Pesquisadores chineses identificaram três exoplanetas que sobreviveram após suas estrelas passarem por uma fase de intensa expansão que, segundo os modelos tradicionais, deveria ter engolido ou destruído suas órbitas. A descoberta foi feita por uma equipe da Universidade de Yunnan e publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
Estrelas semelhantes ao Sol aumentam muito de tamanho quando esgotam o hidrogênio de seus núcleos e entram na fase conhecida como gigante vermelha. Nesse processo, planetas próximos podem ser engolidos pelas camadas externas da estrela ou atraídos gradualmente para seu interior.
Os três planetas encontrados, porém, permanecem em órbitas que hoje ficam dentro da região que suas estrelas teriam alcançado durante essa expansão máxima.
Para confirmar que as estrelas realmente já haviam passado por essa etapa, os pesquisadores analisaram pequenas variações em seu brilho observadas pelo satélite TESS. Por meio da astrossismologia — técnica que estuda as vibrações internas das estrelas —, a equipe verificou que elas já completaram a fase de grande expansão e atualmente queimam hélio em seus núcleos.
Os cientistas também analisaram alterações na velocidade das estrelas provocadas pela atração gravitacional dos planetas para confirmar suas órbitas.
Um dos casos envolve a estrela 24 Boötes. O planeta completa uma volta ao redor dela aproximadamente a cada 30 dias e está a uma distância equivalente a cerca de 18% da separação média entre a Terra e o Sol.
Segundo Qian Shengbang, professor da Universidade de Yunnan que liderou a pesquisa, encontrar apenas um planeta nessa situação poderia ser tratado como uma exceção. A identificação de três sistemas diferentes, porém, indica que pode existir algum mecanismo ainda pouco compreendido capaz de explicar sua sobrevivência.
Entre as hipóteses que deverão ser investigadas estão antigas interações ou fusões entre estrelas e mudanças nas órbitas dos planetas depois que outros corpos mais próximos foram engolidos.
A descoberta também tem relação com o futuro do Sistema Solar. O Sol deverá passar por uma fase de gigante vermelha no decorrer de sua evolução. Segundo os pesquisadores, os novos resultados indicam que o destino de sistemas planetários como o nosso pode ser mais complexo do que os modelos tradicionais sugerem.
Fonte: stdaily

