O yuan, moeda oficial da China, poderá ganhar mais espaço no comércio e nos investimentos internacionais nos próximos dez anos. A avaliação é de especialistas que participaram da Cúpula do Bund de 2026, realizada entre 19 e 22 de outubro, em Xangai. Para eles, a expansão das empresas chinesas no exterior e o desenvolvimento do mercado financeiro do país podem favorecer o uso da moeda em transações internacionais.
A internacionalização do yuan significa ampliar sua utilização fora da China, tanto para realizar pagamentos quanto para definir preços e fazer investimentos. Segundo Huang Yiping, da Universidade de Pequim, a moeda já desempenha um papel relevante em operações internacionais, mas ainda existem oportunidades para ampliar sua participação.
Uma das principais oportunidades está na expansão internacional das empresas chinesas. Para Guo Kai, presidente do Instituto de Pesquisa Financeira China 40, esse movimento também pode beneficiar instituições financeiras do país e aumentar a utilização do yuan em operações comerciais e financeiras.
Miao Yanliang, economista-chefe da China International Capital Corporation (CICC), avalia que os próximos dez anos poderão trazer mudanças importantes ao sistema monetário internacional. Segundo ele, caso o yuan amplie sua participação nesse período, poderá se tornar uma alternativa mais viável para países, empresas e investidores que buscam diversificar as moedas utilizadas em suas operações.
Apesar das oportunidades, especialistas destacam que a expansão internacional da moeda depende de melhorias no mercado financeiro chinês. Para atrair investidores estrangeiros, o país precisa oferecer facilidade para movimentar recursos, condições para comprar e vender ativos e mecanismos de proteção contra oscilações cambiais e de juros.
Outra possibilidade discutida durante a cúpula foi ampliar os pagamentos internacionais em yuan, inclusive por meio da cooperação com países do Sul Global. Huang Yiping também defendeu uma abertura gradual dos mercados financeiros chineses para investimentos estrangeiros.
Nesse processo, Hong Kong poderá desempenhar um papel importante. Segundo Huang, o mercado financeiro da região pode oferecer aos investidores internacionais mais oportunidades para negociar e manter ativos em yuan, enquanto a abertura do mercado financeiro da China continental avança gradualmente.
Fonte: China News

