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China entra no top 10 do Índice Global de Inovação e amplia investimentos em P&D

top 10 Índice Global de Inovação

A China entrou no top 10 do Índice Global de Inovação pela primeira vez em 2025, segundo relatório da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). O país alcançou a 10ª posição, após subir 25 posições desde 2013. O avanço ocorre dentro de um cenário de aumento de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, fortalecimento de aglomerações tecnológicas e ampliação do mercado interno.

De acordo com o governo chinês, a inovação se tornou eixo central do desenvolvimento econômico desde o 18º Congresso Nacional do Partido Comunista da China. Para isso, o país adotou uma estratégia baseada em inovação tecnológica e institucional. Como resultado, o investimento nacional em P&D subiu de RMB 1,03 trilhão em 2012 para RMB 3,63 trilhões em 2024, mantendo a China na segunda posição mundial em volume aplicado.

Além disso, produtos e tecnologias originados na China passaram a ganhar escala global. Áreas como inteligência artificial, computação quântica, exploração espacial tripulada e exploração do espaço profundo registraram marcos inéditos. No campo cultural, jogos e animações também alcançaram novos mercados, caso de “Black Myth: Wukong” e da série de animação “Ne Zha 2”.

O mercado interno chinês, com mais de 1,4 bilhão de consumidores, funciona como campo de testes para novas tecnologias. Empresas do país aproveitam a demanda doméstica para ajustar produtos e acelerar ciclos de inovação. Dessa forma, modelos de negócios surgidos na China, como comércio eletrônico, pagamentos móveis e tecnologias de energia, passaram a ser exportados para outros mercados.

Outro fator citado pela OMPI é a expansão das aglomerações regionais de inovação. O relatório de 2025 identificou 24 polos chineses entre os 100 principais do mundo, o maior número registrado entre os países avaliados. A aglomeração Shenzhen–Hong Kong–Guangzhou ocupou o 1º lugar global. Esses polos reúnem empresas, universidades e institutos de pesquisa e facilitam a circulação de talentos, capital e tecnologia. Em 2025, a China ampliou os centros internacionais de inovação de Pequim e Xangai para as regiões Pequim–Tianjin–Hebei e Delta do Rio Yangtzé.

Apesar do avanço, autoridades chinesas reconheceram desafios estruturais. Entre os pontos apontados estão a dependência de tecnologias críticas, como chips de alto desempenho, software industrial e instrumentos de precisão, e a necessidade de aprimorar o ecossistema de inovação e a proteção da propriedade intelectual.

Segundo analistas, a inovação passou a influenciar diretamente a competitividade de longo prazo da China em um cenário de disputa tecnológica global. Para reduzir vulnerabilidades, o governo defende ganhos em inovações originais e capacidade de transformar pesquisa científica em produtos industriais.

Fonte: people.com.cn