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Reforma tributária do Brasil aumenta busca por orientação por empresas chinesas

Reforma tributária do Brasil
Imagem: IEST Group/ Divulgação

Representantes de grandes empresas chinesas se reuniram nesta quarta-feira (26), em São Paulo, para entender as mudanças previstas pela reforma tributária brasileira e seus impactos sobre as operações das companhias no país. Promovido pelo IEST Group, o encontro reuniu participantes e contou com apresentações de Tian Bin, fundador e CEO da consultoria, e de Douglas Campanini, contador e especialista em Direito Tributário da Athros Auditoria e Consultoria.

A palestra foi realizada em português, com tradução para o mandarim, para facilitar a compreensão sobre as novas regras e seus efeitos na operação no país. Para empresas chinesas que chegam ao Brasil, entender a legislação, acompanhar suas mudanças e adaptar os processos internos também envolve a barreira linguística.

“Para muitas empresas chinesas, o desafio não é apenas pagar impostos no Brasil, mas entender como as regras funcionam e como elas afetam o negócio. Nosso papel é traduzir essa complexidade e ajudar essas empresas a operar no país com mais segurança.”, afirmou Tian Bin.

A complexidade do sistema tributário brasileiro é uma das principais dificuldades enfrentadas por empresas estrangeiras no país. Além dos tributos, as companhias precisam lidar com diferentes obrigações fiscais, regras locais e mudanças regulatórias que afetam desde a abertura da empresa até sua operação.

Com a reforma tributária, empresas que atuam no Brasil terão de acompanhar mudanças que afetam impostos, contratos, sistemas e formação de preços. A Lei Complementar 214/2025 estabeleceu a substituição de parte dos atuais tributos sobre o consumo por um novo modelo chamado IVA Dual. A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), tributo federal sobre bens e serviços, substituirá o PIS e a Cofins. Já o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços ), administrado por estados e municípios, substituirá o ICMS e o ISS. A nova estrutura também prevê o Imposto Seletivo, um tributo federal voltado a determinados bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Para as empresas, porém, a mudança não se limita aos nomes dos impostos. A transição poderá exigir revisão de contratos com clientes e fornecedores, adequação de sistemas, avaliação dos impactos no fluxo de caixa e revisão da formação de preços. Durante a transição, as empresas terão de lidar ao mesmo tempo com parte dos tributos atuais e com as novas regras da reforma.

Demandas que acompanham a entrada no Brasil

A realização do encontro está ligada a uma demanda que o IEST Group acompanha desde o início de sua atuação. Com empresas chinesas interessadas em entrar ou expandir suas operações no Brasil, surgem dúvidas que vão além da legislação tributária e envolvem contratação, contabilidade, vistos, regularização de documentos e outras etapas da operação.

Foi a partir dessas dificuldades que o IEST Group passou a concentrar serviços voltados principalmente ao atendimento de multinacionais chinesas no país. Hoje, o grupo atua em áreas como consultoria tributária, contabilidade e finanças, recursos humanos, terceirização, vistos, serviços paralegais e soluções digitais.

O idioma é uma parte importante desse atendimento. Muitas decisões precisam ser discutidas entre equipes no Brasil e executivos ou matrizes na China, enquanto documentos, normas e procedimentos brasileiros estão disponíveis em português. Por isso, além da prestação dos serviços, parte do trabalho envolve explicar regras e processos brasileiros diretamente às equipes chinesas em mandarim.

O mesmo movimento deu origem a outras iniciativas da empresa. A Feira de Recrutamento de Empresas Chinesas, por exemplo, surgiu a partir da dificuldade dessas companhias em encontrar profissionais no Brasil, especialmente para posições que exigem conhecimento do mercado local e, em alguns casos, domínio do mandarim.

A iniciativa chegou à oitava edição em agosto deste ano. Realizada em São Paulo, a feira reuniu 30 empresas chinesas, com 503 vagas abertas, e recebeu 3.116 inscrições. Ao longo do dia, 1.576 pessoas passaram pelo evento. O que começou como uma resposta a uma dificuldade de contratação passou a reunir, em um mesmo espaço, empresas que já operam no país e profissionais interessados em trabalhar nessas companhias.