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Hospital de Xangai realiza transplante cardíaco inédito e salva bebê de 11 meses

Transplante cardíaco inédito
Imagem: Xinhua

Uma equipe do Centro Médico Infantil de Xangai e do Centro Médico Infantil Nacional realizou, em fevereiro, um transplante cardíaco com incompatibilidade sanguínea (ABO) em uma criança de 11 meses com cardiomiopatia restritiva. O procedimento ocorreu em Xangai e rompeu o padrão de compatibilidade exigido nesses casos. A estratégia amplia as possibilidades de tratamento para crianças com insuficiência cardíaca terminal.

A paciente apresentou edema generalizado e recebeu diagnóstico de cardiomiopatia restritiva em um hospital local. A doença compromete o enchimento do coração, bloqueia o retorno venoso e causa congestão nos órgãos. Diante do agravamento, a equipe transferiu a criança para o Centro Médico Infantil de Xangai. Exames confirmaram queda na função ventricular e evolução para insuficiência cardíaca grave. Após duas semanas de tratamento clínico sem resposta, os médicos indicaram o transplante como única alternativa.

O principal obstáculo era a compatibilidade. Protocolos tradicionais exigem correspondência entre os tipos sanguíneos do doador e do receptor. Em pacientes pediátricos, a limitação se agrava pelo tamanho do órgão. Um coração compatível surgiu no sistema nacional de alocação, mas o doador tinha sangue tipo B, enquanto a criança tinha tipo A, condição que, em regra, impede o transplante por risco de rejeição imediata.

A equipe liderada por Zhu Zhongqun decidiu avançar com base em uma característica específica: o sistema imunológico de crianças com menos de dois anos ainda não está completamente desenvolvido. Isso reduz a produção de anticorpos e permite intervenções com incompatibilidade ABO em condições controladas.

Os médicos estruturaram um protocolo com participação de especialistas em cirurgia cardiotorácica, cardiologia, terapia intensiva e transfusão. Antes da operação, realizaram duas sessões de troca plasmática para remover anticorpos contra o tipo sanguíneo do doador. Durante o procedimento, utilizaram circulação extracorpórea para implantar o coração e conectar os vasos. Após a cirurgia, adotaram imunossupressão com monitoramento contínuo dos níveis de anticorpos.

A criança permaneceu 24 horas em terapia intensiva. Em seguida, a equipe retirou o suporte ventilatório e estabilizou os indicadores circulatórios. A paciente retomou a alimentação de forma autônoma.

Segundo Zhu Zhongqun, o avanço em técnicas como plasmaférese e manejo perioperatório permite aplicar o transplante com incompatibilidade ABO como estratégia clínica em crianças pequenas. O resultado amplia o número de doadores disponíveis e reduz uma das principais barreiras para transplantes cardíacos pediátricos.

Fonte: The Paper