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Safra 2026/27 começa no Brasil: calendário, sanidade e clima orientam o plantio

Safra 2026/27 no Brasil
Foto: Divulgação/John Deere

A safra brasileira 2026/27 já começou a ser implantada. No Paraná, o milho de primeira safra alcançou 18% da área plantada em 31 de agosto, enquanto o feijão da primeira safra chegou a 1%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). No Rio Grande do Sul, a Emater/RS também confirmou o início da semeadura do milho em seu informativo de 27 de agosto, condicionado pela umidade do solo. Esses registros mostram que a nova temporada já está em andamento, embora o ritmo varie entre culturas e regiões.

Para a soja, setembro marca a abertura de diferentes janelas de plantio. Partes do Paraná e de São Paulo têm semeadura autorizada desde o primeiro dia do mês. Essa liberação, porém, não permite concluir quanto efetivamente já foi plantado: o avanço das operações depende das condições encontradas nas propriedades.

O calendário nacional foi estabelecido pela Portaria SDA/MAPA nº 1.579, de 9 de abril de 2026, publicada no dia seguinte. A norma define os períodos de vazio sanitário e de semeadura da soja para a safra 2026/27, com diferenciação entre estados e, em alguns casos, entre regiões dentro da mesma unidade da Federação.

As datas dos principais estados produtores evidenciam essa sequência. Mato Grosso tem plantio permitido de 7 de setembro de 2026 a 7 de janeiro de 2027. Em Goiás, a janela vai de 25 de setembro a 2 de janeiro. Minas Gerais e Distrito Federal começam em 1º de outubro, com encerramento em 8 de janeiro; no Tocantins, a abertura também ocorre em 1º de outubro, mas o prazo termina em 15 de janeiro.

Em Mato Grosso do Sul, o vazio sanitário permanece até 15 de setembro, e a semeadura está autorizada entre 16 de setembro e 31 de dezembro de 2026. A Aprosoja/MS reforça a necessidade de cumprir essas datas para reduzir a pressão de doenças e preservar a sanidade das lavouras.

A regionalização merece atenção especial na Bahia, dividida em quatro regiões. Na Região I, que inclui polos como São Desidério, Formosa do Rio Preto, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, o vazio sanitário vai de 26 de junho a 7 de outubro de 2026. O exemplo demonstra por que uma data estadual genérica pode induzir a interpretações equivocadas.

O vazio sanitário é parte da estratégia de controle da ferrugem asiática. A eliminação de plantas vivas de soja na entressafra, inclusive as voluntárias, conhecidas como tigueras, ajuda a interromper o ciclo do fungo. O calendário de semeadura complementa esse trabalho ao reduzir a sobreposição de lavouras e limitar a disseminação da doença durante o ciclo produtivo.

O planejamento também precisa considerar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Para Mato Grosso, a Portaria SPA/MAPA nº 202, de 30 de junho de 2026, aprova o zoneamento da soja 2026/27 e determina expressamente a observância das regras de vazio sanitário e calendário de plantio. A avaliação do risco climático e a autorização sanitária devem, portanto, ser consideradas em conjunto.

No campo, a decisão depende ainda da umidade disponível. Em reportagem de 4 de setembro, o Notícias Agrícolas registrou a expectativa de que produtores irrigados de Mato Grosso começassem a semear após o término do vazio sanitário, em 6 de setembro. Nas áreas de sequeiro, a orientação apresentada era aguardar condições adequadas, considerando também a janela do milho em sucessão.

Para empresas que acompanham o agronegócio brasileiro, inclusive compradores e investidores chineses, esses dados oferecem uma referência para interpretar o início da temporada. A leitura comercial exige acompanhar a passagem da área autorizada para a área efetivamente semeada e, depois, o desenvolvimento das lavouras. A abertura do calendário é apenas uma das etapas dessa avaliação.

A safra 2026/27 começa, assim, com decisões que combinam sanidade, planejamento e condições de campo. O resultado dependerá da capacidade de aproveitar as janelas disponíveis com implantação adequada das lavouras. Para acompanhar a formação da próxima oferta brasileira, será essencial observar os boletins regionais e a evolução efetiva do plantio.