17 de junho de 2026
A China implementará, até o final de 2027, um sistema unificado de codificação para todos os novos edifícios do país. A medida permitirá atribuir um código único a cada construção e integrar digitalmente informações de todo o ciclo de vida dos imóveis, incluindo projeto, construção, inspeção, operação, manutenção, reformas e transações . A iniciativa foi formalizada por meio de um comunicado conjunto do Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano-Rural e da Administração Nacional de Dados. O sistema criará uma identificação digital exclusiva para cada edifício, com o objetivo de centralizar e compartilhar informações entre diferentes órgãos públicos e fortalecer a gestão urbana baseada em dados. De acordo com o documento, o código unificado funcionará como a identificação oficial das edificações e servirá de base para a formação de bancos de dados nacionais. O identificador acompanhará o imóvel desde sua construção até eventuais reformas, ampliações ou mudanças de uso. O governo chinês também estabeleceu a meta de concluir, até 2030, uma base de dados nacional que reúna informações de todo o ciclo de vida dos edifícios. A expectativa é ampliar a capacidade de gestão do setor imobiliário e apoiar a modernização da governança urbana. A codificação será obrigatória para novas construções, ampliações e reformas. Antes da emissão da licença de construção, cada empreendimento receberá um código por meio do sistema de aprovação de projetos de engenharia. Entre os dados vinculados ao registro estarão tipo estrutural, área construída, altura, número de pavimentos, uso principal, informações espaciais e geográficas, código do projeto e identificação do terreno. O código passará a constar na licença eletrônica de construção e será atualizado após a conclusão da obra. Em edifícios residenciais, o sistema permitirá a identificação individual de cada unidade habitacional. Além dos novos empreendimentos, a China também iniciará a codificação dos edifícios já existentes. Para isso, governos locais utilizarão informações provenientes do Censo Nacional de Riscos de Desastres Naturais, arquivos de construção urbana, cadastros imobiliários e registros de compra, venda e locação. A medida busca criar uma base de dados mais completa sobre as características físicas e espaciais das edificações em todo o país. Fonte: news.cn
11 de novembro de 2025
A 15ª edição dos Jogos Nacionais da China, realizada entre 9 e 21 de novembro de 2025, transformou o evento esportivo em uma vitrine de inovação tecnológica. Em diferentes cidades-sede, recursos de inteligência artificial, big data e realidade aumentada estão sendo usados para modernizar arenas, garantir segurança e melhorar a experiência dos torcedores. Em Shenzhen, o Estádio do Centro Esportivo de Bao’an, com capacidade para 40 mil pessoas, abriga as partidas de futebol masculino das categorias Sub-20 e Sub-18. Mais de 90% das arenas usadas nesta edição foram reformadas a partir de estruturas já existentes, sem a construção de novos grandes estádios. O local passou por uma modernização centrada em digitalização e IA. Um centro inteligente de operações integra big data, computação em nuvem e internet das coisas para gerenciar as funções do estádio. Foram incorporados sistemas de guia em realidade aumentada e assistentes digitais com IA. Por meio de QR codes, o público acessa mapas interativos, horários das competições e informações sobre ingressos. A tecnologia também está presente fora das arenas. Robôs participam de diferentes etapas do evento, do revezamento da tocha às inspeções elétricas, e se tornaram símbolo da integração entre esporte e inovação. O Departamento de Polícia de Shenzhen utiliza robôs de patrulha equipados com 5G, IA, IoT e big data para reforçar a segurança. Eles circulam de forma autônoma ao redor das arenas, auxiliam nas rondas e fornecem informações ao público. Em emergências, enviam alertas ao centro de comando. Veículos autônomos também ajudam no controle do tráfego, identificando irregularidades e otimizando a circulação nas áreas próximas. A Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau se consolida como polo global de inovação tecnológica. Muitas soluções de IA e robótica usadas nos Jogos