A China ampliou sua vantagem na corrida global por inteligência artificial ao combinar alta capacidade de geração de energia com expansão de fontes renováveis. Em 2025, o país alcançou 3,89 bilhões de kW de capacidade instalada e consumo recorde de 10,37 trilhões de kWh, segundo a Administração Nacional de Energia. O volume sustenta a expansão de data centers, base do treinamento e da operação de sistemas de IA.
O debate ganhou força após o CEO da Tesla, Elon Musk, afirmar no Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro de 2026, que a limitação no fornecimento de energia é hoje o principal gargalo para o avanço da IA nos Estados Unidos. Segundo ele, esse entrave é menor na China.
O consumo de eletricidade chinês em 2025 cresceu 5,0% em um ano e superou o dobro do consumo anual dos Estados Unidos, além de ficar acima da soma de União Europeia, Rússia, Índia e Japão. O setor de serviços puxou o avanço, com alta de 8,2%. Dentro desse grupo, o consumo dos setores ligados a tecnologia da informação e data centers cresceu 17,0% e somou 193,3 bilhões de kWh, quase 10% do total do setor terciário.
A expansão da infraestrutura digital também aparece em polos regionais. Em Hangzhou, o consumo de eletricidade de cerca de 100 data centers em operação cresceu 47,2% em 2025. Em Guizhou, estado que concentra projetos do programa “East Data, West Computing”, o consumo de serviços de internet subiu 95,01% no mesmo período.
No fornecimento, as fontes não fósseis chegaram a 61,7% da capacidade instalada em 2025. A energia solar atingiu 1,2 bilhão de kW e a eólica, 640 milhões de kW. A projeção para 2026 é de 4,3 bilhões de kW de capacidade total, com eólica e solar próximas de metade da matriz. A capacidade solar deve superar a do carvão pela primeira vez.
Dados da Agência Internacional de Energia indicam que Estados Unidos e China lideram o consumo global de eletricidade em data centers. O Instituto de Informação e Comunicação da China estima que o consumo desses centros no país pode chegar a até 700 bilhões de kWh em 2030. A combinação de alta oferta de energia e preços mais baixos tende a favorecer a instalação de infraestrutura de computação no país.
Apesar da vantagem, a China ainda enfrenta desafios. As fontes renováveis se concentram no oeste, enquanto os grandes data centers ficam no leste. O país precisa ampliar a capacidade de transmissão e o uso de sistemas de armazenamento para equilibrar oferta e demanda. Ao mesmo tempo, a própria IA já é usada para otimizar a operação da rede elétrica, o que pode reforçar a eficiência do sistema no médio prazo.
Fonte: sina.com.cn


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