A China criou 70.392 novas empresas com investimento estrangeiro em 2025, segundo dados do Ministério do Comércio. O número representa alta de 19,1% em relação a 2024. No mesmo período, o uso efetivo de capital estrangeiro somou 747,69 bilhões de yuans. O setor de serviços concentrou 72,9% do total. Os dados indicam aumento na entrada de capital externo em um cenário de recuperação econômica global lenta e maior volatilidade nos fluxos internacionais de investimento.
O crescimento no número de empresas reforça a posição do país como destino relevante para investidores internacionais. Além do volume, a composição do investimento mudou. A participação de indústrias de alta tecnologia aumentou, enquanto o foco se deslocou da expansão quantitativa para ganhos de qualidade e eficiência.
Em 2026, novos projetos ampliaram esse movimento. Em Guangzhou, a STI Corporation anunciou investimento de cerca de 12,4 bilhões de yuans para construir uma base de manufatura inteligente de semicondutores de potência no distrito de Baiyun. A primeira fase prevê aporte de 1,6 bilhão de yuans para produzir substratos cerâmicos AMB. A construção começa após o Festival da Primavera e a empresa estima valor anual de produção de 3 bilhões de yuans quando atingir a capacidade total.
Em Xangai, a Michelin iniciou a produção do “Projeto Magnolia”, com investimento de 3 bilhões de yuans. A unidade foca soluções ligadas a novas energias e mobilidade. Já em Taicang, na província de Jiangsu, a Bona Environmental Equipment inaugurou sua sede para a região Ásia-Pacífico. A empresa investiu 500 milhões de yuans na expansão e prevê aplicar mais 200 milhões de yuans nos próximos três anos para modernizar equipamentos e ampliar operações regionais.
Os projetos abrangem manufatura avançada, pesquisa e desenvolvimento, economia verde e digital. Esse perfil acompanha a estratégia chinesa de modernização industrial.
O avanço do investimento estrangeiro ocorre em paralelo a medidas de abertura econômica. O governo reduziu a lista negativa para acesso ao capital externo, ampliou o tratamento nacional às empresas estrangeiras e adotou incentivos fiscais para reinvestimento de lucros. Também ampliou a abertura do setor de serviços e reforçou regras para dar previsibilidade jurídica.
Levantamento da Câmara de Comércio Americana na China mostra que 52% das empresas ouvidas colocam o país entre seus três principais destinos globais de investimento. Mais da metade espera registrar lucro ou lucro significativo até 2025. Já dados da Câmara de Comércio Alemã na China indicam que 93% das empresas alemãs instaladas no país pretendem manter presença no mercado, e mais da metade planeja ampliar os aportes.
A disputa global por capital estrangeiro aumentou nos últimos anos, e a China enfrenta pressões externas e ajustes internos na estrutura de investimentos. Ainda assim, o país passou a competir menos por custo de fatores e mais por tamanho de mercado, base industrial, infraestrutura, ecossistema de inovação e regras institucionais.
Para os próximos anos, a expectativa oficial é ampliar a abertura econômica, aprimorar serviços a investidores e manter garantias legais às empresas estrangeiras. A estratégia busca integrar capital externo aos projetos de modernização e expansão industrial do país.
Fonte: gmw.cn


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