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Mercado Livre perde liderança de tráfego no Brasil para Temu em 2025

Mercado Livre liderança Temu

O Temu, plataforma de comércio eletrônico chinesa, liderou o tráfego de e-commerce no Brasil em julho de 2025, segundo o Relatório da Indústria de E-commerce da Conversion. A plataforma registrou 409,7 milhões de visitas, um aumento de 70% em relação a junho, superando o Mercado Livre (393,2 milhões) e o Shopee (286 milhões).

O mercado brasileiro de comércio eletrônico enfrenta intensa competição. Temu e Shopee pressionam com preços baixos e logística aprimorada, enquanto plataformas de vídeo curto como Kwai Shop e TikTok Shop expandem rapidamente, desafiando a posição do Mercado Livre.

Em abril, o Mercado Livre anunciou que investirá R$34 bilhões (US$6,4 bilhões) no Brasil em 2025, um aumento de 48% em relação ao ano anterior, o maior investimento da história da empresa. Em comunicado, afirmou: “Estamos preparados para a batalha”, em referência ao crescimento de plataformas asiáticas.

O duelo com o Shopee: preços e logística

O Brasil responde por mais da metade da receita global do Mercado Livre, mas sua posição está ameaçada. O Shopee entrou no país em 2020 e, em cinco anos, alcançou 40% do GMV do Mercado Livre. Até 2024, movimentou cerca de R$60 bilhões, segundo o Itaú, o dobro da Amazon no país.

O Shopee oferece frete grátis para compras acima de R$10 e preços médios equivalentes a um terço dos praticados pelo Mercado Livre. Em resposta, o Mercado Livre reduziu em cerca de 40% as taxas de produtos entre R$79 e R$200, baixou o frete grátis de R$79 para R$19 e ampliou cupons e promoções. No entanto, o lucro operacional no 2º trimestre de 2025 caiu para US$825 milhões, e a margem de contribuição no Brasil recuou 8,7 pontos percentuais.

A logística se tornou fator decisivo. O Brasil ocupa o 65º lugar no desempenho logístico global, segundo o Banco Mundial, e 72% dos consumidores consideram frete grátis decisivo para a compra, segundo a XP Investimentos. O Mercado Livre possui 2,3 milhões m² de centros logísticos, enquanto o Shopee ampliou sua área para 897 mil m², superando a Amazon (592 mil m²).

O Shopee reduziu o custo logístico por pedido em 15% e diminuiu o tempo médio de entrega em mais de dois dias. Na Grande São Paulo, 25% dos pedidos chegam no dia seguinte e 40% em até dois dias. Essa disputa elevou os preços de aluguel de galpões na região para R$ 30/m², com São Paulo registrando R$ 44/m².

Competição multifrontal: gigantes do e-commerce em guerra no Brasil

O Brasil concentra quase todos os grandes players globais: Alibaba, Shopee, Temu, Shein, TikTok Shop, Kwai, Amazon e Mercado Livre.

O Temu iniciou operações em maio de 2024 e, em apenas três meses, superou Shein e AliExpress em tráfego. Em abril de 2025, ultrapassou o Shopee e, em julho, superou o Mercado Livre. O crescimento se deve aos investimentos em publicidade: em abril, a plataforma gastou 800 vezes mais em anúncios do que no mesmo mês do ano anterior, segundo a Sensor Tower.

Plataformas de vídeo curto também avançam. O Kwai Shop começou testes no fim de 2023 e foi lançado oficialmente em outubro de 2024. Na Black Friday, registrou GMV acima de R$ 4 milhões. No 2º trimestre de 2025, manteve crescimento de GMV e pedidos, com lucro internacional de RMB 19 milhões, contra prejuízo de RMB 277 milhões no mesmo período de 2024.

O TikTok Shop chegou ao Brasil em maio, aproveitando a base de mais de 111 milhões de usuários locais, segundo a Mindgruve. O país é o terceiro maior mercado de anúncios da plataforma, depois de EUA e Indonésia, de acordo com a We Are Social. Analistas do Itaú BBA alertam que a plataforma pode atrair pequenas e médias empresas que hoje vendem pelo Mercado Livre.

O Shopee minimiza o impacto, afirmando que o e-commerce cross-border ainda é pequeno, que o TikTok Shop está em fase inicial e o volume de pedidos permanece baixo. A operação do TikTok Shop ainda precisa desenvolver logística, meios de pagamento e confiança do consumidor.

Fonte: sina.com.cn