua posição em relação ao entorno. Uma das obras mais influentes nessa tradição é o Zangshu, ou Livro do Sepultamento, tradicionalmente atribuído ao estudioso Guo Pu, que viveu entre 276 e 324. A obra relaciona o qi ao vento e à água e exerceu forte influência sobre o desenvolvimento posterior do feng shui. Nas correntes voltadas à leitura da paisagem, o formato e a posição das montanhas, a presença de outras elevações e o percurso dos cursos d’água faziam parte da avaliação de um local. A intenção era encontrar áreas consideradas capazes de receber e conservar o qi. Outros conceitos da cosmologia chinesa também foram incorporados ao feng shui ao longo do tempo. Yin e yang representam aspectos diferentes e complementares da realidade. Não correspondem simplesmente a “bom” e “ruim”, mas aparecem em relações como claro e escuro, quente e frio, movimento e repouso. No feng shui, essas características eram consideradas na avaliação do equilíbrio de um ambiente. Outro referencial são os chamados Cinco Movimentos — madeira, fogo, terra, metal e água. Embora o termo seja frequentemente traduzido como “cinco elementos”, ele não se refere apenas a materiais, mas a categorias usadas para representar processos de transformação e relações entre diferentes fenômenos da natureza. Feng shui para os vivos — e para os mortos Uma das partes menos conhecidas fora da China é a importância do feng shui na escolha de sepulturas. Durante séculos, encontrar um local considerado adequado para enterrar os antepassados foi uma de suas principais aplicações. A escolha estava ligada ao culto ancestral e à crença de que a posição e a orientação do túmulo poderiam influenciar o destino das gerações seguintes. Por isso, relevo, direção, montanhas e cursos d’água também eram avaliados na escolha de locais funerários. Essa tradição também aparece na arquitetura imperial. Os mausoléus das dinastias Ming e Qing foram planejados levando em conta relevo, orientação, astronomia e princípios da geomancia chinesa. Estudos sobre esses conjuntos mostram que a posição das tumbas dentro da paisagem fazia parte do próprio projeto funerário.

16 de setembro de 2026
Daiane Mendes
A China se tornou o segundo maior mercado do Duolingo em usuários ativos diários, segundo o cofundador e diretor-executivo da empresa, Luis von Ahn Arellano. O crescimento veio acompanhado de uma estratégia de marketing que levou a coruja Duo das redes sociais para cafeterias, serviços de entrega e lojas chinesas. Em 2022, a China respondia por uma parcela pequena dos usuários do Duolingo. No segundo trimestre daquele ano, o país representava cerca de 1% a 2% dos usuários ativos diários e mensais da plataforma. Nos quatro anos seguintes, o Duolingo passou a investir em parcerias e ações de marketing no mercado chinês, estratégia que ajudou a atrair novos usuários e acompanhou o crescimento do país dentro da base global da empresa. O Duolingo já utiliza esse tipo de comunicação em outros países, inclusive no Brasil, onde Duo ganhou espaço nas redes com memes, referências culturais e interações com outras marcas. Na China, porém, a empresa encontrou um mercado em que colaborações entre marcas, personagens e produtos licenciados têm forte presença no varejo . Um dos principais exemplos ocorreu em 2025, com a Luckin Coffee. Mais de 26 mil lojas da rede na Ásia participaram da campanha, que vendeu mais de 10 milhões de bebidas com a marca Duolingo em duas semanas. Duo apareceu em copos, embalagens e lojas, além de participar de uma narrativa criada em torno de um “casamento” com o cervo da Luckin. A empresa repetiu esse tipo de ação com outras marcas. Duo apareceu como entregadora em uma campanha com a Meituan e também participou de uma parceria com o McDonald’s. As ações usaram a personagem para criar histórias e conteúdos em torno das colaborações comerciais. A parceria com a Miniso levou essa estratégia para os produtos. Em 2026, as duas empresas lançaram na China uma coleção com mais de 70 itens inspirados em Duo e Lily, personagens do aplicativo, entre pelúcias, chaveiros, camisetas, papelaria e artigos para casa. Com os produtos, Duo também passou a aparecer fora do ambiente do aplicativo. A mascote deixou de servir apenas à divulgação da plataforma e passou a integrar itens vendidos por outras empresas. Crescimento não depende apenas das campanhas Apesar da sequência de campanhas, o próprio Duolingo evita atribuir a expansão na China apenas às parcerias. Em maio deste ano, von Ahn afirmou que existe também um movimento inverso, grandes marcas chinesas procuram o Duolingo porque a plataforma já registra crescimento no país. Segundo o executivo, a demanda pelo aprendizado de inglês é um dos principais fatores por trás do aumento da base de usuários. A companhia também passou a trabalhar com criadores de conteúdo para alcançar novos públicos em mercados asiáticos. No segundo trimestre de 2026, o Duolingo informou que grupos de influenciadores na China, Índia e Indonésia respondiam por cerca de dois terços das impressões da marca nas redes sociais nesses três países.

