Quatro das cinco maiores Ofertas Públicas Iniciais (IPO) do mundo no primeiro trimestre de 2026, em valor captado, foram de empresas chinesas de inteligência artificial em Hong Kong. Segundo o relatório Global Unicorn Tracker Q1 2026, da PitchBook, as operações somaram mais de US$22 bilhões em valor de saída (exit value).
O interesse dos investidores por empresas chinesas de inteligência artificial ganhou força após o chamado “momento DeepSeek”. No início de 2025, a startup chamou a atenção do mercado ao apresentar modelos de IA desenvolvidos com custos inferiores aos observados entre concorrentes ocidentais. Além disso, o endurecimento dos controles de exportação dos Estados Unidos sobre chips avançados e outras tecnologias estratégicas levou investidores e empresas a direcionarem mais recursos para o ecossistema chinês.
Hong Kong também se beneficiou da flexibilização das regras de listagem por meio do Chapter 18C, mecanismo criado para permitir que empresas de tecnologia especializada acessem o mercado de capitais antes de atingir os critérios tradicionais de lucratividade.
Entre as empresas que chegaram ao mercado estão a desenvolvedora de modelos de linguagem Z.ai, a MiniMax Group, a fabricante de processadores gráficos Biren Technology e a designer de chips Iluvatar CoreX Semiconductor. Segundo a PitchBook, as companhias figuraram entre as maiores estreias do trimestre.
A MiniMax captou cerca de US$619 milhões em sua oferta pública, enquanto a Biren Technology levantou aproximadamente US$624 milhões para ampliar sua capacidade de produção de chips voltados à inteligência artificial.
As ações também registraram forte valorização após a estreia. Até abril, a Z.ai acumulava alta de 569,2% desde a listagem. No mesmo período, a Iluvatar CoreX Semiconductor avançou 171,7%, a MiniMax registrou ganho de 164,2% e a Biren Technology subiu 42,2%.
O volume das ofertas indica que o interesse dos investidores não está restrito aos desenvolvedores de modelos de IA. Fabricantes de chips, fornecedores de infraestrutura computacional e empresas ligadas à cadeia tecnológica também têm atraído capital à medida que a demanda por inteligência artificial cresce.