foram desenvolvidas por empresas locais, evidenciando a capacidade da região em transformar pesquisa em aplicação prática. O desempenho dessas tecnologias tende a ampliar a visibilidade internacional da área e atrair novos investimentos e talentos. Outro exemplo da renovação tecnológica está em Guangzhou. O ginásio da cidade, inaugurado em 2001 e reformado para esta edição, sedia competições de ginástica de trampolim, vôlei masculino Sub-18 e basquete em cadeira de rodas. O local incorporou um sistema de navegação em realidade aumentada, acessado pelo miniaplicativo “Quan Yun Guangzhou”. Ao digitar o número do assento, o espectador é guiado até o local em tempo real. O ginásio também passou por melhorias de acessibilidade para os Jogos Nacionais e Paraolímpicos. Durante as partidas, o público acompanha com entusiasmo as disputas em um espaço totalmente atualizado. A ex-capitã da seleção chinesa de vôlei feminino, Li Guojun, esteve presente e destacou a importância da modernização para o esporte. Para incentivar o consumo, o ginásio lançou uma campanha de benefícios vinculada aos ingressos. Segundo Wu Jiawei, gerente de eventos da Guangzhou Gymnasium Branch of Zhujiang WenTi, os descontos se estendem a atrações turísticas, hotéis e centros comerciais da cidade. Fonte: news.cctv.com
15 de outubro de 2025
Com mais de 81 mil publicações entre 2020 e 2024 sobre Inteligência Artificial (IA) aplicada a dispositivos médicos, a China lidera o cenário mundial em pesquisa e inovação no setor, segundo o White Paper sobre Pesquisa de Inovação em Dispositivos Médicos da China. O país combina tecnologia de ponta com a medicina tradicional chinesa (MTC), prática milenar que ainda atende grande parte da população. A digitalização da medicina tradicional chinesa A MTC se baseava historicamente em observações empíricas e no uso de ervas naturais. Para modernizar essa prática, pesquisadores concentraram esforços no isolamento de ingredientes ativos e na criação de bancos de dados estruturados. Um exemplo é o TCMBank, desenvolvido pela Universidade Sun Yat-sen. O banco reúne informações sobre 9.192 ervas, 61.966 ingredientes ativos e 15.179 alvos biológicos. Ele utiliza um Módulo de Identificação Inteligente (IDIM), capaz de coletar automaticamente dados de livros, artigos e bancos de dados sobre MTC, validados por revisão dupla. Essa plataforma permite identificar compostos com potencial terapêutico e mapear interações entre medicamentos, acelerando pesquisas e desenvolvimento de novos fármacos. O grande desafio da MTC é a heterogeneidade e o volume dos dados, gerados em diferentes formatos e ritmos. Modelos tradicionais de análise não são suficientes para lidar com os chamados “quatro Vs” do big data: volume, variedade, velocidade e veracidade. A IA se tornou essencial para padronizar, interpretar e analisar essas informações de forma confiável. Hospitais inteligentes com IA Hospitais e universidades chinesas têm aplicado IA em diagnósticos, tratamento e ensino. O Instituto de Pesquisa da Indústria de IA da Universidade Tsinghua inaugurou, no primeiro semestre de 2025, o primeiro hospital totalmente integrado por agentes inteligentes, com 21 departamentos e mais de 300 diagnósticos de doenças, tudo de forma automatizada. O sistema alcança 93% de precisão em testes, processando casos clínicos 100 vezes mais rápido do que ferramentas digitais convencionais. O hospital funciona como um ecossistema completo, além de diagnósticos e prescrições, ele realiza análise de exames de imagem, acompanhamento de pacientes crônicos e monitoramento remoto. A plataforma utiliza modelos de aprendizagem de conjunto que combinam múltiplos algoritmos, garantindo maior precisão e capacidade de generalização de dados. Em Shenzhen, quase 450 produtos de IA já foram implementados em hospitais e centros de saúde comunitários. No Hospital da Universidade de Medicina Chinesa de Pequim, terminais inteligentes analisam o rosto e a língua dos pacientes, oferecendo avaliações rápidas de saúde. Robôs auxiliam em acupuntura e fisioterapia, cruzando dados de imagem e movimento para personalizar tratamentos. Sistemas de IA transcrevem consultas e padronizam prontuários com alta precisão, reconhecendo diferentes dialetos regionais. Outros