16 de setembro de 2026
Daiane Mendes
O Festival da Lua Chinês volta ao centro de São Paulo nos dias 19 e 20 de setembro. A quarta edição terá entrada gratuita, apresentações culturais, gastronomia e um desfile de 100 leões pela Rua 25 de Março. O evento ocorre poucos dias antes do Festival do Meio do Outono , celebrado neste ano em 25 de setembro. A data segue o calendário lunar chinês e corresponde ao 15º dia do oitavo mês. Uma das principais celebrações tradicionais do país, é associada às reuniões familiares, à observação da lua cheia e ao consumo dos tradicionais bolos da lua. Na China, o feriado será de 25 a 27 de setembro. Em São Paulo, a celebração passou a fazer parte do calendário oficial da cidade em 2025. A inclusão ocorreu por meio da Lei nº 18.342, promulgada em novembro, que prevê a realização do Festival da Lua Chinês entre o início de setembro e o fim de outubro. Cem leões pelas ruas do centro O desfile com 100 leões será uma das principais atrações desta edição e, segundo os organizadores, será o maior do tipo já realizado no Brasil. A dança do leão integra diferentes festividades chinesas e está associada a desejos de proteção, prosperidade e boa sorte. A programação também inclui dança, música, artes marciais e outras manifestações culturais, além de barracas com pratos da culinária chinesa. Em 2025, o festival reuniu mais de 300 mil pessoas durante os dois dias de programação, segundo dados divulgados pelos organizadores. Um dos destaques daquela edição foi um dragão chinês de mais de 100 metros que percorreu a região da 25 de Março. Serviço Festival da Lua Chinês 2026 Quando: 19 e 20 de setembro Horários: sábado, das 10h às 21h; domingo, das 10h às 18h Onde: Rua 25 de Março, esquina com a Ladeira Porto Geral, Centro Histórico de São Paulo Entrada: gratuita Como chegar: estação São Bento do Metrô

10 de setembro de 2026
Daiane Mendes
Plataformas digitais e algoritmos estão mudando a forma como cargas são distribuídas pelas rodovias chinesas, ao conectar motoristas e empresas em poucos minutos e reduzir viagens de caminhões sem carga. Na Yunmanman, plataforma do grupo Full Truck Alliance, o tempo médio para encontrar a combinação entre veículo e mercadoria caiu de três a quatro minutos. A tecnologia ganha peso em um setor responsável pela maior parte da movimentação de mercadorias do país. Em 2025, 43,29 bilhões de toneladas de cargas foram transportadas por rodovias na China, mais de 70% do volume total nacional. O sistema funciona a partir da análise de dados sobre cargas disponíveis, localização dos veículos e rotas. Com essas informações, as plataformas identificam motoristas próximos e fazem a correspondência entre oferta e demanda de transporte. Em uma fazenda de hortaliças no distrito de Lishui, em Nanjing, por exemplo, produtores utilizam a Yunmanman para encontrar caminhões que transportam os produtos até Xangai. Segundo o produtor Feng Chaoji, anteriormente a contratação dependia de contatos pessoais e, nos períodos de maior demanda, a dificuldade para conseguir veículos fazia as perdas durante o transporte ultrapassarem 10%. Agora, os pedidos publicados na plataforma podem ser aceitos por motoristas próximos em poucos minutos. O modelo também é usado em trajetos mais longos. Vegetais produzidos em regiões de planalto de Lanzhou são enviados ao Delta do Rio Yangtzé, enquanto frutas da Tailândia passam por Kunming antes da distribuição para outras regiões chinesas. Segundo Gao Yiming, diretor de algoritmos de inteligência artificial do Full Truck Alliance, o uso de grandes volumes de dados permite organizar a distribuição dos caminhões e reduzir problemas como veículos parados ou