Faltando menos de 40 dias para o início da Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, Canadá e México, a emissora estatal chinesa CCTV ainda não chegou a um acordo com a FIFA sobre os direitos de transmissão do torneio, segundo informou o jornal Beijing Daily em 6 de maio.
FIFA estaria cobrando da China valores muito acima de outros mercados
Durante as Eliminatórias da Copa do Mundo no ano passado, a CCTV decidiu não adquirir os direitos de transmissão devido aos preços excessivamente altos cobrados pela Asia Football Group (AFG), empresa responsável pela comercialização dos direitos da transmissão, em um movimento de resistência aos aumentos considerados irracionais no mercado de direitos esportivos. Agora, essa situação poderá se repetir na próxima Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México.
Segundo informações divulgadas pela imprensa chinesa, a FIFA inicialmente pediu entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões pelos direitos de transmissão na China. Já o orçamento da CCTV estaria entre US$ 60 milhões e US$ 80 milhões. Mesmo após a FIFA reduzir a pedida para cerca de US$ 120 milhões a US$ 150 milhões, a distância entre as expectativas das partes continua enorme, e até agora nenhum acordo foi fechado.
Nas últimas duas décadas, os custos de transmissão da Copa do Mundo na China dispararam. Para comparação, os direitos das Copas de 2010 e 2014 foram vendidos juntos por apenas US$ 115 milhões, enquanto os torneios de 2018 e 2022 custaram aproximadamente US$ 300 milhões em um pacote conjunto.
Além do aumento de preços, a FIFA também vem sendo acusada de praticar preços diferenciados conforme o mercado. Segundo relatos, para a Índia a entidade teria oferecido os direitos de transmissão de duas Copas do Mundo por apenas US$ 35 milhões — valor cerca de 17 vezes inferior ao cobrado da China.
Mercado chinês de direitos esportivos mudou
A recusa da CCTV em aceitar as condições impostas pela FIFA também é vista como reflexo das mudanças no mercado chinês de mídia esportiva.
Um dos fatores é a ausência da seleção chinesa na Copa do Mundo. Mesmo com a ampliação do torneio para 48 seleções, o interesse do público chinês pelo evento diminuiu significativamente.
Além disso, por ser realizada no continente americano, muitas das partidas mais importantes ocorrerão de madrugada ou pela manhã no horário de Pequim, reduzindo o interesse dos anunciantes. Como as negociações seguem travadas às vésperas do torneio, a janela comercial para venda de publicidade já começa a ser perdida.
Outro problema envolve dificuldades para jornalistas chineses obterem vistos e credenciais de trabalho, o que comprometeria a qualidade da cobertura in loco e da transmissão.
Segundo estimativas, patrocinadores chineses já investiram mais de US$ 500 milhões nesta Copa do Mundo. Caso não haja transmissão oficial no país, isso poderá gerar forte insatisfação entre as marcas chinesas e enfraquecer a estratégia comercial da FIFA.
O modelo de transmissão esportiva na China está mudando
O mercado de direitos esportivos na China também passou por profundas transformações nos últimos anos.
Até a Copa de 2014, a CCTV detinha praticamente o monopólio das transmissões, enquanto plataformas digitais só podiam adquirir direitos de reprises ou programas relacionados.
A Copa da Rússia em 2018 marcou uma virada importante: pela primeira vez, a CCTV sublicenciou os direitos de transmissão, impulsionando o hábito de assistir aos jogos pelo celular.
Na Copa do Catar de 2022, os direitos avançaram ainda mais em direção às plataformas de vídeos curtos e ao ecossistema digital.
Com o crescimento acelerado das mídias integradas e do streaming, a Copa de 2026 poderá trazer formas ainda mais flexíveis de consumo, reduzindo a dependência da televisão tradicional e das transmissões da CCTV durante a madrugada.
Para muitos analistas chineses, os direitos esportivos precisam retornar a preços mais racionais. Em meio à queda geral dos valores no mercado esportivo chinês — incluindo campeonatos como a Superliga Chinesa e a CBA — a tentativa da FIFA de elevar drasticamente os preços teria encontrado resistência em um momento pouco favorável.
A postura firme da CCTV também recebeu amplo apoio da opinião pública chinesa nas redes sociais, e muitos acreditam que a FIFA pode ter errado o timing ao insistir em valores tão elevados.
Fonte: sina.com.cn