hospitais também adotam soluções semelhantes. Em Linfen, na província de Shanxi, o Hospital Popular investiu CNY 15,69 milhões no LLM da DeepSeek para criar uma plataforma de triagem inteligente e um centro regional de computação. Em Hangzhou, o Hospital Afiliado da Universidade de Zhejiang desenvolveu um modelo de patologia que combina imagem e linguagem para identificar rapidamente amostras suspeitas. Já o Hospital Xijing, em Xi’an, implementou com a DeepSeek um assistente clínico de IA treinado em registros médicos reais, que agiliza diagnósticos e documentação. No setor privado, plataformas como JD Health, braço de saúde da JD.com, têm investido em médicos de IA. Até o final de 2025, o sistema Jingyi contará com mil profissionais virtuais especializados, incluindo dermatologistas, psiquiatras e especialistas em MTC. Eles respondem a dúvidas médicas, recomendam medicamentos disponíveis na plataforma e agendam consultas. Segurança, confiabilidade e regulação A rapidez do avanço tecnológico traz um novo dilema, como garantir a veracidade e a segurança dos dados usados em modelos de IA médica. Especialistas alertam que, sem controle de qualidade rigoroso, erros de classificação ou vieses nos conjuntos de treinamento podem comprometer diagnósticos ou prescrições. Para reduzir esses riscos, universidades e empresas estão investindo em modelos híbridos que combinam IA com supervisão humana. A meta é criar sistemas interpretáveis e rastreáveis, em que cada decisão possa ser auditada, um requisito essencial para aprovação regulatória e confiança pública.
25 de julho de 2025
A PetroChina intensificou sua transformação digital ao integrar tecnologias como inteligência artificial, computação em nuvem e big data em suas operações. No Campo de Changqing, por exemplo, operadores utilizam uma plataforma em nuvem com Internet das Coisas (IoT) para identificar anomalias de produção em menos de dez segundos. A estratégia da empresa segue a diretriz da Conferência Central de Trabalho Econômico da China, que defende a modernização de indústrias tradicionais por meio de soluções digitais e sustentáveis. Com mais de três décadas de investimentos em informatização, a empresa considera a digitalização essencial para garantir segurança energética, aumentar a eficiência e avançar na descarbonização. Durante o 14º Plano Quinquenal, a PetroChina adotou o conceito de “Petróleo Inteligente” como um dos pilares estratégicos da companhia. A abordagem abrange três frentes: fortalecimento da infraestrutura digital, capacitação tecnológica e desenvolvimento de operações inteligentes. O objetivo é ampliar o controle operacional, melhorar a gestão de riscos e aprimorar a tomada de decisões. Comitês e plataformas centralizadas estruturam transformação digital Para executar a estratégia, a empresa criou comitês de liderança focados na digitalização e reengenharia de processos, elevou a digitalização ao setor estratégico emergente e lançou o programa “PetroChina Inteligente”. Com isso, construiu plataformas centralizadas de gestão, transformou refinarias e campos em operações inteligentes e intensificou o uso de inteligência artificial. Em parceria com a China Mobile e a Huawei , a PetroChina lançou em 2024 o modelo de linguagem Kunlun, com 33 bilhões de parâmetros, voltado para os setores de energia e química. Atualmente, o modelo alcança 300 bilhões de parâmetros e já foi aplicado em mais de 100 cenários. A tecnologia apoia desde a interpretação sísmica até o refino de petróleo e gás. Segundo Gong Renbin, especialista da Academia de Exploração e Desenvolvimento da PetroChina, o modelo de interpretação sísmica com base no Kunlun foi testado em mais de 20 campos, incluindo unidades no Brasil. A eficiência da interpretação aumentou nove vezes. A aplicação da tecnologia se espalha por diferentes unidades da PetroChina: No Campo de Tarim, o centro de operações inteligentes integra 25 sistemas, gera alertas automáticos e ampliou em 50% a resposta a emergências; Na BGP (Bureau of Geophysical Prospecting), softwares automatizaram a gestão de dados sísmicos, com ganho de 80% na eficiência e precisão total nas operações; Na refinaria de Guangdong, gêmeos digitais e otimização de processos reduziram em 9% o consumo energético por unidade; Na unidade de Dushanzi, algoritmos de IA ajustam automaticamente temperatura, pressão e proporção de materiais, operando em modo autônomo; No setor de vendas, a plataforma 3.0 monitora mais de 20 mil postos e 60 mil carregadores de veículos elétricos. Fonte: stdaily.com