circulando sem carga. A tecnologia busca corrigir uma característica histórica do setor: a fragmentação entre quem precisa transportar mercadorias e os motoristas disponíveis. As plataformas também começam a testar assistentes virtuais baseados em inteligência artificial para embarcadores e transportadores. Dentro dos limites legais, esses sistemas podem participar de etapas como negociação, identificação de veículos ou cargas compatíveis e fechamento das operações. No fim de abril, uma reunião do Comitê Central do Partido Comunista da China incluiu as redes logísticas entre as infraestruturas que devem receber planejamento e desenvolvimento, ao lado de redes de água, energia, computação, comunicação e sistemas urbanos de tubulações. Fonte: China news

9 de setembro de 2026
Daiane Mendes
A China continua exportando em grande escala, mas o que sai de seus portos vem apresentando novas características. Eletrônicos, máquinas e equipamentos industriais e tecnologias ligadas à transição energética passaram a representar uma parcela maior das vendas externas do país, em um comércio cada vez mais ligado a produtos de maior conteúdo tecnológico. Em 2025, as exportações chinesas somaram 26,99 trilhões de yuans, alta de 6,1% em relação ao ano anterior. Os produtos de alta tecnologia, porém, cresceram mais que o dobro desse ritmo: 13,2%, chegando a 5,25 trilhões de yuans, segundo dados divulgados pela Administração Geral de Alfândegas. Eletrônicos crescem com a demanda por tecnologia Computadores, smartphones e componentes eletrônicos já ocupam há anos uma posição relevante nas exportações chinesas. Em 2026, os circuitos integrados registraram um dos maiores crescimentos entre os principais produtos vendidos pelo país ao exterior. Entre janeiro e agosto, as exportações desses componentes chegaram a 1,77 trilhão de yuans, alta de 95,4% sobre o mesmo período do ano anterior. Os circuitos integrados estão presentes em celulares, computadores, automóveis, servidores e equipamentos industriais. A demanda também aumentou com os investimentos em infraestrutura para inteligência artificial, que exigem semicondutores e capacidade de processamento em maior escala. Máquinas e robôs avançam nas exportações O segundo setor aparece nos equipamentos usados pela própria indústria. Em 2025, as exportações chinesas de equipamentos para usos específicos cresceram 20,6%. As vendas de máquinas-ferramenta de alta gama subiram 21,5%, enquanto as exportações de robôs industriais aumentaram 48,7%. Segundo a Administração-Geral das Alfândegas da China, o país exportou mais robôs industriais do que importou pela primeira vez. Além de fornecer bens prontos ao mercado internacional, a China também exporta máquinas, robôs e outros equipamentos utilizados em processos industriais. Esse grupo inclui equipamentos destinados à automação de linhas de produção, fabricação de componentes e modernização de processos industriais. Carros, baterias e energia formam a terceira frente O terceiro setor reúne produtos ligados à eletrificação, ao armazenamento e à geração de energia. Em 2025, as exportações chinesas do grupo formado por veículos elétricos, baterias de lítio e produtos fotovoltaicos cresceram 27,1%. Separadamente, as vendas externas de baterias de lítio avançaram 26,2%, enquanto as de turbinas eólicas aumentaram 48,7%. Essas indústrias também estão conectadas. Baterias de lítio são usadas em veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia, enquanto equipamentos solares e eólicos integram a infraestrutura de geração elétrica. O crescimento das exportações também levou esses produtos chineses a uma presença maior no mercado internacional.

