2 de março de 2026
O pesquisador angolano Paixão José, da Universidade Agostinho Neto, afirmou que a China aplicará tarifa zero a 53 países africanos a partir de 1º de maio de 2026. Ele publicou a análise no site do Jornal de Angola, no artigo intitulado “A política de tarifa zero inaugura uma nova fase nas relações China–África ”. Segundo o autor, a medida amplia o acesso de produtos africanos ao mercado chinês e consolida a China como principal parceiro comercial do continente. De acordo com o texto, a política eliminará tarifas para países africanos que mantêm relações diplomáticas com Pequim. A decisão deve beneficiar exportações como café, têxteis, minerais, petróleo e produtos agrícolas. Com isso, a China amplia a entrada desses itens em seu mercado interno e reforça a cooperação econômica com o continente. O pesquisador contextualiza que, desde o início do século XXI, China e países africanos intensificaram relações em comércio, infraestrutura, manufatura, tecnologia e diplomacia. Nesse período, as partes firmaram acordos bilaterais e ampliaram parcerias estratégicas de longo prazo. Além disso, o autor sustenta que a tarifa zero representa um novo passo na cooperação econômica. Segundo ele, a medida pode aumentar a participação africana no comércio internacional e fortalecer a competitividade do continente. Nos últimos 20 anos, afirma, a China apoiou projetos de industrialização, expansão da manufatura local e transferência de tecnologia, o que contribuiu para diversificar a pauta exportadora africana. O artigo avalia que a nova política pode apoiar estratégias de desenvolvimento adotadas por países africanos. O pesquisador defende que a iniciativa favorece a produção de bens com maior valor agregado e reforça a posição da África nas relações econômicas entre países do Sul Global. Fonte: news.gmw.cn
16 de junho de 2025
Mais de 800 peixes ornamentais originários da África chegaram, em março, ao Aeroporto Internacional de Huanghua, em Changsha, na China. Foi a primeira vez que esse tipo de carga foi importado pelo terminal localizado na província de Hunan. A alfândega orientou o importador na construção de instalações de quarentena e elaborou um plano de entrada específico. O desembaraço ocorreu por meio do sistema de liberação alfandegária 24 horas, o que permitiu conexão direta entre descarregamento, inspeção e retirada. A operação reflete o avanço das relações econômicas e comerciais entre China e África. Em 2024, o volume de comércio entre as duas partes atingiu US$295,6 bilhões, novo recorde pelo quarto ano seguido. A China mantém-se como o maior parceiro comercial do continente há 16 anos. Essa parceria se fortalece com políticas de tarifa zero e o modelo de integração entre produção, indústria e comércio. Tarifa zero amplia exportações africanas para o mercado chinês Desde 2021, a entrada da pimenta seca de Ruanda no mercado chinês transformou o produto em um dos principais itens de exportação do país africano. A empresa ruandesa Fischer Global exporta anualmente entre 200 e 300 toneladas da especiaria para a China, com meta de atingir 1.500 toneladas. Segundo o diretor-geral, Herman Uwizeyimana, a política de tarifa zero reduz custos e aumenta a competitividade dos produtos africanos no mercado chinês. A partir de 1º de dezembro de 2023, a China passou a aplicar tarifa zero a 100% das categorias tarifárias de produtos oriundos de 33 países africanos menos desenvolvidos com relações diplomáticas com Pequim. Trata-se da primeira grande economia a adotar essa medida. Além disso, Pequim propôs acordos de parceria econômica com 53 países africanos para ampliar a aplicação da tarifa zero e facilitar exportações. Também promove a presença de expositores africanos em feiras como a China International Import Expo (CIIE) e a Exposição de Cadeia de Suprimentos. Produtos como abacates do Quênia, abacaxis do Benim, carne de cordeiro de Madagascar, amendoins do Malaui, castanhas de Moçambique e sabonetes pretos de Gana têm ganhado espaço no varejo chinês. Segundo o Ministério do Comércio da China, desde a adoção da política até março de 2025, as importações provenientes dos países africanos menos desenvolvidos somaram US$21,42 bilhões, alta de 15,2% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre de 2025, o país também registrou aumento de 70,4% na importação de café africano e de 56,8% em cacau em grão. O embaixador da Etiópia na China, Tefera Derbew Yimam, afirmou que a medida facilita o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês e contribui para o avanço industrial no continente. Fábricas chinesas fortalecem cadeia de valor agrícola africana Na Costa do Marfim, triciclos transportam látex até uma fábrica operada por trabalhadores locais. Lá, a matéria-prima é transformada em blocos padronizados de borracha. A planta, com capacidade anual de 100 mil toneladas, foi inaugurada em outubro de 2024 pelo grupo chinês Mainland Group. É a terceira fábrica do grupo no país, a primeira foi aberta em 2020, em Dabou; a segunda, em 2022, em Duékoué. Outras duas unidades devem entrar em operação nos próximos meses, elevando a capacidade anual para 480 mil toneladas. Apesar de liderar a produção africana de borracha natural, a Costa do Marfim exportava o produto in natura por falta de capacidade local de processamento. Com o apoio