A Reunião Anual de 2025 do Fórum de Desenvolvimento da China reuniu, nos dias 23 e 24 de março, líderes de multinacionais, especialistas acadêmicos e autoridades chinesas e estrangeiras em Pequim. Durante o evento, Dilma Rousseff, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), destacou os desafios enfrentados pela economia global e a necessidade de cooperação internacional para garantir um crescimento sustentável.
Com o tema “Otimizar o potencial de desenvolvimento para o crescimento econômico global estável”, o fórum refletiu as expectativas mundiais em relação à economia chinesa e seu papel na estabilidade global. Em um dos painéis mais esperados do evento, Dilma Rousseff abordou as dificuldades enfrentadas pelos mercados internacionais.
“Estamos reunidos em um momento de grande incerteza para a economia global. Barreiras comerciais, queda nos investimentos, instabilidade financeira e mudanças geopolíticas estão testando o crescimento econômico mundial”, afirmou Dilma.
Outros líderes também ressaltaram os riscos do cenário atual. Anna Bjerde, diretora-geral de operações do Banco Mundial, alertou para o risco de retrocessos nos avanços econômicos conquistados na última década devido às incertezas crescentes.
China mantém meta de crescimento e aposta na inovação
Apesar do cenário desafiador, a China apresentou uma meta de crescimento de aproximadamente 5% para 2025. Bill Winters, CEO do Standard Chartered Group, destacou o impacto das políticas de estímulo impostas pelo governo chinês, como o aumento dos gastos fiscais, incentivos ao consumo e medidas de estabilização do mercado imobiliário.
Jeffrey Sachs, professor da Universidade de Columbia, reforçou que a meta é viável e que a China continua na vanguarda em setores como inteligência artificial, digitalização e novas energias. Para ele, a Iniciativa do Cinturão e Rota e a expansão das exportações para economias emergentes fortalecem a resiliência do crescimento chinês.
A Siemens, a BMW e outras multinacionais aproveitaram o evento para fortalecer seu compromisso com o mercado chinês. Ola Källenius, presidente do conselho da Mercedes-Benz, elogiou a capacidade de inovação da China. “O povo chinês tem uma paixão pela inovação. Quando você trabalha com engenheiros chineses, eles raramente dizem ‘não’ – e, muitas vezes, fazem ainda melhor. Isso demonstra um enorme potencial de desenvolvimento.”
Em 2024, a China subiu para a 11ª posição no Índice Global de Inovação, sendo um dos países que mais avançaram em inovação na última década. Além disso, o país abriga o maior número de aglomerações de inovação tecnológica entre os 100 principais do mundo. Nos primeiros dois meses do ano, a produção chinesa de circuitos integrados, robôs industriais, trens de alta velocidade e drones civis cresceu 19,6%, 27%, 64% e 91,5%, respectivamente.
Cooperação internacional como caminho para o crescimento sustentável
Diante da fragmentação econômica global, Dilma Rousseff e outros participantes enfatizaram a importância da cooperação internacional para garantir a estabilidade.
Masato Kanda, presidente do Banco Asiático de Desenvolvimento, reforçou que a prosperidade de longo prazo depende da colaboração entre os países. Oliver Zipse, CEO da BMW, criticou medidas protecionistas, como as tarifas impostas pela União Europeia a veículos elétricos chineses, argumentando que barreiras comerciais prejudicam todos os envolvidos.
As diretrizes econômicas da China para 2025 incluem a ampliação do investimento estrangeiro e a garantia de condições equitativas para empresas internacionais. “A inovação e a abertura económica são fundamentais para o crescimento sustentável”, afirmou Li Lecheng, do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação.
Fonte: news.cn