16 de dezembro de 2025
O Ministério da Ecologia e Meio Ambiente da China informou no dia 16 que três normas nacionais de ecologia e meio ambiente, entre elas as Normas de Qualidade do Ar Ambiente (versão para consulta pública) e suas especificações técnicas complementares, estão abertas para consulta pública. A proposta revisa os limites de concentração de PM2,5, PM10, dióxido de enxofre e dióxido de nitrogênio, com o objetivo de reduzir riscos à saúde pública e orientar políticas de controle da poluição atmosférica. A revisão ocorre após anos de debate técnico sobre a necessidade de elevar os padrões de qualidade do ar. Segundo He Kebin, acadêmico da Academia Chinesa de Engenharia e diretor do Instituto de Neutralidade de Carbono da Universidade Tsinghua, os padrões atuais orientaram o controle da poluição na última década, mas perderam aderência ao cenário recente. Com a melhora gradual da qualidade do ar, afirmou, tornou-se necessário atualizar os limites. Os atuais Padrões de Qualidade do Ar Ambiente foram revisados em 2012 e entraram em plena vigência em 2016. Eles fixam em 35 microgramas por metro cúbico o limite secundário da concentração média anual de PM2,5, usado como referência de conformidade. Em 2024, quase três quartos das cidades chinesas registraram média anual de PM2,5 igual ou inferior a esse limite. Ainda assim, cerca de metade dessas cidades apresentou concentrações acima de 25 microgramas por metro cúbico. De acordo com He Kebin, estudos de cenário baseados nas atuais políticas de controle de emissões indicam que a adoção de uma meta de 25 microgramas por metro cúbico pode ampliar os benefícios à saúde e sustentar a melhora contínua da qualidade do ar. Pesquisas conduzidas no país mostram que a exposição ao PM2,5, tanto no curto quanto no longo prazo, provoca efeitos adversos à saúde humana. Para Zhu Tong, acadêmico da Academia Chinesa de Ciências e professor da Universidade de Pequim, a revisão dos padrões cria metas de longo prazo e oferece um incentivo adicional para avanços consistentes na qualidade do ar em diferentes regiões. O Rascunho para Consulta Pública propõe reduzir os limites secundários das concentrações médias anuais e diárias de PM2,5 de 35 e 75 para 25 e 50 microgramas por metro cúbico. Para o PM10, os limites cairiam de 70 e 150 para 50 e 100 microgramas por metro cúbico. O texto também prevê a redução dos limites de dióxido de enxofre e dióxido de nitrogênio, considerando seus impactos diretos à saúde e sua contribuição para a formação secundária de PM2,5. A implementação dos novos padrões ocorrerá em duas fases. Entre 2026 e 2030, valerão limites transitórios para o material particulado, com concentrações médias anuais e diárias de PM2,5 fixadas em 30 e 60 microgramas por metro cúbico. A partir de 2031, entram em vigor os limites revisados de forma integral, incluindo os aplicáveis a dióxido de enxofre e dióxido de nitrogênio. Segundo Zhang Shiqiu, professor da Universidade de Pequim, padrões mais rígidos tendem a elevar os custos de controle da poluição no curto prazo e podem pressionar alguns setores da economia. Em contrapartida, afirmou, eles aceleram a modernização industrial e a transição energética. Na avaliação do professor, os custos econômicos crescem menos do que os ganhos em saúde pública, o que sustenta a combinação entre melhoria ambiental e desenvolvimento econômico e social de longo prazo. Fonte: stdaily
11 de março de 2025
O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) divulgou, em 10 de março, um estudo que alerta para os impactos das emissões de gases de efeito estufa na órbita terrestre baixa. A pesquisa, realizada em parceria com a Universidade de Birmingham, no Reino Unido, mostra que o aumento das emissões de gases de efeito estufa enfraquecerá a capacidade da atmosfera de limpar o lixo espacial, e, com o tempo, a capacidade de suporte de satélites e outras aeronaves na órbita terrestre baixa diminuirá. Segundo os pesquisadores, a liberação de dióxido de carbono e outros gases na atmosfera intensifica a radiação infravermelha emitida para o espaço, resfriando e contraindo as camadas superiores da atmosfera. Esse fenômeno reduz a densidade atmosférica na órbita terrestre baixa, entre 200 e 1000 quilômetros de altitude, diminuindo a resistência que normalmente faria com que os detritos queimassem ao