A Geely e a Ford anunciaram um acordo para criar uma joint venture na fábrica de Valência, na Espanha, onde produzirão veículos elétricos para o mercado europeu. A parceria, que ainda depende de aprovação regulatória, marca mais um passo na mudança de estratégia das montadoras chinesas, que passaram a investir em produção local e desenvolvimento tecnológico no exterior, em vez de depender apenas da exportação de veículos.
Pelo acordo, as duas empresas vão compartilhar a estrutura da fábrica espanhola para fabricar modelos das marcas Geely e Ford destinados à Europa. A previsão é que a joint venture entre em operação no primeiro semestre de 2027 e que o primeiro veículo seja produzido em 2028. Segundo analistas citados no relatório, utilizar uma unidade já existente reduz custos, encurta o tempo de implantação e diminui os riscos em comparação à construção de uma nova fábrica.
O acordo acompanha uma mudança mais ampla na internacionalização da indústria automotiva chinesa. Além de ampliar a produção em outros países, as empresas também passaram a exportar tecnologias e estabelecer parcerias para desenvolver sistemas inteligentes adaptados aos mercados locais.
Um exemplo é a Horizon Robotics, que anunciou o aprofundamento da cooperação com o Grupo Volkswagen para desenvolver modelos de inteligência artificial voltados à direção assistida. A XPeng, por sua vez, concluiu na Alemanha os testes de adaptação de seu sistema de direção inteligente com IA Turing e integrou o Google Maps aos veículos destinados aos mercados internacionais. A empresa prevê disponibilizar essas soluções adaptadas às condições de cada país a partir de 2027. Direção assistida reúne tecnologias que auxiliam o motorista em funções como manter o veículo na faixa e controlar a velocidade, sem substituir a condução humana.
Segundo representantes do setor, a mudança ocorre em um momento em que o mercado automotivo chinês cresce em ritmo menor e a concorrência interna se intensifica. Com isso, a internacionalização deixou de significar apenas vender veículos para outros países e passou a incluir fábricas, centros de pesquisa e fornecedores instalados nos mercados onde as empresas pretendem atuar.
Especialistas avaliam que a produção local facilita o cumprimento de exigências regulatórias, reduz custos logísticos e fortalece a presença das marcas no longo prazo. Ao mesmo tempo, operar em diferentes países exige adaptação às regras locais e investimentos maiores em pesquisa, cadeia de suprimentos e assistência técnica.
Apesar das oportunidades, a expansão internacional traz desafios. Li Feng, vice-diretor do Departamento de Pesquisa de Internet dos Veículos e Transporte Inteligente da Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicações, afirma que o aumento das exigências regulatórias em diferentes países elevou os custos e a complexidade para comercializar veículos e tecnologias no exterior. Segundo ele, o setor precisará transformar padrões tecnológicos desenvolvidos na China em referências aceitas internacionalmente para sustentar esse processo de internacionalização.
Fonte: news.cn

