25 de maio de 2026
Enquanto parte da economia global enfrenta pressão sobre preços e desaceleração do consumo, a China manteve a estratégia de estímulo ao mercado interno nos primeiros quatro meses de 2026. Programas de troca de produtos usados por novos, ampliação do reembolso de impostos para turistas estrangeiros e ações voltadas ao varejo sustentaram o crescimento das vendas de bens e serviços no país. De janeiro a abril, as vendas combinadas de bens e serviços cresceram 3,2% em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas totais de bens de consumo no varejo avançaram 1,9%. Excluindo os setores automotivo e petrolífero, o crescimento foi de 3,7%. Já as vendas de serviços registraram alta de 5,6%. As medidas de incentivo também impulsionaram a demanda por produtos inteligentes e equipamentos de maior eficiência energética. Segundo dados do Ministério do Comércio da China , as vendas de óculos inteligentes cresceram 5,9 vezes em abril na comparação anual. Equipamentos portáteis de fotografia avançaram 26,9%, enquanto os medidores inteligentes de glicose aumentaram 12,3%. As máquinas de lavar com eficiência energética nível 1 registraram crescimento de 10,4%. Além disso, a participação de veículos movidos a novas energias continuou avançando no mercado chinês. Em abril, a taxa de penetração desses veículos alcançou 61,4% pela primeira vez, superando a marca de 60%. O consumo ligado a serviços também manteve crescimento no período. Com o PIB per capita da China acima de US$13 mil, o consumo passou a concentrar maior demanda por serviços relacionados à alimentação, turismo, transporte e lazer. Entre janeiro e abril, o crescimento das vendas no setor de serviços acelerou 0,5 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita do setor de alimentação cresceu 3,8%, enquanto serviços de turismo, aluguel ligado ao turismo, transporte e lazer cultural registraram crescimento de dois dígitos. O consumo nas áreas rurais avançou acima do registrado nas cidades. Nos primeiros quatro meses do ano, as vendas no varejo nas regiões rurais cresceram 2,8%, ritmo 1 ponto percentual superior ao das áreas urbanas. Os distritos e zonas rurais passaram a representar 39,7% do total das vendas no varejo do país. A entrada de turistas estrangeiros também ampliou o consumo interno chinês. Com a expansão da política de isenção de vistos, do sistema de reembolso de impostos e da campanha “Compras na China”, o fluxo de visitantes internacionais gerou aumento nos gastos ligados ao turismo. No primeiro trimestre, as exportações de serviços relacionados ao turismo cresceram 32,3% em relação ao ano anterior. Entre janeiro e abril, as vendas vinculadas ao reembolso de impostos para turistas cresceram 186% em Guangzhou e 145% em Shenzhen. Em Xangai e Pequim, as altas foram de 65% e 45%, respectivamente. Fonte: news.southcn
16 de março de 2026
Investimentos em setores de tecnologia avançada na China registraram forte crescimento no início do ano. Entre janeiro e fevereiro, o número de eventos de investimento em áreas como manufatura avançada e inteligência artificial aumentou 59,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o valor total desses investimentos cresceu 60,5%, segundo dados do Departamento de Desenvolvimento de Big Data do Centro Nacional de Informação da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma. Os dados fazem parte de um conjunto de indicadores de alta frequência analisados pelo órgão, que apontam recuperação em áreas como consumo e investimento no início do ano. Entre janeiro e fevereiro, o consumo de bens cresceu 5,7% na comparação anual, enquanto o consumo de serviços avançou 1,1%. Os pagamentos presenciais para diferentes tipos de consumo também registraram aumento. No período, o valor das transações offline subiu 3,8% em relação ao ano anterior, resultado 2,9 pontos percentuais acima do registrado em dezembro. Informações da plataforma de pagamentos Shouqianba, que acompanha a atividade de pequenos e microempreendedores, reforçam essa tendência. O valor total de pagamentos processados pela plataforma cresceu 5,5% na comparação anual, 5,1 pontos percentuais acima do resultado de dezembro. O consumo de mercadorias aumentou 6,4%, com destaque para vestuário (25,1%), móveis e materiais de construção (10,8%) e eletrodomésticos (8,6%). Já o consumo de serviços avançou 5,0%, com crescimento em cuidados para idosos e crianças (33,4%), serviços de apoio à vida diária (8,6%) e transporte (8,6%). Alguns setores ainda registram retração, mas mostram melhora no ritmo de queda. Dados da Divisão Conjunta de Informações do Mercado de Automóveis de Passageiros da Associação Chinesa de Concessionárias