Empreendedorismo

Vendas por transmissões ao vivo superam RMB 1 trilhão na China e alcançam marco histórico

Vendas por transmissões ao vivo
Imagem: Xinhua

As vendas realizadas por transmissões ao vivo na China ultrapassaram RMB 1 trilhão no primeiro semestre de 2026, com crescimento de 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O dado foi divulgado no relatório semestral da economia chinesa e, pela primeira vez, passou a integrar oficialmente os indicadores acompanhados pelo Departamento Nacional de Estatísticas do país, sinalizando que esse modelo de comércio ganhou relevância para a economia nacional.

O chamado livestream commerce é um formato de comércio eletrônico em que produtos e serviços são vendidos durante transmissões ao vivo, permitindo que consumidores acompanhem demonstrações e façam compras em tempo real.

O novo indicador mostra que esse segmento cresceu acima da média do comércio eletrônico chinês. Enquanto as vendas online de bens e serviços avançaram 5,2% no semestre, o comércio por transmissões ao vivo registrou alta de 6,5%. No mesmo período, as vendas de serviços cresceram 5,3%, enquanto o varejo de bens aumentou 1,1%. Já o varejo total de bens e serviços expandiu 2,7%.

Os números indicam uma mudança no comportamento do consumidor chinês. Em vez de procurar produtos em lojas virtuais, cada vez mais consumidores compram a partir de transmissões feitas por produtores rurais, fabricantes, especialistas e influenciadores. O formato também vem sendo utilizado para comercializar livros, alimentos, produtos industriais e serviços.

Outro segmento em expansão é o instant retail, modalidade em que a compra é feita online com entrega em um curto intervalo de tempo, geralmente em poucas horas. Segundo o relatório, esse mercado cresceu mais de 20% no primeiro semestre, desempenho superior ao do comércio eletrônico como um todo.

O avanço do livestream commerce também tem impacto sobre a cadeia produtiva. Empresas passaram a utilizar transmissões ao vivo para apresentar produtos diretamente ao consumidor, esclarecer dúvidas técnicas e reduzir etapas entre fabricantes, distribuidores e clientes. No campo, produtores rurais vendem alimentos recém-colhidos diretamente ao público, enquanto empresas utilizam o formato para ampliar a divulgação de marcas e produtos.

O crescimento acelerado, porém, trouxe novos desafios regulatórios. Entre os principais problemas apontados estão publicidade enganosa, manipulação de vendas e avaliações, falhas no atendimento pós-venda e dificuldades enfrentadas pelos consumidores para comprovar irregularidades em disputas sobre trocas e devoluções.

Diante desse cenário, a Administração Estatal para a Regulação do Mercado e o Ministério do Comércio da China colocaram, no início de julho, em consulta pública uma proposta de revisão da Lei do Comércio Eletrônico. Será a primeira atualização ampla da legislação desde sua entrada em vigor, em 2019.

A proposta inclui regras específicas para vendas realizadas por transmissões ao vivo e redes sociais, amplia as responsabilidades das plataformas digitais, integra mecanismos de fiscalização online e presencial e prevê medidas mais rígidas contra práticas consideradas ilegais.

Fonte: people.com.cn