A China pretende estimular o consumo das famílias por meio da criação de empregos, do aumento da renda e da expansão da proteção social durante o 15º Plano Quinquenal, que abrange o período de 2026 a 2030. As medidas respondem ao desafio de elevar o poder de compra da população e aumentar a participação do consumo no crescimento econômico do país.
As diretrizes aparecem no recém-publicado Plano Quinquenal para a Expansão do Consumo. O documento estabelece ações para criar empregos de melhor qualidade, elevar a renda por diferentes fontes, melhorar a seguridade social e aumentar os gastos públicos em áreas como educação, saúde e assistência a idosos.
A estratégia parte do princípio de que a recuperação do consumo depende menos de incentivos pontuais às compras e mais da segurança financeira das famílias. Emprego estável, expectativa de aumento da renda e menor necessidade de reservar recursos para despesas médicas ou cuidados na velhice tendem a dar mais confiança aos consumidores.
Emprego como base do consumo
Entre as medidas adotadas, a Região Autônoma Uigur de Xinjiang passou a oferecer apoio a micro e pequenas empresas que contratem recém-formados e pessoas com dificuldade de entrar no mercado de trabalho. Os incentivos incluem subsídios para contribuições à seguridade social e para a qualificação profissional.
A região também direciona políticas a trabalhadores rurais e outros grupos considerados mais vulneráveis ao desemprego. As ações combinam formação profissional, intermediação de vagas e proteção de direitos trabalhistas.
Em outras partes do país, governos locais buscam criar postos de trabalho em setores como economia digital e energia limpa. Também há iniciativas para aproximar os programas de ensino e qualificação das necessidades das empresas, reduzindo a distância entre as habilidades dos trabalhadores e os requisitos das vagas disponíveis.
Esse desequilíbrio aparece quando empresas têm postos abertos, mas não encontram profissionais preparados, enquanto trabalhadores não conseguem ocupar as oportunidades existentes. O governo chinês pretende enfrentar o problema por meio da coordenação entre educação, treinamento e políticas de emprego.
Governos locais buscam aumentar a renda
Outra frente da estratégia é elevar a renda de moradores das cidades e das áreas rurais. Algumas regiões passaram a apoiar atividades econômicas locais capazes de gerar emprego e manter uma parcela maior do valor da produção dentro das próprias comunidades.
No condado de Xuyi, na província de Jiangsu, a criação de lagostins tornou-se uma das principais fontes de renda rural. Em 2025, a área destinada à atividade chegou a 1 milhão de mu, equivalente a cerca de 66,7 mil hectares. A renda gerada pelo setor respondeu por 32,5% da renda disponível por agricultor no condado.
A província de Sichuan adotou um plano para dobrar a renda dos agricultores, com medidas para que uma parcela maior do valor gerado pela cadeia do agronegócio permaneça nas áreas rurais. Liaoning, por sua vez, passou a utilizar programas de participação acionária e distribuição de ações a funcionários como uma forma de aumentar a renda obtida com patrimônio.
As iniciativas mostram que o governo pretende atuar em diferentes fontes de rendimento, incluindo salários, atividades agrícolas, empreendedorismo e participação nos resultados das empresas.
Proteção social busca reduzir insegurança financeira
A China também pretende usar a seguridade social para diminuir despesas que levam as famílias a poupar por precaução. Uma das medidas começou em 1º de janeiro de 2026, com a criação de subsídios nacionais para serviços de assistência a idosos com deficiência moderada ou grave.
O benefício ajuda a pagar serviços prestados em instituições ou no atendimento domiciliar. O objetivo é reduzir o peso desses gastos no orçamento das famílias e liberar parte da renda para outras necessidades.
As diretrizes também preveem reajustes graduais na aposentadoria básica destinada a moradores urbanos e rurais, revisão periódica do padrão mínimo de subsistência e aumento dos gastos públicos em educação, saúde e cuidados com idosos.
Essas despesas são tratadas como parte da política de consumo porque reduzem a necessidade de as famílias manterem uma reserva elevada para serviços essenciais. Quanto maior a cobertura pública, menor tende a ser a insegurança em relação a despesas futuras.
Fonte: news,cn

