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Agronegócio brasileiro atrai interesse chinês sobre mercado e oportunidades de investimento

Agronegócio brasileiro

O interesse de empresas e investidores chineses pelo agronegócio brasileiro tem aumentado. Em 24 de setembro, Tian Bin, fundador e CEO do IEST Group, participou de uma transmissão online voltada ao público chinês para apresentar um panorama do mercado agrícola brasileiro e discutir oportunidades de investimento no país. A transmissão teve mais de 4.600 pessoas assistindo simultaneamente e mais de 20 mil visualizações.

A live teve como tema “Panorama do mercado agrícola brasileiro e oportunidades de investimento” e integrou uma programação promovida em conjunto com o Ningbo Bank, que também apresentou soluções de serviços financeiros e internacionais para empresas com operações no exterior.

“Queremos aproximar o público empresarial chinês da realidade do agronegócio brasileiro, em um momento no qual a relação entre Brasil e China avança para além da tradicional compra e venda de commodities agrícolas”, afirma Tian Bin.

A audiência oferece um indicador relevante sobre a procura por informações a respeito do mercado brasileiro, principalmente entre empresas que avaliam processos de internacionalização.

Brasil e China: uma relação comercial sólida

O interesse apresentado durante a transmissão ocorre dentro de uma relação econômica já consolidada.

No primeiro semestre de 2026, a China permaneceu como principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, com compras de aproximadamente US$ 30,54 bilhões, equivalentes a 35,1% das exportações do setor. O valor representou crescimento de 10,5% em comparação com o mesmo período de 2025.

A composição dessas vendas mostra também onde estão atualmente os principais vínculos entre os dois países. Do valor adquirido pela China no período, 66,3% esteve relacionado ao complexo soja, 18,8% às carnes e 8,3% aos produtos florestais.

Quando considerado todo o comércio exterior brasileiro, a dimensão da relação é ainda mais evidente. Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil exportou US$ 77,07 bilhões para a China, crescimento de aproximadamente 15% sobre igual período de 2025. O mercado chinês respondeu por 30,72% de todas as exportações brasileiras no período.

Durante muitos anos, a relação entre China e agronegócio brasileiro foi observada principalmente pelo volume de soja, carnes, celulose e outros produtos embarcados pelos portos brasileiros.

Esse fluxo continua sendo fundamental. Entretanto, para empresas chinesas que estudam o Brasil, as perguntas estão gradualmente se tornando mais amplas.

Além de “o que comprar do Brasil?”, entram na análise questões como onde investir, como estabelecer uma empresa no país, quais regiões apresentam maior competitividade, como funciona a cadeia logística, quais são as exigências regulatórias e tributárias e de que forma fornecedores chineses podem participar das cadeias produtivas brasileiras.

Nesse contexto, oportunidades podem envolver diferentes segmentos relacionados ao agronegócio, desde máquinas e equipamentos agrícolas até sementes, defensivos, fertilizantes e insumos industriais, além de logística, armazenagem, processamento de alimentos, proteínas animais, florestas plantadas, bioenergia e outras atividades ligadas à transformação da produção agropecuária.

O próprio Ministério da Agricultura e Pecuária classifica atualmente a China como principal compradora dos produtos do agronegócio brasileiro e destaca que a relação bilateral também envolve investimentos e mecanismos institucionais de cooperação agrícola e sanitária entre os dois países.

Para uma empresa estrangeira, porém, o tamanho do mercado brasileiro não elimina sua complexidade.

Questões tributárias, ambientais, regulatórias, trabalhistas, sanitárias, logísticas e de comércio exterior podem variar significativamente conforme o setor e o Estado escolhido para implantação de um projeto.

Por isso, a internacionalização exige uma análise que vá além do tamanho da produção agrícola brasileira. Localização, disponibilidade de matéria-prima, infraestrutura, proximidade dos clientes, incentivos estaduais, acesso aos portos, estrutura tributária e requisitos regulatórios podem alterar substancialmente a viabilidade de um investimento.