reentrar na atmosfera. Com menos atrito, o lixo espacial permanece por mais tempo em órbita, elevando o risco de colisões descontroladas. Simulações realizadas no estudo indicam que, em um cenário de altas emissões, a capacidade da órbita terrestre baixa de suportar satélites pode cair entre 50% e 66% até o final do século. Os pesquisadores alertam que, se o número de satélites exceder a capacidade de suporte, há risco de colisões em cadeia, tornando inviável a operação segura de novos satélites na região. O artigo completo foi publicado na revista Nature Sustainability. O principal autor do estudo, William Parker, do MIT, destacou a urgência da questão: "Dependemos da atmosfera para remover os detritos espaciais, e se ela está mudando, todo o ambiente orbital também será afetado". O estudo reforça a necessidade de controlar as emissões de gases estufa para preservar a sustentabilidade das operações espaciais no futuro. Fonte: news.cn
27 de junho de 2023
Nas últimas décadas, a China vivenciou um notável crescimento econômico, o que a transformou em uma potência industrial e tecnológica. No entanto, esse progresso teve consequências negativas, uma vez que a China ocupa o primeiro lugar entre os países mais poluentes do mundo. Sendo o país mais populoso, com uma população superior a 1,4 bilhão de pessoas, e uma das maiores economias, é natural que a China enfrente desafios significativos em relação ao combustível, esgotamento de recursos naturais e mudanças climáticas. Embora tenha obtido progressos notáveis no enfrentamento desses desafios, ainda há muitos obstáculos a serem superados. No ano de 2013, o nível de poluição do ar no país atingiu proporções alarmantes, registrando uma média de 52,1 microgramas por metro cúbico de poluentes, dez vezes superior ao limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Para lidar com o problema, o governo chinês implementou o Plano de Ação Nacional da Qualidade do Ar, no qual resultou em uma notável diminuição na quantidade de partículas prejudiciais presentes no ar ao longo do período entre 2013 e 2020. A iniciativa promoveu a maior redução de combustão ambiental em um país em um período tão curto de tempo. O governo chinês também estabeleceu metas específicas para reduzir o consumo de combustível em 35% nos quatro anos seguintes. Uma das principais estratégias adotadas foi a restrição ao uso do mineral que impulsionou o rápido processo de industrialização da China desde o final do século XX. Esse foi um dos maiores desafios para a China, já que o carvão tornou-se a principal fonte de energia do país. O governo também proibiu a construção de novas usinas de carvão em áreas altamente poluídas, além de exigir que as usinas já existentes reduzissem suas emissões ou migrassem para o uso de gás natural, resultando também no fechamento de diversas minas de carvão. Essas medidas levaram a uma redução significativa da dependência do carvão como fonte de eletricidade, passando de 67% em 2013 para 56% em 2020. Para compensar a descarbonização, o governo chinês aumentou significativamente a geração de energia a partir de fontes renováveis. Em 2017, as chamadas “ novas energias ”, representavam um quarto da geração total de eletricidade do país, ultrapassando até mesmo os Estados Unidos nesse aspecto. Além disso, foram adotadas medidas como a redução da capacidade de produção de ferro e aço, a implementação de cotas alcançadas para circulação de veículos e limitação do número de novas placas de veículos adquiridos. Ainda que o número de veículos em circulação tenha aumentado em 2020, as emissões foram reduzidas, graças às medidas mais rigorosas do governo. No final de 2017, foram suspensas a produção de 553 modelos de veículos nacionais e estrangeiros que apresentavam altos níveis poluentes. Dessa forma, mesmo com o aumento da quantidade de automóveis em atividade, as emissões foram consideravelmente reduzidas. China assume compromisso de reduzir seu consumo durante a Conferência das Partes A COP 21 em 2015 marcou a celebração do Acordo de Paris, um tratado internacional destinado a combater as mudanças climáticas causadas pelas atividades humanas. O acordo foi assinado por 195 países e tem como objetivo principal a redução das emissões de gases de efeito estufa, considerados os principais responsáveis pelo aquecimento global. O Acordo de Paris