Plataformas digitais e algoritmos estão mudando a forma como cargas são distribuídas pelas rodovias chinesas, ao conectar motoristas e empresas em poucos minutos e reduzir viagens de caminhões sem carga. Na Yunmanman, plataforma do grupo Full Truck Alliance, o tempo médio para encontrar a combinação entre veículo e mercadoria caiu de três a quatro minutos.
A tecnologia ganha peso em um setor responsável pela maior parte da movimentação de mercadorias do país. Em 2025, 43,29 bilhões de toneladas de cargas foram transportadas por rodovias na China, mais de 70% do volume total nacional.
O sistema funciona a partir da análise de dados sobre cargas disponíveis, localização dos veículos e rotas. Com essas informações, as plataformas identificam motoristas próximos e fazem a correspondência entre oferta e demanda de transporte.
Em uma fazenda de hortaliças no distrito de Lishui, em Nanjing, por exemplo, produtores utilizam a Yunmanman para encontrar caminhões que transportam os produtos até Xangai. Segundo o produtor Feng Chaoji, anteriormente a contratação dependia de contatos pessoais e, nos períodos de maior demanda, a dificuldade para conseguir veículos fazia as perdas durante o transporte ultrapassarem 10%. Agora, os pedidos publicados na plataforma podem ser aceitos por motoristas próximos em poucos minutos.
O modelo também é usado em trajetos mais longos. Vegetais produzidos em regiões de planalto de Lanzhou são enviados ao Delta do Rio Yangtzé, enquanto frutas da Tailândia passam por Kunming antes da distribuição para outras regiões chinesas.
Segundo Gao Yiming, diretor de algoritmos de inteligência artificial do Full Truck Alliance, o uso de grandes volumes de dados permite organizar a distribuição dos caminhões e reduzir problemas como veículos parados ou circulando sem carga. A tecnologia busca corrigir uma característica histórica do setor: a fragmentação entre quem precisa transportar mercadorias e os motoristas disponíveis.
As plataformas também começam a testar assistentes virtuais baseados em inteligência artificial para embarcadores e transportadores. Dentro dos limites legais, esses sistemas podem participar de etapas como negociação, identificação de veículos ou cargas compatíveis e fechamento das operações.
No fim de abril, uma reunião do Comitê Central do Partido Comunista da China incluiu as redes logísticas entre as infraestruturas que devem receber planejamento e desenvolvimento, ao lado de redes de água, energia, computação, comunicação e sistemas urbanos de tubulações.
Fonte: China news

