A expansão das montadoras chinesas nos países do Sul Global tem impulsionado a internacionalização da indústria automotiva e ampliado a presença de veículos eletrificados em mercados emergentes. Especialistas apontam que essas regiões devem concentrar o crescimento do setor nas próximas décadas, com demanda por modelos de menor custo e soluções de mobilidade adaptadas à realidade local.
Segundo Sun Xiaohong, ex-secretária-geral do Comitê de Internacionalização Automotiva da Câmara de Comércio de Importação e Exportação de Produtos Mecânicos e Eletrônicos da China, os países do Sul Global apresentam complementaridade com a cadeia de veículos de nova energia da China. Ela afirma que esses mercados tendem a liderar o crescimento incremental da indústria automotiva nos próximos 20 anos, impulsionados por consumidores mais sensíveis a preço e pela predominância de veículos de entrada. Nesse cenário, marcas chinesas ampliam participação com oferta de modelos eletrificados e competitivos.
Esse movimento já se reflete nos resultados das empresas. A divisão internacional do Grupo JAC registrou aumento de vendas acima de 70% em países como Chile, Peru e Colômbia. Além disso, mercados como Vietnã, Egito, Paquistão, Equador e Argentina apresentaram crescimento superior a 100%, segundo a companhia.
Na América do Sul, a Leapmotor concentra sua estratégia no Brasil e avança para outros países da região. A empresa já lançou modelos como C10 e B10 e negocia novos projetos, incluindo adaptações para produção local. Ao mesmo tempo, o Grupo Geely firmou um acordo com o Grupo Renault no Brasil para produção e comercialização de veículos elétricos, por meio da operação local da montadora francesa.
A cooperação entre China e países do Sul Global também avança além da exportação de veículos. Empresas passam a investir em produção local e no fortalecimento de cadeias industriais. Esse modelo inclui transferência de tecnologia e desenvolvimento de infraestrutura, especialmente em regiões com lacunas em redes elétricas, sistemas de recarga e transporte.
Na Argélia, por exemplo, a JAC obteve licença para montagem de veículos em novembro de 2025 e retomou a produção local. Já a GAC amplia a implantação de bases industriais no Sudeste Asiático, Ásia Central e Norte da África. No Equador e no Egito, a JAC iniciou a montagem de veículos em regime CKD, enquanto no México opera uma fábrica com capacidade superior a 60 mil unidades por ano.
A estratégia de localização também aparece na expansão da rede de serviços. A Leapmotor informou que encerrou 2025 com mais de 900 pontos de atendimento no exterior, combinando exportação de veículos completos com montagem local. O objetivo é consolidar operações e ampliar a capacidade produtiva fora da China.
No Cazaquistão, modelos das marcas Geely e Galaxy começaram a ser produzidos em parceria com o grupo Allur, com planos de ampliar a linha de veículos fabricados localmente. A iniciativa busca fortalecer a indústria automotiva do país e acompanhar a transição para tecnologias de menor emissão.
De acordo com especialistas, a internacionalização das montadoras chinesas envolve toda a cadeia produtiva, incluindo energia, infraestrutura e serviços. Esse modelo integra a exportação de produtos com desenvolvimento industrial nos países parceiros.
Por outro lado, o avanço dessa estratégia depende de apoio financeiro. Empresas ainda enfrentam desafios na estruturação de cadeias de valor no exterior. A avaliação é que será necessário ampliar mecanismos de financiamento, compartilhamento de riscos e uso de plataformas digitais para sustentar a expansão internacional.
Fonte: gmw


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