O Brasil pretende fazer em 2026 sua primeira emissão de títulos da dívida pública em yuan no mercado chinês e planeja repetir esse tipo de operação anualmente. Conhecidos como Panda Bonds, esses papéis permitem que governos e empresas estrangeiras captem recursos diretamente no mercado da China.
O Tesouro Nacional informou aos reguladores chineses, em 25 de junho, a intenção de emitir 5 bilhões de yuans, cerca de US$ 740 milhões. A entrada nesse mercado faz parte da estratégia de diversificar as fontes de financiamento do país e também pode criar uma referência para empresas brasileiras interessadas em captar recursos na China.
A previsão de manter emissões regulares foi apresentada por Francisco Segundo, subsecretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional, durante o seminário “Panda Bonds: A Nova Fronteira da Cooperação Financeira entre Brasil e China”, realizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
Isso ocorre porque os títulos emitidos pelo governo costumam servir de parâmetro para os custos e riscos de empresas do mesmo país que pretendem acessar o mercado. Com uma presença recorrente do Tesouro na China, a emissão soberana pode criar uma curva de juros de referência para outras operações brasileiras.
Nesse caso, porém, uma empresa brasileira chegou primeiro. A Suzano estreou nesse mercado em 2024 e, segundo Emilio Chen Yeh, diretor financeiro da companhia para a Ásia, já captou 2,6 bilhões de yuans, cerca de US$ 385 milhões, por meio de três emissões.
De acordo com o executivo, mudanças recentes nas regras chinesas contribuíram para tornar esse mercado mais atrativo. Empresas estrangeiras podem transferir os recursos captados para o exterior sem a necessidade de autorizações específicas, enquanto os prazos de vencimento dos títulos passaram gradualmente a chegar a até sete anos.
Outro fator é o custo do crédito no mercado chinês. Segundo Alexandre Lowenkron, CEO do BOCOM BBM, o mercado de Panda Bonds cresce cerca de 30% ao ano. Ele atribuiu parte desse movimento ao volume de recursos disponíveis para investimento na China e às taxas de juros mais baixas.
Lowenkron afirmou que o governo chinês emitiu títulos com taxas próximas de 1,5% ao ano em renminbi, enquanto empresas com perfil de risco semelhante ao da Suzano conseguiram captar recursos com taxas entre 2,5% e 3% ao ano.
O executivo também afirmou que não há obstáculos significativos para a contratação de proteção contra variações cambiais, conhecida como hedge, nesse tipo de operação.
Segundo Lowenkron, empresas brasileiras com relações comerciais com a China, como Petrobras, Vale, JBS, WEG e Embraer, estão entre as companhias que poderiam se beneficiar desse mercado como alternativa de financiamento.
Fonte: Xinhua

