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China abre projetos científicos a pesquisadores estrangeiros e amplia cooperação tecnológica

China abre projetos científicos
Imagem: Huang Bohan/ Xinhua

A China anunciou nesta quarta-feira (26) a abertura de grandes projetos e infraestruturas científicas a pesquisadores estrangeiros e lançou um plano de cooperação internacional em ciência aberta. A medida foi apresentada durante o Fórum de Zhongguancun, em Pequim, em meio à disputa tecnológica global, com o objetivo de ampliar a colaboração e fortalecer a governança internacional no setor.

Durante a abertura do evento, o vice-primeiro-ministro Ding Xuexiang afirmou que o país pretende trabalhar com outras nações para construir uma rede de inovação mais aberta. Segundo ele, a estratégia inclui ampliar parcerias em pesquisa básica e aplicada, além de incentivar o uso de tecnologias emergentes para apoiar o desenvolvimento econômico.

Além disso, Ding defendeu a coordenação internacional para lidar com conflitos regulatórios, riscos sociais e questões éticas ligadas ao avanço tecnológico. Ele afirmou que esses pontos devem orientar a construção de mecanismos de governança mais consistentes.

No mesmo fórum, Sergio Mujica, da Organização Internacional de Normalização (ISO), destacou que a cooperação entre governos, empresas e instituições de pesquisa é necessária para ampliar o acesso à inovação em um cenário de transformação digital.

O evento segue até domingo e reúne participantes de mais de 100 países. Nesta edição, o tema central é a integração entre inovação tecnológica e indústria, com foco na aplicação prática de avanços científicos.

Como parte do plano anunciado, a China informou que abrirá 10 grandes projetos e instalações científicas ao uso internacional. Entre eles estão sistemas de monitoramento do espaço profundo, observatórios de partículas e dispositivos voltados à pesquisa em fusão.

Um dos destaques é o Projeto Meridiano da China, voltado ao monitoramento do ambiente espacial. A estrutura reúne a maior rede terrestre do mundo nessa área e já atendeu 267 organizações de 18 países, incluindo Alemanha e Brasil.

Ao mesmo tempo, a iniciativa também se insere na disputa por influência sobre padrões globais de tecnologia, especialmente no desenvolvimento da inteligência artificial. A China amplia o uso dessas ferramentas e busca estabelecer diretrizes sobre construção, compartilhamento e aplicação de modelos em escala industrial.

À margem do evento, Yang Zhilin, da Moonshot AI, afirmou que empresas chinesas têm ampliado sua atuação no desenvolvimento de infraestrutura para IA. Segundo ele, a abertura de modelos e tecnologias pode acelerar a inovação global e, ao mesmo tempo, ampliar a competitividade do país.

Yang também apontou que a próxima etapa da corrida tecnológica deve se concentrar na capacidade de processar dados em larga escala. Ele citou o conceito de “fábricas de tokens”, que envolvem centros de dados, chips e modelos otimizados para processamento intensivo, com impacto direto no consumo de energia e na infraestrutura computacional.

Dados da plataforma OpenRouter indicam que modelos chineses de IA superaram os dos Estados Unidos em uso global por três semanas consecutivas. Na última semana, sistemas chineses processaram 7,359 trilhões de tokens, alta de 56,9% em relação à semana anterior. Já os modelos norte-americanos registraram 3,536 trilhões.

Wang Binying, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, afirmou que a China ultrapassou 5 milhões de patentes de invenção concedidas e responde por mais de 40% dos pedidos globais relacionados à inteligência artificial generativa. Segundo ela, os dados refletem a expansão da atividade inovadora no país.

Fonte: China Daily