Cultura

Eventos na China e no Brasil marcam início do Ano Cultural entre os países

Eventos China e Brasil
Imagem: Zhou Yongsui/ Xinhua

O Ano Cultural China-Brasil iniciou 2026 com eventos simultâneos nos dois países e ampliou o intercâmbio cultural entre as populações. Em Pequim, a exibição do filme brasileiro “A Amazônia: Uma floresta na tela” apresentou ao público chinês aspectos ambientais e culturais do Brasil. Ao mesmo tempo, em São Paulo, um flash mob com apresentações chinesas marcou o Ano Novo Lunar e atraiu a atenção do público nas ruas.

Nos três primeiros meses do ano, a agenda bilateral incluiu atividades culturais, acadêmicas e artísticas. A iniciativa resulta de acordo entre os governos da China e do Brasil, que definiram 2026 como o Ano Cultural China-Brasil para ampliar o diálogo entre as sociedades e fortalecer a cooperação cultural.

A estratégia parte do entendimento de que o intercâmbio entre povos sustenta as relações bilaterais. Nesse contexto, o presidente da China, Xi Jinping, afirmou que as culturas dos dois países mantêm características próprias e estabelecem conexões por meio do contato contínuo.

Literatura amplia diálogo entre China e Brasil

Em janeiro, Pequim e outras cidades chinesas receberam a série de encontros “Entre o Espelho e a Lâmpada: Diálogo da Literatura Contemporânea Sino-Brasileira”. O evento reuniu escritores, tradutores e pesquisadores dos dois países para discutir produção literária e circulação de obras.

Obras clássicas chinesas, como “Analectos”, de Confúcio, e “Tao Te Ching”, além de títulos modernos como “Grito”, de Lu Xun, e “O Camelo Xiangzi”, de Lao She, passaram a circular com maior frequência no mercado brasileiro.

O professor Evandro Menezes de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense (UFF), participou da tradução de obras como “Xi Jinping: A Governança da China” e “Livrar-se da pobreza” e defende a ampliação de projetos editoriais dedicados à China. Segundo o pesquisador, a tradução de livros contribui para ampliar o entendimento sobre o país e reduzir lacunas de informação.

Carvalho também propôs a criação de uma marca editorial voltada exclusivamente à publicação de conteúdos sobre a China no Brasil. A iniciativa busca organizar e ampliar o acesso a obras chinesas traduzidas.

Audiovisual reforça intercâmbio cultural

O intercâmbio audiovisual entre os dois países avançou nas últimas décadas. Na década de 1980, a novela “A Escrava Isaura”, protagonizada por Lucélia Santos, alcançou grande audiência na China e se tornou uma das primeiras produções brasileiras exibidas em larga escala no país.

Em 1985, Santos recebeu o prêmio de Melhor Atriz Estrangeira no Golden Eagle Awards da televisão chinesa. Desde então, manteve contato com o público local e participou de projetos de cooperação audiovisual.

Nos últimos anos, o fluxo passou a ocorrer em duas direções. Em 2022, a plataforma “China Zone” iniciou operações no Brasil e passou a distribuir conteúdos chineses com legendas em português. Em 2024, produções como “O Problema dos Três Corpos” e “Nirvana em Chamas” chegaram ao público brasileiro por meio de canais de televisão e serviços digitais.

Além disso, durante a reunião ministerial do Fórum China-CELAC em 2025, o governo chinês anunciou planos para ampliar a exibição de conteúdos audiovisuais e promover a tradução anual de produções populares entre China e América Latina.

Projetos culturais envolvem novas gerações

A cooperação cultural também envolve iniciativas locais. No Rio de Janeiro, a Orquestra Forte de Copacabana mantém atividades com jovens músicos e participa de projetos de intercâmbio com instituições chinesas.

O grupo enfrentou dificuldades financeiras e retomou as atividades em 2022 após receber apoio de uma empresa chinesa. Desde então, realiza apresentações mensais e inclui repertório em chinês, o que ampliou o interesse do público.

Em 2024, a orquestra participou de uma turnê na China, durante as comemorações dos 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países. A experiência incluiu apresentações e atividades de intercâmbio cultural com músicos locais.

A diretora artística Márcia Melchior afirmou que o contato direto com o público chinês reforçou o papel da música como meio de aproximação entre culturas. Segundo ela, o grupo pretende ampliar parcerias e desenvolver projetos conjuntos.

Intercâmbio cultural orienta agenda bilateral

Autoridades chinesas destacaram, em 2024, a importância da continuidade dessas iniciativas. Em resposta a representantes brasileiros, Xi Jinping afirmou que a cooperação cultural depende da participação de diferentes setores da sociedade e da formação de novas gerações.

Com a programação prevista ao longo de 2026, o Ano Cultural China-Brasil reúne uma agenda com literatura, audiovisual, música e intercâmbio acadêmico. A iniciativa busca ampliar o fluxo de conteúdos e promover contato direto entre os dois países, com foco na compreensão mútua e na continuidade das relações culturais.

Fonte: Xinhua