29 de agosto de 2024
Um relatório publicado recentemente pela Academia Chinesa de Informação mostrou que, em 2023, o tamanho da economia digital da China atingiu RMB 53,9 trilhões (aproximadamente US$7,6 trilhões). Segundo o “Relatório de Pesquisa sobre o Desenvolvimento da Economia Digital da China (2024)”, a participação da economia digital chinesa no PIB nacional atingiu 42,8%, um aumento de 1,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior, e a contribuição do crescimento da economia digital para o crescimento do PIB foi de 66,45%, apoiando efetivamente o crescimento econômico estável. A economia digital da China entrou em um ciclo de desenvolvimento acelerado, com seu tamanho crescendo de RMB 11,2 trilhões em 2012 para RMB 53,9 trilhões em 2023, uma expansão de 3,8 vezes em 11 anos. O crescimento do tamanho da economia digital de RMB 10 trilhões para RMB 30 trilhões levou cerca de seis anos, enquanto o crescimento de RMB 30 trilhões para RMB 50 trilhões levou apenas cerca de quatro anos. Para desenvolver a economia digital, é necessário promover de forma colaborativa a digitalização da indústria e a industrialização digital. A digitalização da indústria, que é a fusão profunda da economia digital com a economia real, é o “campo de batalha principal” para o desenvolvimento da economia digital. O relatório mostra que a proporção de industrialização digital e digitalização da indústria evoluiu de aproximadamente 3:7 em 2012 para cerca de 2:8 em 2023. Em 2023, a industrialização digital e a digitalização da indústria representaram, respectivamente, 18,7% e 81,3% da economia digital, demonstrando um papel de capacitação e capacidade de fusão ainda mais forte da economia digital. Em 2023, a escala da industrialização digital na China foi de RMB 10,09 trilhões, com um crescimento nominal de 9,57% em relação ao ano anterior, superior à taxa de crescimento nominal da economia digital no mesmo período. Isso indica que a industrialização digital acumulou uma forte capacidade de suporte técnico para o desenvolvimento contínuo e de alta qualidade da economia digital. No ano passado, a participação da economia digital nos valores adicionados das indústrias primária, secundária e terciária (denominada “taxa de penetração da economia digital”) foi de 10,78%, 25,03% e 45,63%, respectivamente. A taxa de penetração da economia digital na indústria secundária cresceu mais do que na indústria terciária pela primeira vez. Desde 2023, o desenvolvimento da economia digital em várias regiões apresentou algumas novas características, com regiões que possuem uma base econômica sólida e forte capacidade de inovação tecnológica, alcançando um desenvolvimento mais rápido, melhor e mais resiliente na economia digital. Em 2023, 18 províncias, incluindo Guangdong, Jiangsu, Shandong, Zhejiang, Xangai, Fujian, Pequim, Hubei, Sichuan, Henan, Hebei, Hunan, Anhui, Chongqing, Jiangxi, Liaoning, Shaanxi e Guangxi, tiveram uma economia digital superior a RMB 1 trilhão, um aumento de uma província em relação ao ano anterior. Em termos de proporção, em 2023, as províncias de Pequim, Xangai, Tianjin, Fujian, Zhejiang e Guangdong tiveram uma participação da economia digital no PIB superior a 50%, com o desenvolvimento da economia digital em Pequim e Xangai se aproximando dos níveis de países desenvolvidos como os da Europa e dos EUA. O relatório indica que a taxa de retorno do capital digital está em contínua ascensão, enquanto a taxa de retorno do capital tradicional está em declínio, tornando-se uma tendência. Desde 2019, a contribuição do investimento de capital para o crescimento econômico foi ajustada para 37,8%, enquanto a contribuição do trabalho caiu para 19%. A contribuição do crescimento da produtividade total dos fatores atingiu 43,2%, formando uma situação de desenvolvimento liderada pela inovação. A contribuição da taxa de crescimento da produtividade total dos fatores da economia digital foi de 22,5%. Fonte: yicai.com