de Automóveis indicam que as vendas no varejo de veículos de passageiros no mercado chinês caíram 7,0% na comparação anual até 8 de fevereiro. Ainda assim, a queda ficou 7 pontos percentuais menor do que a registrada em dezembro. As vendas online de eletrodomésticos recuaram 4,5% em janeiro e fevereiro, uma retração 15,4 pontos percentuais menor que a observada no último mês de 2025. No campo do investimento, indicadores ligados à atividade física de obras também avançaram. Entre janeiro e fevereiro, a taxa de operação de equipamentos de concreto aumentou 5,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Equipamentos de içamento registraram aumento de 2,2 pontos percentuais, enquanto máquinas de construção de estradas cresceram 0,2 ponto percentual. No mesmo período, a taxa de operação de fábricas de cimento subiu 8,7 pontos percentuais, e o consumo aparente de aço aumentou 4,2%, com expansão de 12,2 pontos percentuais em relação a dezembro. Além disso, projetos ligados à construção de novas infraestruturas digitais, como centros de computação e redes de backbone, além do desenvolvimento de software e hardware, registraram crescimento. O valor das propostas desses projetos aumentou 25,7% na comparação anual. Segundo Xing Yuguan, pesquisador associado do Departamento de Desenvolvimento de Big Data do Centro Nacional de Informação, políticas voltadas à estabilização do investimento avançam desde o início do ano. Ele afirma que setores como economia digital, manufatura avançada e inteligência artificial apresentam forte capacidade de atrair capital e contribuem para ampliar a demanda interna e sustentar o crescimento econômico. Fonte: gmw
25 de setembro de 2025
O mercado de sorvetes da China movimentou US$19,16 bilhões em 2024 e deve crescer para US$33 bilhões até 2033, segundo a consultoria Renub Research. Desde 2014, o país lidera o setor em receita e consumo e, hoje, é o maior consumidor global do produto. O crescimento reflete mudanças no comportamento dos consumidores chineses, nas estratégias das empresas e na forma de comprar e consumir sorvete. O consumo se concentra nas regiões leste e sul, especialmente em cidades como Xangai e Hangzhou. No norte, onde o clima é mais frio, a demanda é menor. Ao mesmo tempo, os hábitos dos consumidores estão mudando. Sorvetes caros, que antes eram símbolos de status, agora dividem espaço com produtos mais baratos, vendidos por menos de 5 yuans (cerca de R$3,75), que viralizam nas redes sociais. Em junho de 2025, o tema “o sorvete retorna à era de 5 yuans” teve mais de 63 milhões de visualizações no Weibo, mostrando como preço baixo pode atrair novos públicos. A aparência dos sorvetes também virou um atrativo na hora da compra. Produtos inspirados em pontos turísticos ou elementos culturais são vendidos em museus e parques, atraindo consumidores que buscam experiências visuais e gastronômicas únicas. Um sorvete de RMB 15 (R$ 11,20), com design de um palácio histórico, vale pelo sabor e pelo efeito “instagramável”. Além disso, marcas locais estão criando sabores com ingredientes tradicionais chineses, como matcha, feijão vermelho e gergelim preto, e versões mais saudáveis, com menos açúcar e gordura ou à base de plantas. Formatos diferentes, como mochi e picolés artesanais, também registram alta demanda. Ao lado dessas mudanças de comportamento, a China investe fortemente em tecnologia e logística. A cadeia de frio avançou e garante que sorvetes possam ser vendidos online sem riscos. O e-commerce de sorvetes deve atingir US$2,27 bilhões até 2025, representando 28,3% do total de alimentos congelados vendidos online, segundo a Renub Research. Empresas chinesas como Yili e Mengniu lideram o setor, com 17% e 10% de participação, enquanto marcas estrangeiras, como Nestlé e Häagen-Dazs, são mais populares nas grandes cidades. Mixue: do interior da China ao Brasil A Mixue começou em 1997, quando o funadaor, Zhang Hongchao, abriu uma pequena loja de raspadinhas em Henan. Mas o sucesso veio apenas em 2005, quando o empreendedor passou a vender cones de sorvete por 1 yuan (cerca de R$0,80), que conquistaram o público de baixa renda. A rede cresceu rapidamente e, em 2024, ultrapassou o McDonald’s e Starbucks em número de lojas, após dobrar sua rede, com mais de 45 mil pontos de venda no mundo. Agora, a Mixue mira o Brasil. A empresa acaba de chegar ao país e prepara a abertura de lojas, sendo a primeira delas em um shopping na Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), a rede planeja investir R$3,2 bilhões no país e gerar 25 mil empregos até 2030. A empresa pretende replicar no mercado latino-americano seu modelo de baixo custo, aplicado com sucesso na China.
