O Brasil se tornou o maior destino das exportações chinesas de veículos de nova energia no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, a China enviou 299.803 unidades ao mercado brasileiro, alta de 158% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Associação de Carros de Passageiros da China (CPCA).
A categoria de veículos de nova energia (NEV, na sigla em inglês) reúne principalmente modelos totalmente elétricos e híbridos plug-in. No total, a China exportou 2,42 milhões desses veículos nos primeiros seis meses do ano, crescimento de 70% na comparação anual.
Com o aumento dos embarques, o Brasil ultrapassou a Bélgica, que recebeu 209.217 NEVs chineses no período. Reino Unido, com 181.260 unidades, Austrália, com 167.126, e Tailândia, com 126.646, aparecem nas posições seguintes.
O país também ganhou espaço quando considerados todos os tipos de veículos exportados pela China. No primeiro semestre, foram 410.825 unidades destinadas ao Brasil, o segundo maior volume entre os mercados externos chineses. A Rússia ficou na primeira posição, com 448.157 veículos. Em 2025, o Brasil ocupava o quinto lugar nesse ranking.
Montadoras chinesas aumentam produção no Brasil
O crescimento das exportações ocorre ao mesmo tempo em que fabricantes chinesas passam de uma estratégia baseada principalmente na venda de veículos importados para a produção local.
A BYD iniciou em março de 2024 as obras de seu complexo industrial em Camaçari, na Bahia. Em 16 de julho deste ano, a fábrica chegou à marca de 100 mil veículos produzidos e a 5,5 mil trabalhadores diretos.
A GWM inaugurou em agosto de 2025 sua fábrica de Iracemápolis, em São Paulo, a primeira unidade produtiva da empresa nas Américas. A montadora também prepara uma segunda fábrica brasileira em Aracruz, no Espírito Santo, cujo projeto prevê uma operação industrial completa.
Outro movimento envolve a chinesa Geely e a francesa Renault. As empresas anunciaram em novembro de 2025 investimentos conjuntos de R$ 3,8 bilhões no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná, para novos modelos e plataformas. A parceria também permite à Geely utilizar a estrutura industrial e a rede comercial da Renault no país.
Esse processo de localização ocorre enquanto o Brasil eleva as tarifas sobre a importação de veículos eletrificados. Desde julho de 2026, veículos completos e modelos semidesmontados, conhecidos como SKD, estão sujeitos a imposto de importação de 35%. Para veículos totalmente desmontados, ou CKD, a alíquota de 35% passa a valer em janeiro de 2027.
A Camex também criou uma cota temporária de US$ 463 milhões para importações de veículos CKD e SKD com alíquota zero entre julho e dezembro deste ano. Carros importados já montados não fazem parte da cota.
Fonte: Xinhua