3 de setembro de 2026
Daiane Mendes
A adaptação de empresas chinesas ao mercado brasileiro não termina na abertura da operação ou no cumprimento de regras fiscais. Na gestão de pessoas, diferenças entre os dois países podem gerar riscos desde a divulgação de uma vaga até o controle da jornada de trabalho. Segundo Reinaldo Ma, advogado e sócio da BCM Advogados e do IEST Group , parte da iniciativa surgiu de problemas que chegam à área jurídica quando a empresa já enfrenta uma ação trabalhista. Ma foi um dos palestrantes no evento “RH & Questões Trabalhistas no Brasil: Casos e Boas Práticas”, promovido pelo IEST Group, consultoria especializada em empresas chinesas com operações no Brasil, nesta quarta-feira (2), em São Paulo. “Temos recebido muitas ações. É normal que uma empresa estabelecida no Brasil enfrente alguns problemas. Às vezes, porém, esses casos chegam até nós quando a situação já está bastante desorganizada. Nosso objetivo é orientar as pessoas para que reconheçam esses riscos e consigam evitá-los”, afirmou. Crescimento das empresas chinesas aumenta desafio de contratação A demanda por profissionais acompanha a expansão das companhias chinesas no país. Os investimentos chineses no Brasil chegaram a US$6,1 bilhões em 2025, aumento de 45% em relação ao ano anterior, segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) apresentados durante o evento. Para Vanilza Marqui, coordenadora de Recrutamento do IEST Group, preencher essas vagas exige mais do que encontrar profissionais tecnicamente qualificados. Empresas chinesas frequentemente precisam combinar experiência, idiomas e capacidade de trabalhar entre culturas diferentes. “Não é só buscar o currículo e ir atrás de um excelente profissional, mas conectar as competências, a técnica, o idioma e também o interesse real pela oportunidade”, disse. Essa combinação também exige flexibilidade na definição das vagas. Idioma, tempo de experiência, localização, modalidade de trabalho e remuneração podem ser revistos de acordo com a disponibilidade de profissionais, enquanto competências essenciais, requisitos de segurança, compliance e a forma legal de contratação não devem ser comprometidos. Problema pode começar na seleção A forma como a empresa conduz a seleção também pode trazer riscos trabalhistas. Vanilza relatou um caso ocorrido em uma experiência profissional anterior no qual uma descrição de vaga enviada pelo WhatsApp estabelecia idade máxima de 35 anos. Uma candidata de 43 anos, que atendia aos demais requisitos, questionou a restrição, registrou a conversa e posteriormente ajuizou uma ação contra a empresa, apesar de não ter sido contratada. Restrições de idade ou gênero e a exigência de fotografia no currículo estão entre os pontos que exigem atenção na divulgação de vagas. Nas entrevistas, perguntas sobre gravidez, intenção de ter filhos, religião, posicionamento político, orientação sexual, estado civil ou responsabilidades familiares também podem criar risco quando não têm relação com a função. O que acontece na prática pode valer mais que o contrato Os cuidados continuam depois da contratação. Erros na definição do cargo, salário, jornada, contrato ou exame admissional podem afetar toda a relação de trabalho. “Qualquer falha, qualquer erro no começo, você vai estar levando por todo esse contrato”, afirmou Jessica Barbosa, coordenadora de folha de pagamento do IEST Group. Entre os casos mais frequentes apresentados durante o encontro estão discussões sobre horas extras, controle de ponto, equiparação salarial, bônus e comissões e reconhecimento de vínculo empregatício. Para Jefferson Pereira, advogado da BCM Advogados e do IEST Group, uma característica importante do direito trabalhista brasileiro é o chamado princípio da primazia da realidade. “Valem mais os fatos do que o que está descrito no contrato firmado”, explicou. Na legislação trabalhista brasileira, esse princípio significa que a forma como a relação de trabalho acontece no dia a dia pode ter mais peso do que a nomenclatura adotada no