A China expandiu a digitalização da manufatura nos últimos anos, com a adoção de inteligência artificial (IA), redes 5G e sistemas automatizados nas fábricas. Esse movimento busca elevar a eficiência das linhas de produção, reduzir custos e reforçar a competitividade industrial. Empresas introduzem equipamentos autônomos, migram dados para a nuvem e formam clusters industriais de manufatura inteligente.
Dados oficiais mostram que, em 2025, o país já contava com mais de 7.000 fábricas inteligentes de nível avançado e mais de 500 de nível excelente. O governo também registrou mais de 20 mil projetos de redes privadas industriais 5G e mais de 8.000 fábricas com 5G. Além disso, o ecossistema industrial reunia mais de 600 mil pequenas e médias empresas tecnológicas e inovadoras, 504 mil empresas de alta tecnologia, mais de 140 mil PMEs “especializadas, refinadas, diferenciadas e inovadoras”, 17,6 mil “pequenas gigantes” e 1.862 campeãs individuais da manufatura.
Du Chuanzhong, diretor do Instituto de Economia Industrial da Universidade de Nankai, afirmou que integrar IA à indústria manufatureira eleva o nível de digitalização e fortalece a competitividade. Segundo ele, essa integração fortalece cadeias industriais e de suprimentos, estimula novas formas de produção e contribui para o crescimento econômico.
O documento “Opiniões sobre a Implementação da Ação Especial ‘Inteligência Artificial + Manufatura’”, divulgado pelo governo, propõe duas frentes. A primeira reforça a oferta tecnológica e promove a “industrialização da inteligência”. A segunda intensifica a aplicação da IA nas fábricas e acelera a “inteligência da indústria”. O objetivo declarado é consolidar o ecossistema industrial, integrar inovação científica e industrial em IA e acelerar o desenvolvimento inteligente, verde e integrado da manufatura.
Esse avanço ocorre por meio de iniciativas empresariais. Empresas de diferentes regiões adotam equipamentos autônomos, criam sistemas digitais e elevam o controle operacional.
Em Qingdao (Shandong), uma fábrica de equipamentos usa AGVs para distribuição de materiais, sistemas de inspeção visual por IA para identificação de defeitos e sensores para coleta de dados em tempo real. A empresa relata 99,7% de precisão no sistema de inspeção visual e capacidade de manutenção preditiva com 72 horas de antecedência, elevando a eficiência global dos equipamentos para mais de 85%.
Em Mianyang (Sichuan), um parque de manufatura inteligente de robôs opera ônibus, veículos de conexão e veículos logísticos sem motorista. No centro de operações, a IA decompõe tarefas e planeja rotas. Um representante de uma empresa local informou que mais de 50 equipamentos autônomos do parque operam sob um sistema de “um cérebro, múltiplos controles”, o que reduz custos e aumenta a eficiência da gestão. A empresa desenvolveu uma plataforma em nuvem de controle inteligente e conectado que integra drones, robôs quadrúpedes e outros dispositivos.
Em Shenyang (Liaoning), uma empresa de equipamentos adotou guindastes automatizados, máquinas CNC e painéis de monitoramento. Após a digitalização, a eficiência do processamento de componentes centrais subiu 28,2%. A empresa economizou mais de 1,9 milhão de desenhos por ano e passou a operar uma plataforma de monitoramento remoto que atende cerca de 400 clientes, com serviços de alerta e manutenção.
Em Nanjing (Jiangsu), uma empresa de equipamentos de comunicação sem fio e computação usa AGVs para transporte e braços robóticos com câmeras de IA para inspeção. O responsável informou que o “cérebro inteligente” industrial coordena múltiplos agentes, aumenta a eficiência produtiva em 42% e reduz a taxa de defeitos em 47%. Com redes privadas 5G, clusters de computação e grandes modelos de IA, a empresa já apoiou mais de mil companhias dos setores eletrônico, de mineração e siderurgia na digitalização.
O avanço digital também amplia o escopo da manufatura para serviços. Yang Gangqiang, professor associado da Universidade de Wuhan, afirma que a digitalização cria modelos como economia de plataformas e serviços inteligentes, que oferecem soluções modulares e atendem outras empresas, especialmente PMEs.
Du Chuanzhong alerta que os investimentos iniciais pressionam o caixa das pequenas e médias empresas. Ele recomenda subsídios e fundos especiais para digitalização, aprimoramento do ecossistema de serviços e promoção de casos de referência. Também defende a formação de talentos que compreendam tecnologia, gestão e operação.
Fonte: people.com.cn