entrou em vigor em 2016, após extensas negociações entre as nações. A meta central é garantir que o aumento da temperatura global seja mantido bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, e buscar esforços para limitar o aumento a 1,5°C. Foi durante a COP (Conferência das Partes) que a China assumiu o compromisso de reduzir sua poluição, o que resultou nas medidas que estamos presenciando e discutimos anteriormente. Com mais de um quarto das emissões de gases estufa, os compromissos da China têm uma importância maior do que os de qualquer outro país. No entanto, mesmo com as promessas de melhoria, há o risco de que as ações em andamento ainda não sejam suficientes. De acordo com o presidente da CAPES, é necessário que os países intensifiquem suas ações. Brasil entra na lista dos países mais poluentes do mundo Uma pesquisa feita pelo think tank internacional Carbon Brief sobre o histórico acumulado de emissões de dióxido de carbono revelou que o Brasil está entre os países que mais contribuíram para a poluição global. O estudo considerou dados detalhados de emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis, mudanças no uso do solo, produção de cimento e desmatamento no período de 1850 a 2021. Diferente dos estudos anteriores, que se concentravam apenas nas emissões resultantes da queima de combustíveis e não levavam em conta o combustível causado pela destruição florestal, essa pesquisa incluiu todas essas variáveis no cálculo. Como resultado, o Brasil foi posicionado em quarto lugar no ranking de emissões desde 1850. Imagem principal: Photoholgic/ Unsplash
15 de julho de 2022
Quem caminhava pelas ruas da capital da China, Pequim, há apenas sete anos sentia dificuldade para respirar sem o uso de máscara e mal conseguia enxergar o horizonte. Os registros de poluição do ar chegaram a níveis alarmantes. Mas esse cenário já não faz mais parte da maioria das cidades chinesas. O país vem se comprometendo com o desenvolvimento de ações que priorizam a redução de emissão de poluentes, a proteção do meio ambiente, mudança no estilo de vida, produção sustentável e baixo carbono. Estas ações já estão dando resultados. Segundo dados da Universidade de Chicago, o país reduziu 40% da poluição do ar. A China se envolveu em um esforço nacional para a redução de poluição. Conforme as regiões chinesas embarcam nos estágios de desenvolvimentos, diferentes setores vão se adaptando e se preparando para melhorar todo esse processo. Em 2021 foi iniciado o período do 14° Plano Quinquenal da China que vai até 2025. Um ano de referências para unir a redução de poluição e emissões de gases e promover a transformação verde global no desenvolvimento econômico e social. O que diferentes regiões têm feito O presidente da China, Xi Jinping, solicitou esforços para tornar a Região Autônoma da Mongólia, localizada no norte do país, um ponto nacional de energia e outros recursos estratégicos essenciais. Isso tornaria a região base de produção para agricultura e pecuária e uma entrada de abertura ao Norte. Com isso, a Mongólia precisa intensificar a transformação verde de setores essenciais, incentivar uma produção mais limpa e estimular o desenvolvimento verde e baixo carbono. Shanghai tem planos que abrangem as três ilhas: Changxing vai ser uma ilha de baixo carbono; Chongming neutra em carbono; e Hengsha em zero carbono. Além disso, pretendem construir uma área para demonstrar a neutralidade do carbono. Já Beijing, por exemplo, irá focar na união do trabalho antipoluição e redução de carbono e seguirá em direção ao objetivo de neutralizar a emissão do gás. A província de Qinghai, no noroeste do país, deve dar prioridade à proteção ecológica, alta qualidade de vida para o povo e promover o desenvolvimento de alta qualidade. Em discussão com os legisladores da região, Jinping também incentivou-os a construir uma base industrial de produção de sal de lagos de classe mundial. No leste da China, Zhejiang vai implementar a conservação de recursos para incentivar o uso econômico e intensivo, assim como a reciclagem de recursos, promovendo um estilo de vida mais simples, verde e de baixo carbono. Recentemente, Jinping declarou que a China pretende trabalhar com os Estados Unidos para melhorar a governança global e que pretende neutralizar a emissão de carbono até 2060. Crédito: Redação China2Brazil