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Maior usina solar da China entra em operação com sistema de armazenamento e IA

Maior usina solar da China
Imagem: Guoneng Ningxia Power

A base fotovoltaica instalada em área de subsidência de mineração de carvão em Ningxia, na China, entrou em operação após a conclusão do projeto Lingwu Fase II. Com capacidade total de 6 milhões de quilowatts, o complexo se tornou o maior projeto fotovoltaico individual do país e deve gerar cerca de 10,8 bilhões de kWh de energia limpa por ano, com transmissão para o leste chinês.

O empreendimento ocupa cerca de 180 mil mu (aproximadamente 12,7 mil hectares) e integra duas frentes: uma base de 2 milhões de kW em Ningdong e outra de 4 milhões de kW em Lingwu. Segundo Meng Jiwen, da Guoneng Ningxia Power, o projeto amplia o fornecimento de energia renovável e reforça a estratégia chinesa de redução de emissões.

Além da escala, a operação da usina se apoia em sistemas digitais. A gestão ocorre a partir de um centro de controle que monitora, em tempo real, a geração de energia, o desempenho dos equipamentos e o acúmulo de poeira nos módulos. O sistema integra operação, manutenção e gestão em nível de gigawatt, com uso de inteligência artificial, big data e computação em nuvem.

Robôs realizam a limpeza dos painéis de forma automatizada, enquanto drones equipados com sensores ópticos e infravermelhos identificam falhas como pontos quentes e microfissuras, com taxa de precisão de até 90%. De acordo com Shu Maolong, responsável técnico do projeto, o modelo reduz falhas operacionais e melhora a eficiência da manutenção.

A estrutura também incorpora diretrizes nacionais para o setor. Em 2025, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e a Administração Nacional de Energia recomendaram o uso de tecnologias avançadas para integrar redes elétricas e melhorar o consumo de energia renovável. O projeto de Ningxia adota essas diretrizes ao implementar sistemas inteligentes de monitoramento, previsão de falhas e otimização energética.

Para viabilizar a transmissão de energia em larga escala, a base se conecta a uma subestação de 750 kV e ao sistema de corrente contínua de ultra-alta tensão (UHVDC) ±800 kV Lingzhou-Shaoxing, que transporta eletricidade a cerca de 3 mil quilômetros de distância. Esse tipo de infraestrutura permite levar energia gerada no oeste do país para centros consumidores no leste.

Um dos principais desafios técnicos envolve a intermitência da geração solar. Para mitigar esse problema, o projeto inclui um sistema de armazenamento de energia com capacidade de 600 MW/1200 MWh, além da integração com geração térmica. Esse modelo híbrido combina fontes renováveis e convencionais para estabilizar o fornecimento.

Outro avanço está no modelo de conexão à rede. A usina utiliza subestações de 750 kV já existentes em termelétricas próximas, reduzindo a necessidade de novas estruturas. O sistema inclui duas linhas de transmissão de 330 kV e a ampliação de transformadores, o que permite compartilhar a infraestrutura entre fontes térmicas e renováveis.

A construção da base enfrentou limitações geológicas. A área de subsidência, formada após anos de extração de carvão, apresenta risco de deslocamentos do solo. Para contornar o problema, a equipe adotou soluções de engenharia adaptadas ao terreno, incluindo diferentes tipos de suportes para os painéis e planejamento digital do layout.

Além disso, o projeto implementou um sistema de monitoramento contínuo da área, com sensores de alta precisão, dados de satélite e modelagem tridimensional. Esse sistema acompanha deslocamentos do solo, fissuras e estabilidade das estruturas, permitindo intervenções preventivas.

Fonte: stdaily