contrato. Por isso, cargo, jornada, responsabilidades e forma de prestação dos serviços precisam corresponder à realidade da função exercida. Em regra, empregados estão sujeitos aos limites previstos pela legislação e ao controle de horário, enquanto situações específicas, como determinados cargos de gestão ou atividades externas incompatíveis com o controle de jornada, possuem regras próprias. O enquadramento, porém, depende das condições efetivas do trabalho, e não apenas do título atribuído ao cargo. Jefferson também chamou atenção para questões relacionadas à remuneração. Diferenças salariais entre profissionais que exercem funções equivalentes podem gerar discussões sobre equiparação salarial, enquanto bônus e comissões possuem tratamentos distintos e exigem critérios e registros claros por parte das empresas. Outro ponto discutido foi a necessidade de estabelecer limites claros na relação entre gestores e funcionários. Jornada excessiva, cobranças inadequadas e interferências recorrentes no período de descanso podem ganhar relevância trabalhista. Para companhias que mantêm equipes no Brasil e na China, essa atenção inclui também a comunicação entre profissionais que trabalham em fusos horários diferentes. Gestão trabalhista em foco no IEST Group O encontro faz parte de uma série de palestras promovidas pelo IEST Group para discutir questões jurídicas e de gestão que fazem parte da rotina de empresas que atuam no Brasil. A programação desta quarta-feira foi realizada em português, com tradução consecutiva para o mandarim, e reuniu representantes de empresas chinesas e profissionais das áreas de RH e departamento pessoal. Com atuação voltada à relação entre empresas brasileiras e chinesas, o IEST Group presta serviços em áreas como recrutamento, folha de pagamento, consultoria trabalhista e suporte à operação de companhias estrangeiras no país. A proposta dos encontros é aproximar as empresas das particularidades do mercado brasileiro e antecipar questões que podem surgir ao longo de sua operação.

3 de setembro de 2026
Daiane Mendes
Preço, prazo e contrato não são os únicos fatores que são levados em consideração em uma negociação na China . A forma como cada pessoa é reconhecida diante de colegas, parceiros e superiores também pode influenciar relações profissionais. Esse modo de construir e preservar relações está ligado ao mianzi (面子), conceito chinês associado a reputação, prestígio e posição social. A tradução mais comum de mianzi é ‘face’, mas a palavra, sozinha, diz pouco para quem não conhece o conceito. O termo está relacionado à imagem que uma pessoa mantém perante determinado grupo e ao reconhecimento que recebe dos outros. No ambiente empresarial, isso ajuda a entender por que aspectos aparentemente secundários, como quem participa de uma reunião, a forma de apresentar uma liderança ou o modo escolhido para discordar, podem influenciar a forma como a relação é conduzida. Como o reconhecimento influencia as relações Uma das particularidades do mianzi é que ele não depende apenas da imagem que alguém tem de si mesmo. Ele também depende de como ela é percebida socialmente. Um executivo pode ganhar mianzi ao ter seu trabalho reconhecido, ocupar uma posição de prestígio, ser apresentado como alguém importante dentro de determinada organização ou receber uma demonstração pública de consideração. Da mesma forma, uma situação que reduza sua autoridade ou coloque sua posição em xeque diante do grupo pode produzir o efeito contrário. Um estudo publicado no International Journal of Emerging Markets, com profissionais de empresas que mantinham relações comerciais com parceiros chineses, apontou a comunicação indireta como uma característica recorrente nessas interações. Entre os entrevistados, o cuidado com opiniões negativas em público e com recusas muito diretas foi relacionado ao mianzi pelos autores e por parte dos participantes, especialmente nas relações com profissionais mais velhos. Os pesquisadores também observaram que diferenças geracionais podem reduzir o