A Academia Chinesa de Ciências anunciou o lançamento do sistema de modelos “PanShi 100”, uma plataforma que integra inteligência artificial ao processo de pesquisa científica. A iniciativa sinaliza a mudança de projetos isolados para um modelo baseado em colaboração, integração de dados e automação de tarefas científicas.
Segundo Zeng Dajun, pesquisador do Instituto de Automação da instituição, o sistema tem como base o “Grande Modelo Científico Fundamental PanShi”, combinado a modelos especializados por área. A estrutura opera com agentes inteligentes voltados a cenários específicos de pesquisa e organiza uma plataforma digital que cobre diferentes etapas da produção científica.
O modelo fundamental foi treinado com dados científicos especializados e executa tarefas como análise, interpretação e geração de conteúdo técnico. Desde a versão 1.0, lançada em janeiro de 2025, a equipe ampliou as capacidades do sistema. A versão 1.5 Pro incorpora três modelos multimodais, baseados em ondas, espectros e campos, e amplia funções como respostas científicas, raciocínio de longo prazo e processamento multimodal.
Na análise de dados de ondas, por exemplo, o sistema identifica padrões em sinais complexos e permite aplicações como monitoramento em tempo real de fenômenos astronômicos, substituindo análises posteriores por sistemas de alerta.
Com base nesse modelo, o “PanShi 100” passou a operar três funções principais ao longo do ciclo de pesquisa. A “Bússola de Literatura” apoia a leitura de artigos e a elaboração de revisões bibliográficas. A “Avaliação de Inovação” acompanha tendências científicas e industriais e identifica possíveis direções de pesquisa. Já a “Fábrica de Agentes Inteligentes” reúne mais de 2 mil ferramentas científicas e integra recursos para diferentes áreas do conhecimento.
A academia também desenvolve modelos específicos para setores como matemática, física, ciência dos materiais, astronomia, geociências, biologia e aeroespacial. Nesse último campo, o modelo “Panshi-NearSpace” foca no espaço próximo à Terra e integra conhecimentos de energia, materiais e controle de voo para apoiar pesquisas e aplicações em ambiente aeroespacial.
De acordo com a instituição, o sistema já foi implementado em mais de 50 unidades de pesquisa e atende mais de 100 cenários práticos. As aplicações incluem projetos de observação astronômica, estudos no planalto Qinghai-Tibete e previsão oceânica.
Fonte: gmw