1 de julho de 2025
Com a chegada da alta temporada de consumo durante as férias, o governo chinês e as administrações locais lançaram um pacote de medidas para fomentar a chamada “economia de verão”. O objetivo é aumentar a demanda por produtos culturais, turísticos e de lazer. De julho a agosto de 2025, o Ministério da Cultura e Turismo promove a Temporada Nacional de Consumo Cultural e Turístico de Verão. O programa prevê mais de 4.300 iniciativas e cerca de 39 mil eventos em todo o país, incluindo viagens para escapar do calor, turismo litorâneo, espetáculos, feiras, exposições, passeios em família e atividades noturnas. Durante o período, os consumidores terão acesso a incentivos como cupons de desconto, ingressos promocionais, pacotes com preços reduzidos e campanhas de cashback. O governo destinou mais de RMB 570 milhões em subsídios para estimular a demanda e atender às expectativas da população para as férias. Cidades ampliam ações para atrair consumidores O lançamento oficial da temporada ocorreu em 30 de junho, em Qingdao (Shandong), sob o tema “Cultura e Turismo para o Povo — Compartilhando uma Vida Melhor”. O evento marcou o início de uma série de promoções e ações conjuntas entre governo e setor privado. Entre as medidas anunciadas: A Administração de Aviação Civil divulgou políticas de incentivo para passagens aéreas no verão; A Administração Meteorológica indicou 16 rotas recomendadas em regiões com temperaturas mais amenas; Instituições financeiras, como UnionPay , Banco Agrícola da China, Banco da China, Banco de Construção e Banco Industrial, lançaram produtos voltados para turismo e cultura; Empresas como Sinopec e Damai Entertainment integraram ações online e presenciais com foco em benefícios ao consumidor. Algumas cidades já implementaram suas próprias iniciativas. Em Xangai, o “Festival da Vida Noturna 66” vai até setembro com 130 atividades temáticas. Em Pequim, a campanha “Let’s Beijing · Noites em Pequim 2.0” busca ampliar a diversidade do consumo noturno. Já em Yunnan, estão previstos mais de 3.100 eventos culturais públicos e políticas voltadas ao turismo. Cupons se tornam estratégia recorrente A distribuição de cupons se consolidou como uma das principais ferramentas para estimular o consumo: Qingdao ofereceu RMB 5 milhões em cupons para restaurantes entre 18 e 30 de junho; Hubei distribuiu mais de RMB 30 milhões em cupons pela plataforma Meituan durante o festival “Leshop Hubei 616”; Zhengzhou (Henan) iniciou, em 23 de junho, a entrega de cupons para reformas residenciais. Outras regiões direcionaram recursos a setores com maior pressão de gasto. Guangdong, Jiangxi e Hainan, por exemplo, lançaram cupons para serviços de cuidado infantil. Guangdong oferece vouchers de experiência e consumo para creches em todas as suas 21 cidades. Em Hainan, famílias com crianças de até quatro anos recebem cupons mensais de até RMB 600 até o fim do ano. Para Liu Xiangdong, vice-diretor do Departamento de Pesquisa Econômica do Centro de Intercâmbio Econômico Internacional da China, essas medidas geram resultados imediatos, ao ativar economias locais e estimular um ciclo de crescimento econômico com impacto social. Consumo interno ganha força como motor da economia Em meio ao aumento dos riscos externos, o governo intensificou os esforços para fortalecer o consumo interno como principal motor da economia. Dados do Escritório Nacional de Estatísticas indicam que, em maio, o consumo liderou o crescimento econômico, com avanço de 6,4% nas vendas do varejo, o maior desde o início do ano. Desde março, Pequim tem adotado políticas voltadas ao bem-estar da população. Em junho, o Comitê Central do Partido e o Conselho de Estado publicaram diretrizes para resolver questões urgentes em áreas como habitação, previdência e cuidados com idosos. Para o segundo semestre, especialistas destacam a necessidade de aumentar a renda disponível da população. Wang Yiming, vice-presidente do Centro de Intercâmbio Econômico Internacional da China, defende três prioridades: Elevar a participação da renda das famílias no PIB; Redirecionar gastos públicos para serviços e bem-estar; Estimular o consumo de serviços, com potencial para gerar empregos. Liu Shijin, ex-vice-diretor do Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento do Conselho de Estado, propõe focar no chamado “consumo de desenvolvimento”, voltado a áreas como educação, saúde, moradia acessível, previdência e cuidados com idosos. Para ele, o avanço do consumo depende de dois fatores: ampliar o poder de compra da população de baixa renda e desenvolver o setor de serviços com foco no desenvolvimento humano. Fonte: Yicai.com
