A expansão da energia solar e eólica na China trouxe um novo desafio: armazenar a eletricidade produzida quando há oferta em excesso e utilizá-la nos momentos de maior demanda. Em Qinghai, no oeste do país, um novo sistema de armazenamento com ar líquido foi conectado à rede elétrica para ajudar a lidar com essa variação.
Instalado na cidade de Golmud, o projeto ocupa o primeiro lugar mundial em sua categoria em potência e capacidade de armazenamento, segundo as informações divulgadas. A tecnologia foi desenvolvida integralmente na China e utiliza equipamentos produzidos no país.
O funcionamento parte de uma lógica simples. Nos períodos de menor consumo, quando há energia renovável disponível em excesso, o sistema usa essa eletricidade para comprimir e resfriar o ar até aproximadamente -194 °C, transformando-o em líquido.
Esse ar líquido fica armazenado em tanques até que a demanda por eletricidade aumente. Quando isso acontece, ele é pressurizado, aquecido e volta ao estado gasoso. A expansão movimenta equipamentos de geração e permite devolver eletricidade à rede.
O sistema também reaproveita o calor produzido durante a compressão do ar. Esse calor é armazenado e utilizado posteriormente na etapa de geração, contribuindo para o funcionamento do processo.
A instalação tem potência nominal de 63 MW e pode alcançar 66 MW. Segundo o projeto, a eficiência prevista é de 91,3%.
A principal função da tecnologia é ajudar a reduzir um dos problemas associados à geração solar e eólica: a produção depende das condições de vento e de luz e nem sempre coincide com os horários de maior consumo.
Ao armazenar parte dessa energia para uso posterior, o sistema pode ajudar a reduzir picos e quedas na oferta, além de contribuir para o controle de frequência e tensão da rede elétrica.
O projeto também testa uma solução de armazenamento de longa duração, considerada importante para sistemas elétricos com participação crescente de fontes renováveis. A experiência em Qinghai poderá servir de referência para futuras instalações em maior escala no país.
Fonte: stdaily

