O mercado de brinquedos da China está mudando de perfil. Além dos produtos infantis tradicionais, ganham espaço itens colecionáveis, produtos ligados a hobbies e compras motivadas por identificação emocional, principalmente entre jovens e adultos.
A mudança também favorece personagens e franquias desenvolvidos no próprio país. Em vez de depender apenas de marcas internacionais, empresas chinesas começam a investir em propriedades intelectuais próprias e em lojas pensadas como espaços de entretenimento.
A Miniso é um dos exemplos dessa estratégia. No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou receita de 11,5 bilhões de yuans, cerca de US$1,7 bilhão, alta de 22,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na China continental, a receita cresceu 26,2%, enquanto o número de lojas aumentou 8%, indicando crescimento das vendas também nas unidades já existentes.
Parte desse desempenho está ligada aos formatos maiores de loja e aos produtos baseados em personagens. Na nova unidade Miniso Land inaugurada em Chengdu, mais de 80% dos cerca de 5 mil produtos estão associados a propriedades intelectuais.
A empresa também tenta reduzir a dependência de personagens licenciados de grupos como Disney, Sanrio e Marvel. No primeiro semestre, as despesas com licenciamento cresceram 48%, para 356 milhões de yuans.
Um dos principais testes dessa nova estratégia é Yoyo, personagem criado pela própria Miniso. Lançado há cerca de um ano, ele gerou quase 500 milhões de yuans em vendas no primeiro semestre e já foi levado a 53 países e regiões.
A companhia também criou outros personagens próprios e pretende usar sua rede de mais de 8,6 mil lojas para apresentá-los diretamente aos consumidores.
A estratégia difere da adotada por empresas como a Pop Mart, que construiu comunidades de colecionadores em torno de personagens como Labubu antes de ampliar sua presença no varejo. A Miniso aposta no caminho inverso: primeiro utiliza sua rede de lojas para alcançar consumidores e, depois, tenta transformar essas compras em comunidades de fãs.
Fonte: China Daily