23 de maio de 2025
O dia 20 de maio, conhecido na China pela pronúncia semelhante a "eu te amo" em mandarim, tornou-se uma das datas preferidas para casamentos. Impulsionados por jovens das gerações nascidas nos anos 1990 e 2000, os casamentos passaram a adotar formatos variados, que vão desde cerimônias tradicionais até eventos inspirados em cultura pop. Segundo o Relatório de Percepção sobre Casamentos da Geração Z de 2025 , 78% dos jovens solteiros valorizam a cerimônia de casamento. Entre os nascidos após 2000, mais da metade considera o casamento um rito de passagem que deve refletir estilo pessoal. Em vez de simplificar, muitos apostam em formatos personalizados. Em abril, uma influenciadora digital promoveu um casamento inspirado no anime Cardcaptor Sakura. No palco decorado como um “círculo mágico”, ela entrou com vestido temático e varinha. Nas redes sociais, internautas compararam a cena ao desfecho de um mangá shojo. A variedade vai do estilo tradicional ao universo dos animes, passando por festas com temas de eSports, casais que colocam pets como porta-alianças e apresentações musicais autorais. Para o professor Chen Wei, da Universidade de Xangai, a diversidade reflete o avanço do individualismo e o desejo por experiências autênticas. “As pessoas querem expressar emoções e identidade”, diz. Chen explica que, antes restrito à família, o casamento agora serve também como meio de afirmação no ambiente digital. Mesmo diante da resistência dos pais, o reconhecimento online fortalece a confiança dos noivos nas escolhas personalizadas. Casamentos alternativos reduzem custos e atraem novos perfis de consumidores Durante o feriado de 1º de Maio, um casal de Taiyuan realizou a cerimônia em um restaurante Haidilao, gastando RMB 22,5 mil. Em Pequim, um jovem escolheu o McDonald’s como local da festa. Essas iniciativas mostram que hotéis de luxo já não são padrão. Cafeterias, redes de fast food e pousadas passaram a integrar os novos roteiros de casamento. Antes associados à ostentação e gastos excessivos, os casamentos tradicionais geravam dívidas e práticas como exigência de dotes. Agora, a prioridade está em cerimônias mais acessíveis e com foco na experiência. Segundo dados da Exposição de Casamentos da China, os gastos médios caíram entre 10% e 15%. Detalhes como passeios de ônibus no lugar da carreata, sessões fotográficas espontâneas e chá com leite substituindo bebidas alcoólicas mostram a flexibilização das tradições. Além da economia, os casais querem evitar rotinas exaustivas. Lin, de Jiangsu, relatou ter ficado sobrecarregado ao ser padrinho. Após a experiência, decidiu optar por uma cerimônia mais simples. Segundo Chen Wei, práticas como brincadeiras forçadas tendem a desaparecer. “Com a valorização do indivíduo, os casamentos devem se tornar mais leves”, diz. Mercado se adapta à nova demanda e amplia oportunidades Com a fragmentação do modelo tradicional, empresas do setor enfrentam desafios. Enquanto marcas consolidadas mantêm alta procura, pequenos negócios competem com preços baixos. Muitos noivos contratam fornecedores individuais pela internet e recorrem a empresas apenas para decoração. Apesar do marketing em torno do “casamento sob medida”, crescem as queixas sobre entregas padronizadas ou mal executadas. Uma noiva relatou ter desenhado o próprio layout após meses de negociação e pagamento elevado. Segundo relatório da iiMedia Research, 32,6% dos noivos contratam empresas especializadas para planejamento. Jovens buscam serviços que ofereçam