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Brasil mantém biodiesel importado fora da mistura obrigatória e reforça produção nacional

Brasil biodiesel

O governo brasileiro decidiu manter o biodiesel importado fora do mercado destinado ao cumprimento da mistura obrigatória no diesel. A medida foi comemorada pela indústria nacional, mas não representa uma proibição geral de importação.

A restrição alcança especificamente o chamado mercado compulsório, formado pelo biodiesel que as distribuidoras precisam adquirir para cumprir o percentual definido pelo governo. Desde agosto de 2025, o diesel comercializado no Brasil contém 15% de biodiesel, mistura conhecida como B15.

As importações poderão continuar em operações voluntárias e aplicações não vinculadas à mistura obrigatória, desde que sejam atendidas as regras técnicas e de qualidade estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP.

A decisão foi fundamentada em uma Análise de Impacto Regulatório conduzida pelo Ministério de Minas e Energia, com a participação de diferentes órgãos do governo. O estudo avaliou alternativas como a abertura integral do mercado, a aplicação de tarifas, a adoção de critérios ambientais e a manutenção da restrição.

A alternativa mais bem classificada foi a reserva do mercado obrigatório para o biodiesel produzido no Brasil. Entre os principais argumentos apresentados estão a proteção dos investimentos industriais, a preservação de empregos, a segurança energética e o fortalecimento da agricultura familiar.

Outro fundamento é a capacidade produtiva existente no país. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética, o Brasil possuía, em 2024, capacidade instalada próxima de 15,3 bilhões de litros por ano, enquanto o consumo ficou em aproximadamente 9,1 bilhões de litros.

Os dados indicam que o setor opera com capacidade ociosa suficiente para atender ao B15 e, em tese, a futuros aumentos da mistura obrigatória. A maior parte da produção está concentrada nas regiões Centro-Oeste e Sul, próximas às principais áreas produtoras de soja.

O óleo de soja respondeu por mais de 70% das matérias-primas utilizadas na fabricação de biodiesel em 2024. O setor também emprega sebo bovino, óleo de palma, gorduras animais, óleo residual de fritura e outros insumos.

A política brasileira também está ligada ao Selo Biocombustível Social. Em 2026, o Conselho Nacional de Política Energética estabeleceu como diretriz que pelo menos 80% do biodiesel destinado à mistura obrigatória seja adquirido de usinas participantes do programa.

O selo exige que as empresas adquiram matérias-primas da agricultura familiar e ofereçam assistência técnica aos produtores. Dessa forma, o mandato de mistura funciona não apenas como política energética, mas também como instrumento de desenvolvimento rural e inclusão produtiva.

Os documentos oficiais reconhecem, entretanto, que a abertura às importações poderia ampliar a concorrência e pressionar os preços internos. Órgãos como o Ministério da Fazenda e a ANP apresentaram posições mais favoráveis à entrada do produto estrangeiro.
A decisão final representa, portanto, uma escolha de política industrial. O governo priorizou a produção nacional e a estabilidade dos investimentos, mesmo com a possibilidade de menor pressão competitiva sobre os preços no curto prazo.

Para empresas chinesas, a medida reduz o espaço para exportar biodiesel acabado diretamente ao principal segmento do mercado brasileiro. Em contrapartida, reforça oportunidades de investimento dentro do país.

Entre as alternativas estão a construção ou aquisição de usinas, a formação de joint ventures com produtores brasileiros, o fornecimento de equipamentos industriais e o desenvolvimento de tecnologias para novas matérias-primas e combustíveis renováveis.

A mensagem regulatória é clara: o Brasil continuará ampliando o uso de biocombustíveis, mas pretende atender a maior parte dessa demanda com produção instalada no próprio território. Para investidores estrangeiros, a principal oportunidade tende a estar na presença produtiva local, e não apenas na exportação do produto final.