A marca canadense Lululemon, especializada em roupas e acessórios para yoga, corrida e outras atividades esportivas, encontrou na China um de seus principais mercados de crescimento global. Em 2025, a receita da empresa no país cresceu 29%, ritmo quase seis vezes superior ao crescimento global da companhia, de 5%. O desempenho acompanha o fortalecimento da economia do bem-estar na China, marcada pelo aumento dos investimentos dos consumidores em saúde, atividade física e qualidade de vida.
A trajetória da marca acompanha uma mudança que vem ganhando força entre as gerações mais jovens da China. Se durante anos o consumo aspiracional esteve associado principalmente a bens de luxo e símbolos de status, hoje uma parcela crescente dos consumidores direciona seus gastos para experiências e produtos ligados ao bem-estar físico e mental.
Segundo a consultoria Moojing Global, o mercado online de saúde e bem-estar da China movimentou 304,4 bilhões de yuans em 2025, alta de 15,8% em relação ao ano anterior. O levantamento aponta que categorias relacionadas a exercícios físicos, nutrição, saúde preventiva e autocuidado continuam entre as que registram maior expansão no país.
A mudança também aparece em pesquisas sobre comportamento do consumidor. Segundo o China-Britain Business Council (CBBC), a China já possui o segundo maior mercado de saúde e bem-estar do mundo e deve alcançar US$1,6 trilhão até 2030. O avanço é impulsionado principalmente por millennials e integrantes da Geração Z, que passaram a adotar uma visão mais ampla sobre o conceito de saúde.
Para esses consumidores, o bem-estar não está restrito à prática de exercícios físicos ou à prevenção de doenças. O conceito passou a incluir saúde mental, qualidade do sono, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, alimentação saudável e até a combinação entre práticas da medicina tradicional chinesa e soluções modernas de saúde. Essa mudança tem influenciado decisões de compra em setores que vão de alimentos e suplementos a academias, vestuário esportivo e experiências ligadas ao autocuidado.
A aposta da Lululemon no mercado chinês
A Lululemon entrou no mercado chinês em 2013, quando a prática de atividades como yoga e corrida ainda ocupava um espaço relativamente pequeno no país. Desde então, a empresa expandiu sua presença de forma gradual e encerrou 2025 com mais de 170 lojas na China. Além da venda de produtos, a marca estruturou sua atuação em torno de uma estratégia centrada em comunidade, com eventos de corrida, aulas de yoga, treinos coletivos e programas conduzidos por embaixadores locais.
Diferentemente de marcas esportivas que concentram sua atuação na venda de equipamentos, a Lululemon opera com um modelo que combina varejo e experiência. As lojas funcionam como pontos de encontro para atividades físicas e convivência, enquanto instrutores e embaixadores locais ajudam a sustentar uma rede de prática esportiva que reforça a presença da marca no cotidiano dos consumidores. O produto, nesse caso, atua como extensão de um estilo de vida já praticado dentro dessas comunidades.
Essa estratégia reduz a dependência de publicidade tradicional e desloca o foco da comunicação para a construção de vínculos recorrentes com consumidores urbanos. Com isso, a empresa aposta em microcomunidades ligadas a modalidades específicas, como corrida de rua, yoga e treinamento funcional, especialmente em grandes centros urbanos chineses.
O crescimento da operação chinesa tem sido particularmente relevante para a companhia em um momento de desaceleração internacional. No primeiro trimestre de 2026, a receita da Lululemon na China aumentou 23% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Reuters. O resultado contrastou com um cenário mais desafiador enfrentado pela empresa em outras regiões. Para 2026, a expectativa divulgada pela empresa é de crescimento próximo a 20% no país, percentual superior ao projetado para o restante de suas operações globais.