experiências personalizadas, emoção e preços justos. A tendência pressiona o mercado a investir em inovação e qualidade. Algumas marcas já exploram esse novo nicho. Em Nanning, um casal substituiu o brinde alcoólico por 320 copos de chá com leite. Empresas como Heytea e Chagee passaram a oferecer pacotes com embalagens personalizadas, logística e decoração. O consumo também segue novas estéticas. No aplicativo Xiaohongshu, postagens com ideias de presentes incluem buquês de pelúcia Jellycat, alianças em caixas de Lego e bonecos personalizados com base em fotos dos noivos. Itens como blind boxes da Pop Mart substituem os doces tradicionais. De acordo com o Relatório de Pesquisa de Mercado da Indústria de Casamentos na China 2024-2025, o mercado restrito (planejamento e banquetes) deve alcançar RMB 2,84 trilhões, enquanto o mercado amplo (incluindo moradia e lua de mel) atingirá RMB 14,32 trilhões. O setor continua a se diversificar e se adapta a uma geração que exige personalização, inovação e propósito. Fonte: news.cn
6 de maio de 2025
A China enfrenta um desafio crescente com o envelhecimento de sua população, com mais de 20% de seus habitantes com 60 anos ou mais. Esse fenômeno demográfico gerou uma nova oportunidade econômica: a economia prateada. Este mercado, focado no atendimento às necessidades dos idosos, tem atraído a atenção de empresas e do governo, que reconhecem seu potencial de crescimento para os próximos anos. Em 2024, a economia prateada representava cerca de 6% do PIB da China, totalizando 7 trilhões de yuans (aproximadamente 965 bilhões de dólares). De acordo com um relatório publicado pela Associação Chinesa de Bem-Estar Social e Serviço para Idosos, essa cifra deverá alcançar 30 trilhões de yuans até 2035, respondendo por até 10% do PIB. O aumento da longevidade, somado à mudança no comportamento de consumo da população idosa, tem sido o principal fator que impulsiona esse crescimento. O crescimento da demanda por produtos e serviços para idosos O comportamento dos consumidores idosos está em transformação, com a busca por melhoria da qualidade de vida por meio de novas experiências e produtos. A crescente demanda por serviços voltados ao bem-estar e à saúde reflete essa mudança. O governo chinês tem adotado medidas para facilitar o desenvolvimento de uma oferta mais adequada a esse público, com foco em cuidados à saúde, mobilidade, lazer e turismo. Em relatório divulgado em 2025, a administração destacou a importância de melhorar as políticas públicas voltadas para o envelhecimento e os serviços de cuidado a idosos. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma tem incentivado a inovação no setor privado, com o objetivo de garantir que as empresas criem produtos que atendam às especificidades desse público. A criação de diretrizes financeiras e políticas públicas de apoio ao desenvolvimento da economia prateada visa fortalecer a infraestrutura de cuidado e bem-estar para os idosos. Isso inclui desde cuidados médicos em casa até a adaptação de espaços urbanos, como transporte e habitação, para garantir a acessibilidade e a qualidade de vida. Setores em expansão e oportunidades de mercado A expansão da economia prateada não se limita ao setor de saúde. A demanda por produtos e serviços voltados ao lazer e à qualidade de vida tem gerado novas oportunidades de negócios. O mercado de turismo, por exemplo, está se adaptando à nova realidade, com a criação de pacotes e viagens que atendem às necessidades dos idosos. Além disso, setores como alimentos saudáveis, moda e estética também estão se preparando para oferecer produtos que atendam a essa nova faixa etária consumidora. A tecnologia também desempenha forte influência, com o desenvolvimento de dispositivos que ajudam os idosos a manter a independência. De acordo com o estudo da Associação Chinesa de Bem-Estar Social, dispositivos de monitoramento de saúde e cuidados a distância têm mostrado grande potencial para melhorar a qualidade de vida dos idosos, enquanto também oferecem uma oportunidade lucrativa para empresas do setor tecnológico.