peso de alguns desses códigos nas relações empresariais. A forma de discordar também importa Uma mesma discordância pode ter efeitos diferentes dependendo de como e diante de quem é apresentado. O mianzi também ajuda a entender por que respostas muito diretas nem sempre são a única forma de demonstrar discordância ou recusar uma proposta. Dependendo da situação, expressões mais abertas, como a necessidade de analisar internamente ou a indicação de que determinada proposta será difícil, podem funcionar como uma maneira de manter a relação sem produzir uma negativa direta. Uma resposta indireta, porém, não deve ser interpretada automaticamente como uma recusa. O significado depende da relação entre as partes, do momento da negociação e da forma como a conversa se desenvolve. Para empresas brasileiras, o desafio está menos em procurar traduções prontas para cada comportamento e mais em compreender os sinais dentro do contexto em que aparecem. Mianzi, guanxi e renqing O conceito também se relaciona a outros termos usados para explicar as relações sociais e empresariais na China. Um deles é o guanxi (关系) , ligado às redes de relações construídas a partir de confiança, proximidade e obrigações recíprocas. Outro é o renqing (人情), associado à reciprocidade e aos favores presentes nessas relações. Uma relação construída ao longo do tempo pode gerar confiança entre as duas partes. Gestos de reciprocidade ajudam a sustentar esse vínculo, enquanto o reconhecimento recebido dentro dessa rede interfere no mianzi de cada pessoa. É aí que esses conceitos deixam de ser apenas referências culturais. Em uma negociação, eles podem aparecer em detalhes que dificilmente entram em uma proposta comercial. Para quem chega à China olhando apenas para os termos da negociação, parte dessa dinâmica pode passar despercebida. O mianzi ajuda a enxergar essa camada menos visível, em que reputação e posição também interferem na forma como a relação é conduzida.

28 de agosto de 2026
Daiane Mendes
Empresas envolvidas em operações comerciais entre Brasil e China podem encontrar no mercado financeiro chinês uma alternativa ao alto custo do crédito brasileiro. Uma proposta apresentada pelo Centro de Serviços Econômicos entre a China e os Países de Língua Portuguesa (CECPS) prevê estruturas de financiamento transfronteiriço capazes de utilizar recursos captados na China para financiar determinadas operações de cadeias de suprimentos no Brasil. A diferença entre os dois mercados é significativa. Na China, o custo de referência para empréstimos de capital de giro e financiamento comercial de um ano em RMB varia entre 2% e 4%. No Brasil, o custo do financiamento local é estimado em cerca de 17% ou mais, diante do patamar elevado da Selic e do CDI . “Como nós temos do lado da China uma taxa de juros mais interessante, o que nós estamos tentando é trazer dinheiro da China para empresas brasileiras”, afirmou Tian Bin, CEO do IEST Group e diretor do Departamento de Serviços Econômicos e Comerciais do CECPS. Segundo Tian, a oportunidade está principalmente em operações de maior valor, como a importação de equipamentos e o financiamento de projetos, nas quais a diferença entre os custos de crédito dos dois países têm maior impacto sobre a operação. A proposta é utilizar essa diferença para estruturar operações de financiamento transfronteiriço, aproveitando recursos de menor custo disponíveis na China para financiar determinadas atividades no Brasil. Subsidiárias brasileiras podem ganhar mais prazo para pagar fornecedores Uma das estruturas em estágio mais avançado é voltada a grupos chineses que já possuem subsidiárias no Brasil, especialmente em setores como autopeças, equipamentos de energia renovável e máquinas industriais. Nessas empresas, a operação brasileira pode comprar mercadorias ou equipamentos da matriz chinesa ou de outros fornecedores do próprio grupo. Nesse tipo de operação, o financiamento transfronteiriço pode aumentar o prazo disponível para a empresa brasileira pagar seus fornecedores. O modelo