Empreendedorismo

China planeja transformar Xangai e Pequim em potências do varejo global

Potências do varejo global
Fonte da imagem: Ju Huanzong/ Xinhua

A China adotará novas medidas para transformar Xangai, Pequim, Guangzhou, Tianjin e Chongqing em centros de consumo global no nível de Nova York e Londres. O plano inclui a criação de ambientes de varejo voltados ao público internacional para impulsionar o consumo interno.

Segundo um documento do Ministério do Comércio, o país pretende expandir a demanda doméstica e promover maior abertura econômica. Entre as iniciativas, está o incentivo à chamada “economia de estreias”, apoiando marcas nacionais e estrangeiras no lançamento de novos produtos e exposições. Além disso, o governo também facilitará o desembaraço aduaneiro de itens importados.

As cinco cidades receberão eventos como semanas de moda e exposições automotivas. O governo busca atrair marcas globais para abrir suas primeiras lojas, instalar centros de pesquisa e desenvolvimento e estabelecer sedes regionais.

O ministério destacou que Xangai se tornou um polo de lançamentos de marcas internacionais e lojas temporárias (pop-up stores) na China. O estímulo ao consumo também foi listado como uma das prioridades no Relatório de Trabalho do Governo deste ano.

Reembolso de impostos e isenção de vistos

Para fortalecer esses centros de consumo, a China expandirá sua política unilateral de isenção de visto e aprimorará o funcionamento das lojas de reembolso de impostos. Além disso, novos estabelecimentos serão abertos, e os procedimentos de reembolso para turistas estrangeiros serão otimizados.

Desde o final de 2023, a China implementou políticas de isenção de visto para diversos países, aumentando o fluxo de visitantes. Em 2024, o número de turistas estrangeiros nessas cinco cidades dobrou em relação ao ano anterior, segundo a Administração Nacional de Imigração.

“Nessas cidades, as lojas de reembolso de impostos representaram 60% do total nacional, e as vendas corresponderam a mais de 70% do valor registrado no país”, afirmou Li Gang, diretor-geral do Departamento de Operação de Mercado e Promoção do Consumo do Ministério do Comércio.

Varejo de luxo e tecnologia

Além dos setores de moda e luxo, turistas estrangeiros demonstraram interesse em marcas tradicionais chinesas e produtos típicos. A Tong Ren Tang, farmácia especializada em medicina tradicional, registrou crescimento na demanda por seus produtos na área de Qianmen, em Pequim.

O ministério reconhece que ainda há diferenças entre os centros comerciais chineses e os de países desenvolvidos. Além disso, para reduzir essa distância, o governo incentivará a criação de complexos comerciais diferenciados e a ampliação da oferta de produtos chineses da moda nas lojas de reembolso de impostos.

A China também promoverá eventos esportivos e espetáculos internacionais para impulsionar o consumo. Em março, Xangai sediou o Grande Prêmio da China de Fórmula 1 de 2025, atraindo público nacional e estrangeiro. O país pretende ampliar a realização de competições automobilísticas e fomentar o turismo associado ao setor automotivo.

Outras iniciativas incluem o incentivo ao mercado de cruzeiros, ao turismo de baixa altitude e ao uso de tecnologias como inteligência artificial e realidade virtual no comércio. Além disso, o governo também buscará expandir a popularização de eletrodomésticos inteligentes e veículos elétricos.

Nos primeiros dois meses do ano, as vendas no varejo de bens de consumo na China alcançaram 8,37 trilhões de yuans (US$ 1,15 trilhão), um crescimento de 4% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério do Comércio.

Tradução: Mei Zhen Li
Fonte: Sina