18 de janeiro de 2024
O papel fundamental do consumo na China em 2023 se destaca, contribuindo expressivamente para o desenvolvimento econômico do país . De acordo com dados do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) divulgados na quarta-feira (17), o consumo final representou 82,5% do crescimento total do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto as vendas no varejo atingiram uma marca recorde de 47,15 trilhões de yuans (US$ 6,62 trilhões). Este notável crescimento do consumo reflete o progresso da China, transitando de uma economia impulsionada por investimentos para uma movida pelo consumo, afirmam especialistas. O setor de consumo continuará sendo uma força motriz indispensável para o desenvolvimento econômico em 2024. Segundo Kang Yi, chefe do NBS, o consumo chinês em 2023 mostrou uma recuperação contínua, com as vendas no varejo registrando um crescimento de 7,2% para atingir um patamar recorde. Kang destacou que o setor emergiu como o principal impulsionador do desenvolvimento econômico, contribuindo com 4,3 pontos percentuais para o crescimento do PIB - um aumento significativo de 3,1 pontos percentuais em relação ao ano anterior. As vendas recordes sinalizam o vigoroso poder de compra da China e seu vasto potencial de mercado, impulsionados pelo crescimento econômico constante, aumento de renda e um ambiente de consumo otimizado, observou Wang Peng, pesquisador associado da Academia de Ciências Sociais de Pequim. A transição da economia chinesa de uma orientação para investimentos para uma centrada no consumo é evidente, conforme enfatizado por Hu Qimu, vice-secretário-geral do Fórum de Integração Economia Digital-Real 50. Além de sustentar o crescimento econômico, a atualização estrutural do consumo impulsionará a transformação e modernização do setor industrial, acrescentou Hu. Kang ressaltou dois destaques notáveis do setor de consumo em 2023: a rápida recuperação do consumo de serviços e a contínua atualização estrutural do consumo doméstico. Setores como catering, que registrou um aumento de 20,4%, e vendas no varejo de serviços , crescendo 20%, 14,2 pontos percentuais mais rápido do que as vendas de bens, desempenharam papéis cruciais nesse panorama. Zhang Yi, CEO do Instituto de Pesquisa iiMedia, destacou o impacto positivo do aumento do consumo de serviços, incluindo na indústria cultural e de turismo, no setor terciário da economia chinesa. O benefício econômico da demanda doméstica foi exponencialmente ampliado em 2023, com a contribuição da demanda doméstica para o crescimento econômico atingindo 111,4% - um aumento notável de 25,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior, conforme salientou Kang. Wang ressaltou que a demanda doméstica robusta foi um dos principais impulsionadores da recuperação e crescimento econômico da China em 2023, fornecendo uma base sólida contra o cenário global complexo e volátil. Kang antecipou uma continuidade na recuperação do consumo chinês, destacando o enorme potencial de mercado, superior a 1,4 bilhão de pessoas, e um padrão de consumo em constante evolução. O desenvolvimento acelerado de novos padrões de consumo, desde a indústria digital até a cultura e o turismo, injeta vitalidade no mercado de consumo, enfatizou Kang, com políticas de estímulo planejadas para manter a estabilidade e promover uma recuperação contínua. Hu afirmou que mais políticas para estimular o consumo serão implementadas, enquanto Wang expressou otimismo em relação ao progresso constante do consumo chinês em 2024, impulsionado por um maior poder de compra e confiança no mercado. Tradução: Mei Zhen Li Fonte: Chinawuliu Imagem principal: Guo Cheng/ Xinhua