apresentado pelo CECPS prevê a possibilidade de ampliar um ciclo financeiro de cerca de três meses para até 12 meses. O fornecedor chinês recebe antecipadamente, enquanto a subsidiária brasileira ganha prazo para realizar o pagamento. Também existem alternativas que utilizam depósitos ou ativos no Brasil como garantia ou colocam a própria matriz chinesa como tomadora do financiamento. Taxa chinesa não é o custo final da operação A diferença entre os juros nos dois países é o principal atrativo dessas estruturas, mas os 2% a 4% praticados como referência no mercado chinês não representam necessariamente o custo final para uma operação no Brasil. Dependendo da estrutura adotada, o financiamento pode exigir seguros, garantias, cartas de crédito e outros instrumentos. Cartas de crédito a prazo e garantias de pagamento, por exemplo, podem acrescentar aproximadamente 1% a 3% ao ano ao custo total. A existência de uma garantia também não substitui a análise de crédito. O banco precisa aprovar o tomador antes de liberar os recursos. As condições variam ainda conforme a instituição financeira. Grandes bancos estatais chineses tendem a adotar critérios mais elevados para crédito no exterior, enquanto outros bancos possuem maior flexibilidade para estruturar operações transfronteiriças. Instituições de Hong Kong e Macau também podem conceder crédito diretamente a empresas estrangeiras, e algumas já discutem soluções envolvendo o Brasil.

27 de agosto de 2026
Daiane Mendes
A iQIYI e a Bilibili, duas grandes plataformas chinesas de entretenimento digital, estão aumentando seus movimentos voltados ao mercado brasileiro. Enquanto a iQIYI já opera no país e fechou acordos com emissoras de televisão aberta, a Bilibili lançou uma nova versão internacional de seu aplicativo e abriu vaga em São Paulo para desenvolver relações com criadores e parceiros locais. iQIYI leva produções chinesas do streaming para a TV aberta A iQIYI iniciou uma expansão mais estruturada no Brasil em 2024, quando passou a oferecer mais conteúdos com legendas em português e uma seleção voltada ao público brasileiro. No primeiro trimestre de 2026, a receita com assinaturas da iQIYI no Brasil cresceu mais de 100% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela empresa. No conjunto dos mercados internacionais, a alta foi superior a 40%. Neste ano, a empresa também passou a usar a televisão aberta como canal de distribuição no país. Em julho, a iQIYI fechou uma parceria com o Grupo Bandeirantes de Comunicação. O acordo permite à Band utilizar conteúdos do catálogo da plataforma e prevê a possibilidade de coproduções entre as duas empresas. A parceria também inclui apoio à operação da iQIYI no Brasil . Em agosto, a empresa anunciou outro acordo, desta vez com a RedeTV!. A emissora passará a exibir aos domingos o drama chinês “O Melhor de Tudo” (The Best Thing), lançado originalmente pela iQIYI em 2025. A produção tem 28 episódios. Com os dois acordos, a iQIYI passa a distribuir suas produções também para espectadores que não utilizam diretamente seu serviço de streaming. Bilibili começa a se movimentar no Brasil Criada em 2009, a empresa tornou-se uma das principais plataformas de vídeo da China a partir de uma comunidade inicialmente ligada à animação, quadrinhos e games. Hoje, reúne vídeos produzidos por criadores, transmissões ao vivo, documentários, animações e outros formatos. No terceiro trimestre de 2025, a companhia registrou 376 milhões de usuários ativos mensais. Em agosto de 2026, a Bilibili lançou uma nova versão internacional de seu aplicativo para Android, com cadastro mais simples para usuários estrangeiros. No Brasil, o movimento mais concreto até agora é uma contratação em São Paulo. A empresa abriu uma vaga para desenvolvimento de negócios e gestão de comunidade. Entre as funções previstas estão identificar criadores de conteúdo, estúdios independentes de animação, detentores de direitos sobre conteúdos e outros parceiros, além de representar a Bilibili em festivais, convenções e eventos do setor.