chinês, o país avança na industrialização e na geração de renda para os produtores. De acordo com dados do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), empresas chinesas investiram RMB 13,38 bilhões no continente africano desde a cúpula de 2024. Pequim também destinou RMB 2,08 bilhões em empréstimos a pequenas e médias empresas locais, beneficiando cerca de 350 negócios em 19 setores e criando aproximadamente 4.500 empregos. Modelo de integração amplia cooperação industrial China-África O Livro Azul da Cooperação Econômica e Comercial China-África (2025) aponta uma mudança nos padrões comerciais entre os dois lados. O setor agrícola e alimentício migra da exportação de matérias-primas para produtos processados. A indústria manufatureira passa a priorizar a produção local. Novos setores, como economia digital e serviços tecnológicos, ganham força. O comércio eletrônico transfronteiriço também complementa as trocas tradicionais. O modelo de integração entre produção, indústria e comércio vem sendo adotado por diversos países africanos. Segundo Humphrey Moshi, diretor do Centro de Estudos Chineses da Universidade de Dar es Salaam, a África caminha para a geração de valor agregado, substituindo a exportação de matérias-primas por bens processados. O ministro da Agricultura do Senegal, Mabouba Diagne, também apontou a instalação de fábricas locais como fator de transformação do modelo agrícola do continente. Durante a 4ª Exposição Econômica e Comercial China-África, autoridades divulgaram novos projetos nos setores de agricultura moderna, manufatura avançada e energias renováveis. Segundo Xu Xiangping, presidente da Associação de Promoção da Cooperação Econômica e Comercial China-África de Hunan, esses projetos fortalecem a construção de uma comunidade China-África com desenvolvimento compartilhado. Fonte: stdaily.com
5 de setembro de 2024
O Presidente Xi Jinping afirmou que a China está disposta a expandir ativamente a abertura do mercado de forma unilateral e decide conceder tratamento de isenção de tarifas sobre 100% dos produtos a todos os países menos desenvolvidos que têm relações diplomáticas com a China, incluindo 33 países africanos. O presidente da China, Xi Jinping, participou da cerimônia de abertura do Fórum de Cooperação China-África no Grande Salão do Povo em Pequim, na manhã de 5 de setembro. A China se torna o primeiro grande país em desenvolvimento e uma das principais economias do mundo a implementar essa medida, promovendo o grande mercado da China como uma grande oportunidade para a África. Fonte: gov.cn
29 de agosto de 2024
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que a modernização é uma busca comum da China e dos países africanos. “A China está disposta a trabalhar em conjunto com a África em uma nova jornada de modernização, reunindo forças para promover a modernização mundial e o desenvolvimento comum da humanidade”, disse. “A China e a África compartilham o desejo de uma vida melhor, a identificação com a cooperação e a busca pela modernização. Independentemente das mudanças nas circunstâncias internacionais, a China e a África sempre serão parceiros e companheiros na jornada em direção à modernização”, afirmou Lin Jian. Ele acrescentou que a cúpula do Fórum de Cooperação China-África de 2024 ocorrerá na próxima semana, onde os líderes de ambos os lados discutirão a cooperação e o futuro em torno do tema “Trabalhando juntos para promover a modernização e construir uma comunidade de destino de alto nível entre a China e a África”. Segundo Lin Jian, a China sempre apoiou a África na exploração de um caminho de desenvolvimento autônomo, focando nas áreas mais urgentes para a modernização da África. Ele afirmou que a China insiste na primazia da infraestrutura, ajudando muitos países africanos a construir suas primeiras rodovias, a primeira ponte sobre o mar e o primeiro parque industrial. O volume de comércio China-África alcançou um recorde histórico de US$ 282,1 bilhões em 2023, e até o final do ano passado, o estoque de investimento direto da China na África ultrapassou US$ 40 bilhões, criando mais de 1,1 milhão de empregos na África nos últimos três anos. Além disso, a China promove a inovação tecnológica, realizando pesquisas conjuntas em áreas como energia renovável , agricultura sustentável e sensoriamento remoto de recursos, e aprofundando a cooperação em satélites , economia digital e energia solar. A China também se concentra no bem-estar das pessoas, implementando projetos menores, mas significativos, como as oficinas Luban, “Mil Vilas Conectadas” e “Cinturão de Luz da África”. A China compartilha experiências de governança e redução da pobreza, ajudando a África a transformar sua vantagem populacional em recursos humanos, utilizando o bônus demográfico para alcançar a modernização. Lin Jian mencionou que, na reunião do Fórum de Think Tanks China-África, realizada em março deste ano, os acadêmicos de ambos os lados formaram o “Consenso de Dar es Salaam China-África”, enfatizando que a escolha do caminho de desenvolvimento deve se basear nas condições nacionais e nas características culturais locais, promovendo a multipolaridade do mundo e a globalização econômica inclusiva e equitativa, superando as contradições estruturais que limitam a modernização dos países em desenvolvimento. Fonte: news.cn