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Executivos apontam China como base de estabilidade em cenário global incerto

China cenário global
Imagem: Li Ming/ Xinhua

Executivos de multinacionais afirmaram que a China mantém um papel de estabilidade na economia global, mesmo diante de tensões geopolíticas e do avanço do protecionismo. A avaliação foi apresentada em 22 de março, durante o Fórum de Desenvolvimento da China 2026, que reuniu líderes empresariais e autoridades para discutir riscos e oportunidades no cenário internacional.

No encontro, o presidente do conselho da Mercedes-Benz, Ola Källenius, afirmou que a empresa lançará dezenas de novos produtos no mercado chinês nos próximos 24 meses. Segundo ele, o ritmo equivale a um lançamento a cada dois ou três meses, o que indica a prioridade estratégica do país para a montadora.

O posicionamento ocorre em um ambiente de reconfiguração das cadeias globais de suprimentos e desaceleração do crescimento econômico em diferentes regiões. Ainda assim, empresas estrangeiras mantêm planos de expansão na China.

Dados do Ministério do Comércio mostram que o país registrou a abertura de 8.631 novas empresas com investimento estrangeiro nos dois primeiros meses do ano, alta de 14% na comparação anual. No mesmo período, o uso efetivo de capital estrangeiro somou 161,45 bilhões de yuans.

Para lideranças políticas e empresariais, esse movimento reflete a capacidade da economia chinesa de sustentar crescimento e oferecer previsibilidade. A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff, afirmou que a China contribui para a estabilidade global e para o avanço do comércio e da tecnologia. O CEO do Standard Chartered, Bill Winters, também destacou o país como um ponto de referência em um cenário internacional instável.

Källenius afirmou que a China teve papel central no crescimento econômico global nas últimas décadas. Segundo ele, o país cumpriu sua meta de expansão em 2025 e estabeleceu uma projeção de crescimento entre 4,5% e 5% para este ano. Com um PIB de cerca de 140 trilhões de yuans, o volume absoluto de crescimento segue elevado.

Executivos também apontam a consistência da economia chinesa em comparação com outros mercados. Para Dai Pu, copresidente global da Roland Berger, regiões como Europa e Estados Unidos enfrentam ciclos econômicos mais acentuados, enquanto a China apresenta maior estabilidade ao longo do tempo.

Esse cenário se apoia em fatores estruturais. A China mantém uma base industrial completa e lidera a produção global de mais de 200 produtos industriais. Desde o 14º Plano Quinquenal, o valor adicionado da indústria manufatureira supera 30 trilhões de yuans por ano.

Além disso, o mercado consumidor segue em expansão. O país tem mais de 1,4 bilhão de habitantes e uma classe média estimada em mais de 400 milhões de pessoas, com potencial de crescimento na próxima década. Esse fator amplia a demanda interna e sustenta o interesse de empresas estrangeiras.

Outro ponto citado por executivos é a disponibilidade de mão de obra qualificada. A China forma mais de 5 milhões de profissionais por ano nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, além de concentrar um grande contingente de pesquisadores em pesquisa e desenvolvimento.

Diante desse ambiente, empresas ampliam investimentos no país. Källenius afirmou que a Mercedes-Benz pretende expandir suas atividades de pesquisa e desenvolvimento em Pequim e Xangai, além de investir em veículos de novas energias, inteligência artificial e automação industrial.

O CEO da Apple, Tim Cook, também destacou a cooperação com parceiros locais e afirmou que a empresa seguirá envolvida no avanço da manufatura inteligente na China.

As declarações e os dados apresentados no fórum indicam que, mesmo em um cenário internacional marcado por incertezas, a China mantém sua posição como um dos principais destinos de investimento estrangeiro, apoiada em escala de mercado, capacidade industrial e base tecnológica.

Fonte: gmw