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A supersafra brasileira e o gargalo do armazenamento de grãos

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Imagem: Lúcio Távora/Xinhua

A agricultura brasileira alcançou, nos últimos anos, um nível de expansão sem precedentes. O país consolidou-se como uma das principais potências agrícolas do planeta, liderando exportações globais de soja, milho, café, açúcar e carne bovina. Entretanto, por trás desse crescimento expressivo, emerge um problema estrutural que ameaça a eficiência do sistema logístico do agronegócio: a insuficiência da capacidade de armazenagem de grãos.

De acordo com dados recentes divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), o país possui atualmente capacidade para armazenar apenas cerca de 61,7% da produção agrícola, o menor patamar já registrado. Esse índice representa um desequilíbrio relevante entre o ritmo acelerado de expansão da produção e o crescimento muito mais lento da infraestrutura de armazenagem. Esse gargalo é evidente em estados do chamado arco produtivo do Centro-Oeste, como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul — regiões responsáveis por grande parte da produção nacional de soja e milho.

O Brasil deve produzir mais de 320 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/2026, enquanto a capacidade estática de armazenamento nacional permanece significativamente inferior a esse volume. O resultado prático é um cenário recorrente durante o período de colheita: filas de caminhões nos silos, pressão sobre os portos e necessidade de escoamento imediato da produção, muitas vezes em condições logísticas desfavoráveis.

O Brasil deve continuar ampliando sua produção agrícola ao longo das próximas décadas. Entretanto, sem um avanço proporcional da infraestrutura de armazenagem e logística, parte da competitividade conquistada no campo poderá ser perdida no processo de escoamento da produção.

Para parceiros internacionais e investidores estratégicos, o gargalo da armazenagem brasileira representa uma das fronteiras mais relevantes de investimento na cadeia global de alimentos.

Resolver esse desafio significa não apenas aumentar a eficiência do agronegócio brasileiro, mas também fortalecer a segurança alimentar de países importadores.