A CMOC Group Limited anunciou, em 15 de dezembro, que pretende adquirir 100% das participações em três ativos de mineração de ouro da canadense Equinox Gold no Brasil. A operação, aprovada pelo conselho de administração da companhia chinesa, envolve um investimento total de US$1,015 bilhão e deve ser concluída no primeiro trimestre de 2026, após aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e das autoridades regulatórias chinesas.
Segundo comunicado da empresa, a aquisição será realizada por meio da subsidiária controlada CMOC Limited e inclui a mina Aurizona, no Maranhão; a mina RDM, em Minas Gerais; e o Complexo Bahia, que reúne as minas Fazenda e Santa Luz, no estado da Bahia. O pagamento ocorrerá integralmente em dinheiro, com US$900 milhões no fechamento da transação e até US$115 milhões adicionais condicionados ao volume de vendas de ouro no primeiro ano de operação após a conclusão do negócio.
Os ativos negociados somam quatro minas de ouro em produção e concentram recursos auríferos totais estimados em 5,013 milhões de onças, com teor médio de 1,88 grama por tonelada. As reservas provadas e prováveis alcançam 3,873 milhões de onças, com teor médio de 1,45 grama por tonelada. Em 2024, a produção conjunta dessas operações chegou a 247,3 mil onças de ouro. Para 2025, a projeção varia entre 250 mil e 270 mil onças.
A Equinox Gold, listada nas bolsas de Toronto e Nova York, opera minas no Canadá e em outros países das Américas, além de manter projetos em construção e expansão. Com a venda dos ativos brasileiros, a empresa informou que pretende concentrar suas operações no mercado norte-americano de ouro.
A compra no Brasil ocorre meses após a CMOC adquirir a mina de ouro Cangrejos, no Equador, em abril deste ano, por 581 milhões de dólares canadenses. As operações reforçam a estratégia da companhia de estruturar seu crescimento com foco em dois eixos principais: cobre e ouro.
Até então, a atuação da CMOC no segmento aurífero se limitava, em grande parte, à produção como subproduto de outras operações. Com a conclusão da transação no Brasil, a empresa estima um aumento de cerca de 8 toneladas na produção anual de ouro. A esse volume soma-se a produção futura da mina Cangrejos, prevista para iniciar operações em 2028, com capacidade estimada de 11,5 toneladas por ano. Com isso, a produção total de ouro da CMOC poderá superar 20 toneladas anuais por volta de 2028.
Tradicionalmente voltada à mineração de cobre, cobalto, molibdênio, tungstênio e nióbio, a CMOC ainda não operava o ouro como um segmento independente. Em meio à volatilidade do sistema monetário internacional e ao aumento dos riscos geopolíticos, a empresa passou a tratar o metal como parte central de sua estratégia de diversificação.
Em comunicado, o presidente do conselho e diretor de investimentos da CMOC, Liu Jianfeng, afirmou que a companhia mantém uma visão de longo prazo para os ativos de ouro. Segundo ele, o Brasil oferece base geológica relevante e ambiente institucional estável, além de permitir sinergias com os ativos de nióbio e fosfato já operados pela empresa no país.
A trajetória de expansão da CMOC inclui uma série de aquisições nos últimos anos. Em 2013, a empresa comprou a mina de cobre e cobalto TFM, na República Democrática do Congo. Em 2016, adquiriu os ativos de nióbio e fosfato da Anglo American no Brasil. Em 2019, incorporou a mina KFM, também no Congo, e, em 2020, concluiu a compra da IXM, ampliando sua presença no comércio internacional de metais.
A companhia reconhece, no entanto, que o ambiente para novas aquisições se tornou mais competitivo. Durante a teleconferência de resultados do primeiro semestre de 2025, realizada em agosto, Liu Jianfeng afirmou que a empresa busca construir, no longo prazo, um portfólio com ativos multimetais, presença internacional e projetos em diferentes estágios de desenvolvimento.
Nos três primeiros trimestres de 2025, a CMOC registrou receita operacional de RMB 145,485 bilhões, queda de 5,99% na comparação anual. No mesmo período, o lucro líquido atribuível aos acionistas alcançou RMB 14,28 bilhões, alta de 72,61%, o maior resultado já registrado pela empresa para esse intervalo.
Fonte: sina.com

