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Brasil se torna o maior comprador de carros elétricos e híbridos da China em 2026

carros elétricos e híbridos da China
Imagem: Xu Congjun/ Xinhua

O Brasil foi o maior destino dos veículos elétricos e híbridos exportados pela China entre janeiro e agosto de 2026, com 337,1 mil unidades embarcadas. O volume representa um crescimento de 159,4% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Associação de Carros de Passageiros da China (CPCA).

Apesar do crescimento acumulado, os embarques oscilaram nos últimos meses. Após atingirem cerca de 92 mil unidades em abril, caíram para 6,7 mil em julho e voltaram a subir para quase 31 mil em agosto, uma alta de 354% em relação ao mês anterior.

Segundo Cui Dongshu, secretário-geral da CPCA, as mudanças nas tarifas brasileiras de importação levaram as montadoras chinesas a ajustar seus cronogramas de embarque e estoques. Desde julho, o Brasil aplica uma tarifa de 35% sobre veículos elétricos e híbridos importados prontos ou semidesmontados. Para os veículos totalmente desmontados, a alíquota permanece em 14% até o fim de 2026.

Com a mudança nas regras, a produção de veículos chineses no Brasil ganha importância. A BYD ampliou suas operações em Camaçari, na Bahia, onde alcançou a marca de 100 mil veículos montados em julho. Em setembro, a empresa informou que empregava diretamente mais de 8 mil trabalhadores na unidade e anunciou planos de contratar outros 1.500 profissionais.

A Great Wall Motor (GWM) também está expandindo sua operação em Iracemápolis, no interior de São Paulo. Até agosto, a fábrica havia produzido mais de 15 mil veículos e ampliado o quadro de funcionários de cerca de 600 para mais de 1.800. A unidade já realiza processos de soldagem, pintura e montagem final.

A presença das marcas chinesas também aparece nas vendas de veículos totalmente elétricos no Brasil. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), oito das dez marcas com mais emplacamentos em setembro eram chinesas. Juntas, responderam por mais de 90% das vendas registradas no segmento, com BYD, Geely e GAC nas três primeiras posições.

A ampliação da produção local também pode abrir oportunidades para fornecedores brasileiros de autopeças. A BYD já iniciou a seleção de empresas nacionais para o fornecimento de componentes, enquanto a GWM e a montadora chinesa desenvolvem tecnologias híbridas adaptadas ao uso de etanol no Brasil.

Para Cui Dongshu, a tendência é que a produção brasileira passe a representar uma parcela maior do abastecimento do mercado local. Nesse processo, as exportações de veículos completos da China poderão perder espaço para o envio de componentes, kits de montagem e equipamentos industriais, além de novos investimentos de fornecedores chineses no país.

Fonte: Xinhua